cap 05 quando explode não sobra nada

641 Palavras
Yasmin Cheguei em casa com o corpo quente e o orgulho arranhado. Bati a porta com força, joguei a bolsa num canto e parei no meio da sala como se o chão tivesse sumido. Tava ofegando. Mas nem era cansaço. Era raiva. Brenda apareceu na porta do quarto, de blusinha velha e um pote de sorvete na mão. Brenda: Ih... lá vem. Que cara é essa? Yasmin: Não começa. Brenda: Tem macho no meio, né? Tá estampado. Nem respondi. Só revirei os olhos e fui direto pro sofá, largando o corpo como se tivesse tomado uma surra. Antes que eu abrisse a boca, Alice, nossa vizinha, apareceu na janela, com a cara enfiada no batom borrado e o cabelo todo embolado no topo da cabeça. Alice: Boa noite, minhas ricas! Tô sentindo cheiro de confusão daqui! Brenda: Entra logo, mulher. A Yasmin tá de pavio curto. Alice entrou, com aquele jeitão dela: barulhenta, sem filtro e com faro afiado pra fofoca quente. Alice: Desembucha, vai. Quem foi que te tirou do eixo? Engoli seco. Sabia que se falasse, ia virar novela. Mas segurar aquilo tava doendo mais que dizer. Yasmin: Foi o Imperador. Silêncio. Brenda travou. Alice arregalou os olhos como se tivesse ouvido que o Papa tinha descido o morro. Brenda: Que?! Tu tá de s*******m, Yasmin. Alice: Ele te encostou? Yasmin: Não. Mas me cercou. Lá no fundo do bar, perto do banheiro. Alice: E tu falou o quê? Yasmin: Falei o que tinha que falar. Não sou mulher de abaixar pra homem nenhum, ainda mais pra bandido. Brenda suspirou. Alice se abanou com a mão. Yasmin: Mas o olhar dele... Alice: Molhada? Yasmin: NÃO! Eu fiquei... com raiva. Raiva! Brenda: Aham. E por isso chegou em casa suando e trêmula. Yasmin: Gente... ele me tira do sério! Aquele jeito de se achar dono do morro, dono das pessoas. Ele olha como se tudo fosse dele. Como se eu fosse. Alice: Mas não é? Yasmin: CLARO QUE NÃO! Eu odeio ele. Odeio tudo que ele representa. Bandido, machista, arrogante. Brenda: E gato pra c*****o. Yasmin: f**a-se se é bonito! Não muda o fato de que é um escroto. Alice: Mas mexe contigo. E tu odeia mais isso do que ele. Travada. Fiquei. Não respondi. Só virei o rosto. Yasmin: Eu não sinto nada por ele. Não sinto. Foi só o susto. Só a tensão. Isso passa. Brenda: Cê tá tentando convencer a gente ou a si mesma? Respirei fundo, abracei a almofada. Fiquei muda por uns segundos, sentindo a raiva e a vergonha misturadas no peito. Yasmin: Eu não quero ele. Não quero. Alice: Mas teu corpo quer. Tá escrito na tua cara, Yasmin. Tu pode até negar, mas o fogo tá aceso. Yasmin: Cala a boca, Alice. Alice: Tô só falando sério. Fechei os olhos. Tentei apagar o rosto dele da minha mente. Mas tava ali. A voz, o cheiro, o sorriso torto, o olhar que me queimava. Eu odiava ele. Detestava cada palavra que saía daquela boca. Mas por algum motivo i****a e que eu me recusava a aceitar... eu queria mais. E isso me deixava p**a. Yasmin: Ele me bagunça. Me desconcerta. Brenda: E tu odeia perder o controle. Porque tu passou a vida inteira tentando ter ele. Assenti, com um nó na garganta. Brenda: Só toma cuidado, mana. Porque esse tipo de homem... não entra só na tua mente. Ele entra na tua vida, na tua alma... e quando tu vê, não consegue mais sair. Alice voltou da cozinha com um copo d’água. Me entregou e me encarou com aquele olhar dela, misto de deboche e verdade. Alice: Cuidado, Yasmin. Desejo que a gente finge que não sente... é o tipo mais perigoso. Porque cresce no escuro. E quando explode... não sobra nada inteiro. Suspirei. Bebi a água gelada. Mas por dentro... tava pegando fogo.
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