The Titles

4958 Palavras
Liam havia sido o último a chegar na reunião de seu conselho. A coroação seria em três dias e ele estava tentando não se preocupar muito ou se ater demais às formalidades comuns. Não queria fazer aquilo simplesmente para trocar de título e coroa, mas sim para ter usufruir de uma certa liberdade que não tinha ainda e fazer mudanças que considerava politicamente necessárias para seu reino. Ao entrar na sala de reuniões do castelo, ele veio acompanhado de Zayn e exigiu o lado direito da mesa vazio para que ele ocupasse o espaço ao seu lado. Um de seus chefes do conselho levantou para dar lugar à Malik que, ajeitando sua capa dourada, estava praticamente tendo tudo que havia sonhado até aquele momento. Sentou-se orgulhoso ao lado de Liam, mas um pouco nervoso. Tinha um péssimo pressentimento sobre aquilo. Payne sentou-se na ponta da mesa e fechou a cara ao ver a expressão de alguns que cochichavam achando que Zayn não deveria estar ali. — Pois sugiro que acostumem-se. — Liam disse, sua voz deu eco no salão de pedra e Zayn apenas sorriu de canto. O silêncio se fez de imediato e a única coisa que podia ser ouvida além da voz de Liam, era o som de um pesado livro impresso em papiro com uma capa de couro curtido, mostrando todos os decretos do tempo de seu pai e algumas coisas criadas pelo conselho, apenas para cunho administrativo enquanto Liam não assumia o trono. — Zayn Malik será bastante visto por aqui e exijo que ele seja tratado com o mesmo respeito e cordialidade com que vós tratam a mim mesmo. — Payne concluiu e finalmente chegou na página do livro que queria. Ninguém o retrucou, ninguém disse absolutamente nada. O silêncio distraiu Liam por um segundo enquanto ele lia e por alguns segundos, ele chegou a pensar que estava sozinho naquela sala. Ele não viu problemas em nenhuma das cláusulas, todas pareciam muito sensatas. Com exceção de uma. Ele olhou Zayn de canto e fez um sinal discreto com a mão para que ele lesse no livro o último requisito para que ele fosse coroado rei: ele deveria esposar uma rainha no dia da coroação. Não haviam palavras na mente de Zayn para que ele pudesse fazer nem que fosse uma piada qualquer sobre o assunto. Liam recostou-se no trono e ficou pensativo por alguns segundos. Sentiu uma certa raiva começar a crescer dentro de si, especialmente porque Zayn olhava para ele como se esperasse alguma reação ou que ele estivesse pronto para sugerir alguma solução para aquela situação. — O que vocês querem de mim? — Liam perguntou cruzando os dedos da mão e pousando sobre a mesa, olhava para todos os membros do conselho e nenhum parecia ter coragem o suficiente para falar. Era esperado que Charles fizesse isso, então o homem levantou-se. — Peço permissão para ter a palavra, Alteza. — Charles disse educado e um pouco satisfeito ao ver Zayn Malik sem mais aquela postura de dono do mundo. — Eu acabei de dar. — Liam disse irônico, percebendo a expressão do homem. — Bem, Alteza, esses decretos foram assinados e feitos por seu pai, em conjunto com o rei Desmond, de Wessex. — O homem disse e Liam franziu o cenho. — Assim como o rei Harry precisa casar-se aos 21, sua Alteza precisa de uma rainha para conservar o nome dos Payne na realeza e dar herdeiros à Kent. — O homem finalizou e todos olharam para Liam, que sabia que não haveria saída. — Vocês não podem me obrigar a isso, eu sou o príncipe! — Liam disse tentando manter-se calmo. — Eu sou autoridade neste reino, eu sou o dono desse lugar! — Sim, Alteza. — Charles concordou. — Mas para ser rei sabe que precisa cumprir tradições. Porém, sua Alteza está certo, não podemos obrigá-lo. — Ele concluiu e Liam remexeu-se de leve no trono. — Se não quiser, não precisa cumprir nada disso, porém da mesma forma não poderá ser coroado. Acredito que veja isso como um erro, mas aparentemente sua Alteza vai pagar pelos erros cometidos por seu pai. Liam não tinha palavras. Nunca sentiu-se daquela forma, tomado por uma fúria tão gigantesca que até seus olhos pareciam mais escuros, suas feições eram pesadas e sua mão direita parecia tremer para pegar sua espada e cortar a cabeça daquele homem que falava sem nem disfarçar a satisfação na voz. Era como se ele estivesse em outra realidade, como se todas as vezes que algo funcionava e parecia estar dando certo, algum obstáculo vindo de lugar nenhum aparecia. Zayn baixou os olhos pois sabia bem o que aquilo significava. — Alteza, esperamos que entenda que isso se tratam de decretos, não há nada que possamos fazer. — Um dos conselheiros, pareceu entender a situação de Liam ao ver Zayn ao seu lado e parecia simpatizar com a ideia de que Liam fosse apenas feliz com quem quer que fosse. — Sabemos que quem quer que escolha para se casar não vai afetar sua maneira de governar, porém entendo que Kent precisa continuar sua linhagem dentro da família Payne. — Não há dúvidas, Alteza, que o povo de Kent aprova suas escolhas pessoais. — Outro conselheiro parecia tentar confortar Liam da melhor maneira possível. — Sempre fostes um príncipe bondoso e o povo é grato por teres herdado isso de sua mãe. — Alteza, tenho certeza que entende que mesmo diante de tudo isso, não fica bem para a imagem do reino que o sua alteza seja visto por aí com alguém como Zayn Malik e… — "Sua Majestade", o rei Zayn Malik. — Liam corrigiu o homem falando mais alto e aquele silêncio fúnebre voltou a reinar por alguns segundos. — Respeite os monarcas presentes neste reino, Charles, se quiser continuar com sua cabeça onde está. — Tanto os membros do conselho quanto os servos de Liam arregalaram os olhos ao ouvir aquilo. Definitivamente aquilo não parecia estar saindo da boca de Payne, que sempre fora um homem bondoso e calmo. — Liam... — Zayn chamou baixinho até mesmo estranhando aquela atitude. — Acalme-se. — Ele pediu com um tom de voz doce e Liam apenas respirou fundo. — Está tudo bem, senhor Charles, eu vou fingir que não ouvi seu comentário e tudo estará bem. — Zayn complementou realmente não se importando com o que tinha acabado de ouvir, já estava acostumado com a hostilidade de Kent para com ele e com seu reino. — Alteza, pode escolher casar-se com quem quiser. — Outro m****o do conselho dizia. — Desde que seja uma moça de Kent e virgem. — O homem concluiu e Zayn revirou os olhos abafando o riso. Liam ponderou sobre as informações que obteve até o momento, estava pensativo, perigosamente pensativo. Ele tinha crescido dentro de si um sentimento de revolta muito grande, pensando nas coisas que teria que abrir mão simplesmente para governar seu próprio reino. Achava tudo aquilo desnecessário, embora entendesse a importância da linhagem. Não precisava se casar, bastava que tivesse um filho, quem precisava de rainhas afinal de contas? Para ele, era muito pior esposar uma mulher por causa de filhos do que por causa de leis, poderia apenas escolher alguma para se deitar e ter um herdeiro. Mas aparentemente, aqueles homens não estavam facilitando sua vida de nenhuma maneira, pelo contrário. Payne ainda em silêncio, olhou ao redor e checou os presentes, precisava de uma saída, de uma solução para aquilo. Olhou para Zayn e murmurou algo como "confie em mim" e então levantou-se. Todos o cercaram com os olhos, na expectativa de saber o que ele tinha a dizer. Payne ajeitou a coroa e assumiu uma expressão pouco vista antes por todos os seus súditos. — Posso escolher quem quiser? — Ele repetiu a pergunta olhando para o homem que sugeriu que ele poderia casar-se com qualquer moça em Kent. — Sim, Alteza. — Charles foi quem respondeu a pergunta. Liam olhou para o homem com um sorriso de canto, sarcástico, ergueu o queixo para falar. — Você. — Liam apontou para uma moça vestida de branco, de braço dado com um homem. Ele franziu o cenho e a moça ficou claramente assustada. Dava para perceber que ela era uma plebéia da aldeia e, pelo vestido branco, indicava que ainda era virgem, era provavelmente uma das servas do castelo que Liam sequer conhecia. — Aproxime-se. — Liam, o que você está fazendo? — Zayn perguntou desesperado. Payne virou-se na direção dele e acariciou seu rosto sem cerimônias. — Confie em mim. — Liam respondeu de forma que somente Zayn ouviu. Mas Malik não estava gostando nada daquela história. A moça aproximou-se como Liam havia ordenado e ela reverenciou-se, ficando de joelhos na frente dele e encarando o chão, não tinha coragem de olhar para o príncipe. Ela era noiva do filho de Charles e Liam não sabia bem, mas desconfiava. Charles por um momento, assim como os outros, olhavam apavorado para a situação, mostrando um Liam Payne que circulava ao redor da menina ajoelhada, ela não tinha mais que vinte anos. — Como você se chama? — Ele perguntou e percebeu que ela tremeu ao som grave da sua voz dando eco no salão devido ao silêncio. — Sophia. — Ela respondeu engolindo a seco. Estava assustada com a atitude de Liam, nunca o tinha visto assim. — Sophia... — Ele repetiu suspirando. Olhou para o filho de Charles, que era um dos guardas de seu exército, e apenas o viu completamente desesperado. — Levante-se. — Ele disse assim que parou de circular a moça e ficou de frente pra ela. Ela tinha os cabelos longos castanhos e olhos enormes, assustados. Ela obedeceu e só então atreveu-se a olhar para o príncipe. Foi então a vez de Liam, que mantendo a postura séria, inexpressivo, como se algo tivesse tomado conta de seu corpo. Payne estava praticamente irreconhecível, tomado pela raiva. Foi então que, subitamente, ele ajoelhou-se na frente da moça. — Não! — Gritou o guarda, filho de Charles, entendendo perfeitamente do que aquilo se tratava. — Liam! — Do lado da mesa, Zayn levantou-se furioso gritando o nome do outro. Mas Payne não se comoveu nenhuma das vezes, viu apenas outros guardas segurando o noivo da moça, que parecia querer atacar, ele gritava desesperado, pedindo a todos os deuses que conhecia para que Liam não fizesse aquilo. O homem implorou por vários segundos, viam-se lágrimas em seus olhos, assim como nos de Sophia, que virou-se para encarar o noivo igualmente em pânico, sabendo que ela não teria escolha naquele momento. — Sophia, a senhorita me concederia a honra... — Payne começou devagar, pausadamente, como se estivesse aproveitando o deleite que era ver os olhos enfurecidos de Charles pelo que ele estava fazendo com seu filho. — Liam James Payne! — Zayn voltou a falar alto e andou na direção de Liam puxando-o pelo braço em vão tentando fazê-lo levantar. — Se você não parar com esse circo agora, eu vou embora e você nunca mais vai me ver. — Malik estava tão sério e desesperado que provavelmente faria aquilo mesmo. Os outros membros do conselho apenas assistiam a cena estarrecidos, embasbacados, não reconhecendo seu próprio príncipe diante dos olhos. — De se casar comigo? — Ele concluiu a frase e imediatamente as lágrimas correram pelo rosto da moça. — Eu estou perguntando por mera casualidade, porque você vai se casar querendo ou não. — Liam franziu o cenho e fingiu uma expressão indiferente. Zayn cobriu o rosto, sabia exatamente o que Liam estava fazendo. Não era apenas por si próprio que estava apavorado, mas era porque claramente aquela situação o estava transformando em uma pessoa que ele não era. — Sim, Alteza. — A menina respondeu com a voz fraca, entre soluços de choro, olhando de longe seu amado também desolado, cercado por guardas. — Ótimo. — Liam respondeu e finalmente encarou Zayn que não retribuiu o olhar, girou os calcanhares e passou a andar de volta para dentro do corredor escuro do castelo, apenas sua capa dourada dava contraste com o fogo que iluminava o caminho. Payne pensou que poderia lidar com ele depois, explicaria tudo. — Alteza, eu suplico... — Charles voltou-se a Liam com uma humildade desconhecida até então. Mas já era tarde, Payne encarou-o com ódio e revolta. — Pode suplicar o quanto você quiser. — Liam disse alto, quase gritando. — A decisão de vocês está tomada? A minha também está. — Liam disse agora referindo-se a todos os membros do conselho. — E aproveitem o quanto podem. Em breve, vou me livrar de um por um de vocês, bando de abutres. O silêncio fora tomado por uma expressão sonora de "oh" assim que o príncipe terminou a frase. Estava indiferente enquanto andava em direção ao guarda filho de Charles, seus pés pisavam pesado no chão e todos pareciam demonstrar um medo absurdo dele. Ele chegou perto do homem e suspirou impaciente. — Por Ártemis, recomponha-se homem. — Ele disse não escondendo a frustração de ver a cena que via. Ele secou as lágrimas, tinha uma mistura de raiva e decepção ao olhar para Liam. — Como você se chama? — Sir Paul, Alteza. — Ele respondeu tentando ser firme, respirando fundo. — Ok, Sir Paul, peço que entenda essa situação. — Liam disse mostrando uma frieza incomum. Charles imediatamente se aproximou dos dois. — Alteza, peço que reconsidere. — Charles disse, com um medo que Payne nunca tinha visto. — E eu peço que o senhor cale a sua boca, pois em nenhum momento lhe dei autorização pra falar ou estou lhe fazendo qualquer pergunta. — Liam vociferou entre dentes. — Pois resigne-se à sua insignificância até o momento em que eu perguntar a sua opinião. — Payne concluiu e o homem estava boquiaberto com a situação. O príncipe voltou seus olhos a Paul, que não sabia nem o que dizer. — Espero que entenda que algumas vezes, como bem apontado pelo senhor seu pai, precisamos arcar com as consequências dos erros deles. — Liam concluiu e logo virou-se para sair dali, estava no fundo desesperado para falar com Zayn. — Alteza, eu... — Paul tentou. — E se eu ouvir a sua voz novamente, vou me assegurar que serão suas últimas palavras. — Liam gritou de longe na direção do homem e fez-se absoluto silêncio novamente no salão. Ele virou-se para algumas servas que estava assistindo a tudo de canto, se corroendo de medo. — Ajudem a preparar Sophia, o casamento será em três dias. — Ele disse e apenas ouviu o choro da moça, que não conseguia se conter. — Pare de chorar. — Ele apontou o dedo para Sophia e falou sem disfarçar o tom grosseiro. — Você está me irritando. — Ele concluiu passando por ela, que apenas respirou fundo engolindo o choro e limpando as lágrimas, sendo cercada pelas servas que tentavam em vão acalmá-la. Liam então andou até o centro do salão, falando de onde estava seu trono, respirou fundo e percebeu que tinha a atenção de todos naquele momento. Seu coração doía, aquilo não tinha saído como ele havia planejado e ele tinha que admitir que m*l reconhecia-se naquelas circunstâncias. Aquele não era ele e ele sabia, resolveu usar aquela máscara como instinto de sobrevivência. Era como se ele sempre tivesse tido uma fera dentro de si e estivesse soltando-a no momento em que chegou ao seu limite com as burocracias políticas daquele reino. Ele colocou as duas mãos para trás e passou a andar de um lado para outro enquanto falava. — Ouvi nesta tarde, dos senhores, que herdei a bondade da minha mãe. — Liam começou falando alto a fim de que todos ouvissem. — Pois não tenho isso mais como um elogio apesar de ter ouvido e tomado como tal durante minha vida inteira. Mas estou cansado! Estou cansado de ninguém aqui se importar com o que eu quero! Por que eu deveria me importar com o que os senhores querem, então? — Não que Liam esperasse uma resposta, mas sua postura sisuda, dura e séria, já explicava muito sobre seu pequeno discurso. — Querem continuar a reger esse reino de acordo com as leis do rei Geoff Payne? — Ele perguntou com um sorriso irônico. — Os decretos dele ainda têm alguma valia nessas terras? Pois bem, é isso que vocês terão então. — Liam disse já preparando-se para sair. Ele ergueu os braços gesticulando com as mãos, imponente. — Vocês terão o rei Geoff de volta, pois faço absoluta questão de ser exatamente como ele era. — Ele sorriu triste, irônico, mas não se comoveu com os olhos de dezenas de seus súditos que não tinham mais nada por ele além de um medo absurdo. Ele se retirou fazendo o mesmo caminho que Zayn, já correndo basicamente até seu próprio quarto, que era onde Malik estava ficando. Ele sabia que teria muitas coisas a explicar e teria sorte se Zayn sequer ainda estivesse no reino. ~x~ Harry estava sentado em seu trono e tinha recebido poucos súditos naquela tarde. Estava sem paciência, estava irritado e profundamente triste. Sentia falta de Louis, já haviam se passado dois dias desde que ele havia terminado o relacionamento dos dois e não fazia outra coisa que não fosse pensar no ferreiro. Segurava o queixo com uma das mãos e estava sério, sentado de qualquer jeito naquele trono de ouro muito maior do que ele. Já tinha dispensado todos que queriam vê-lo naquele dia, alegando uma indisposição que o atingiu em cheio. O que era raro, mas todos já estavam notando o mau humor constante e as mudanças de hábito de um rei que passou a praticamente não deixar o castelo, não fazia mais suas caminhadas na praia e não sorria mais. Os passos contados e leves de Taylor Swift apareceram no salão. A moça exibia um bonito vestido, porém simples, de um azul escuro intenso, contrastava com seus olhos. Ela se aproximou aos poucos de Harry, que levantou-se de onde estava e foi ao encontro dela conforme ela parava de andar. Por educação, ela fez uma leve reverência ao rei, olhando para baixo até que ele a autorizasse a olhar para ele, como geralmente os reis faziam. — Ed avisou-me que sua Majestade queria me falar. — Taylor disse lembrando-se do recado do conselheiro de Harry para que ela fosse até ali. — Sim. — Harry respondeu e ela finalmente o encarou. — Gostaria de conversar sobre algumas coisas, senhorita Swift, e espero que eu possa me fazer claro, para que não haja distrações. — Harry disse tomando uma postura política e fazendo a moça vestir a clássica máscara de boa menina inocente. — Primeiramente gostaria de agradecer por ter salvo a vida de Gemma. Não tenho palavras, gestos ou atitudes o suficiente que consigam lhe pagar a imensa gratidão que sinto pelo ocorrido. — Harry foi sincero e ela apenas abriu um sorriso tímido. — Fico feliz que nada tenha acontecido a ela, isso é tudo que importa. — Taylor esclareceu genuinamente feliz, porém não com Gemma estar viva, mas sim por seu plano ter dado certo. — Segundo, eu gostaria de convidá-la para ir comigo à Kent, assistir à coroação de Liam. — Aquela parte Harry não fez questão de disfarçar o desgosto. Ela era a última pessoa no mundo que ele gostaria que o acompanhasse. — E que pretendo tomá-la como minha noiva o mais breve possível. Taylor m*l conseguia se conter com a notícia. Ela sorria tão aberto, tinha vontade de sair pulando pelo castelo, tudo estava funcionando como ela queria. Ela finalmente seria rainha em breve, iria comandar os exércitos de Wessex, iria finalmente tomar todos os reinos assim que tivesse o poder em suas mãos. Era tudo que ela queria, ouvir aquelas palavras de Harry eram seu paraíso pessoal. — E terceiro, quero deixar claro que faço isso porque tenho que fazer. — Harry permanecia sério, inexpressivo. — Meu coração pertence e sempre pertencerá a um ferreiro chamado Louis Tomlinson. — Harry disse triste e Taylor foi diminuindo o sorriso apenas por ouvir aquele nome. — Eu não vou me deitar com você, não pretendo que tenhamos qualquer tipo de vínculo afetivo e é muito provável que eu continuarei a vê-lo se ele quiser. — Majestade, mas… — Querem que eu me case com você? Pois bem, eu me caso. — Harry a interrompeu, sabendo que ela estava pronta para protestar. — Mas ninguém pode me obrigar a amá-la. — Ele finalizou e ela apenas baixou os olhos, fingindo-se triste, mas estava apenas com ódio. — Posso lhe dar filhos. — Ela disse na esperança de que ele mudasse de ideia quanto a dormirem juntos. — Eu sei, assim como qualquer outra mulher deste reino. — Harry disse sem a intenção de desdenhar a oferta, não tinha problemas em deitar-se com mulheres para esse propósito, mas tinha asco de imaginar-se na mesma cama com uma mulher que estava sendo obrigado a casar-se. — Harry… — Me chamou de que? — Ele franziu o cenho estranhando aquela atitude íntima. — Majestade. — Ela corrigiu-se surpresa de onde estava vindo aquela arrogância dele. — Partimos para Kent em dois dias. — Styles não quis nem mais ouvir, apenas quis certificar-se que se fez entendido e claro. Ele deixou a sala do trono e Taylor ficou sozinha naquele lugar. Ela estava furiosa, na hora de voltar ao seu quarto, ela já não tinha a mesma leveza para andar. Pensava que não havia motivos para estar daquele jeito, ela não se importava em ter o amor de Harry Styles, tudo que ela queria, ele já havia oferecido à ela: uma coroa. Ela subiu correndo as escadas até a torre oposta onde Harry tinha seu quarto e entrou no cômodo bufando, irritada, com vontade de gritar, de socar a cara de alguém. Ela arrancou cobertores da cama, derrubou vasilhas de metal e, quando virou-se para fechar a porta de longe, percebeu que simplesmente fez aquilo quando desejou que ela batesse com força. Taylor paralisou no momento em que viu a porta fechando-se com violência mesmo que ela estivesse do outro lado do quarto. Se assustou por um momento e respirou fundo. Perguntou-se o que tinha acabado de acontecer, pois a cena que viu acontecendo saiu exatamente como ela tinha imaginado em sua cabeça. Estava aí a magia que ela tanto buscava. Finalmente ela encontrou a veia que levava ao clímax. Ela sentou-se na cama por um minuto e finalmente parecia que os deuses a estavam compensando por tudo aquilo que ela estava passando. Apesar de seus planos estarem dando certo, para ela agora era questão de honra ter uma chance de conquistar o coração de Harry Styles, afinal, seria muito mais fácil manipulá-lo se ele fosse apaixonado por ela... Porém, aparentemente um ferreiro, um simples aldeão, parecia estar lhe dando mais trabalho do que ela esperava. ~x.x~ Dos raros momentos em que Louis sorria naquela semana, em todos eles ele estava na presença dos amigos. Calvin e Hannah estavam na ferraria inclusive não apenas animando-o cada dia que passava, mas também ajudando-o com várias coisas. Calvin contava seus planos para o casamento com Emily e já fazia questão de avisar a Louis que ele seria o padrinho. Algo que não se via mais em dias, voltou a acontecer aquela tarde. Hannah entretia algumas crianças ao redor que sempre vinham pedir para Louis cantar e para que ele colocasse pequenas rodas nos cavalos de madeira para que pudessem arrastar pelas ruas empoeiradas da aldeia. Os inconfundíveis cavalos brancos da guarda pessoal de Harry pararam na frente da ferraria de Louis que parou imediatamente o que estava fazendo. As crianças agora olhavam encantadas para os cavaleiros dizendo que seriam como eles quando crescessem. Hannah afastou-se para perto de Calvin e viu que, vestindo uma armadura prata com detalhes em cobre, vinha o rei que, apesar da proteção e da cerimônia básica, estava ali com um único propósito de apenas querer fazer seu sorriso voltar ao seu rosto só de poder olhar para aqueles olhos azuis que faziam seu coração aquecer. — Boa tarde, Majestade. — Calvin cumprimentou reverenciando o rei, assim como Hannah. — Onde está Louis? — Ele não tinha a intenção de ser grosseiro, mas estava com pressa demais. Não deu tempo para que nenhum dos dois respondessem. Calvin e Hannah apenas olharam no fundo da ferraria para um Louis Tomlinson que apertou o maxilar como se contivesse a vontade de sair correndo. Tudo que ele tinha feito até aquele momento era tentar esquecer Harry e sentiu que aquilo estava funcionando, não fosse pelo fato de que agora, com ele bem ali na sua frente, ele percebeu que não não esqueceu coisíssima nenhuma. — Eu sei que sou a última pessoa que você quer ver na sua frente. — Harry começou entrando na loja e indo de encontro a Louis, que desviou o olhar e voltou a trabalhar quando ele começou a falar. Tomlinson não respondeu. — Mas eu preciso que me perdoe, Louis. — Eu não quero desrespeitar, Majestade, mas eu estou trabalhando e não quero vê-lo mais. — A formalidade na voz de Louis fez o coração de Styles doer. — Não me chame assim, eu gosto quando me chama de Harry. — O rei disse, chegando ainda mais perto de Louis, fazendo-o soltar o pedaço de lixa para metal que ele tinha em mãos. Sem cerimônias e sem que o ferreiro resistisse, Harry segurou no rosto do outro. — Eu te amo, sinto sua falta a cada segundo da minha vida! — E por que você me abandonou? — Louis perguntou vendo suas estruturas no chão ao sentir o toque das mãos do outro. — Por que me dispensou daquele jeito? Como acha que me senti? — Eu sei… — Não, não sabe, porque você é rei. — Louis o interrompeu. — Você não sabe como é se sentir usado, traído, deixado de lado… — Louis, não diga essas coisas! — Harry literalmente sentia uma dor profunda que não sabia como iria fazer parar se Louis continuasse falando com daquela maneira sofrida. A última coisa que Harry queria sentir é que estava fazendo Louis sofrer daquela forma. — É a verdade. — Louis disse tentando se desfazer das mãos de Harry, mas o rei insistia em ficar perto, insistia em tocá-lo como se precisasse daquilo para respirar. — Me solte… — Não, você é meu Louis, eu quero você de volta. — Harry disse segurando um Louis que se debatia em vão. Tomlinson sentia que tinha feito progresso em não se iludir com o rei, porém com ele ali perto daquele jeito, ele sabia que iria ceder. — Não, eu não sou seu! — Louis gritou. — Eu não sou de ninguém, Harry! Eu não sou propriedade sua! — Não foi isso que eu quis dizer. — Harry finalmente o soltou, mas o desespero em seus olhos era evidente. — Você não pode chegar aqui, depois de tudo que me disse, e dizer que me quer de volta. — Louis acalmou-se ao perceber que estava chamando atenção de todos em frente à sua loja. — Eu não vou aceitar! Só porque você é rei, acha que pode ter o que quiser! — Eu estou aqui dizendo que eu estava errado! — Harry insistia em seu argumento. — Que pensei melhor e quero que me dê outra chance. — Vai se casar com aquela moça? — Louis perguntou cruzando os braços, em tom de desafio. Ele realmente queria saber a resposta para aquela pergunta, mas o silêncio de Harry respondia por si só. Ele já sabia que Styles não tinha escolha e ele estava tentando se conformar com aquilo. — É, foi o que eu pensei. — Louis concluiu já sabendo que Harry não iria negar que teria que se casar com ela. — Mas eu já conversei com ela. — Harry disse mesmo com Tomlinson lhe dando as costas. — Eu preciso me casar com ela, mas não vamos dormir juntos, não vamos ter nada relativo a romance, porque eu amo você e isso eu só quero com você. — Deixa eu ver se eu entendi. — Louis agora virou-se novamente para Styles. — Você vai se casar com aquela moça, ela vai ser rainha, ela vai ficar ao seu lado em todos os momentos dentro daquele castelo, mas na hora de dormir, você quer me comer. — O tom sarcástico de Louis fez Harry realmente sentir-se m*l. — Não há necessidade de você colocar as coisas dessa maneira. — Styles passou uma das mãos pelo rosto. — Eu não vou ser a sua p*****a, Majestade. — Louis! — Harry advertiu. — Não fale dessa maneira. — Vá embora! — Tomlinson gritou. — Vá embora daqui agora! Eu não quero mais vê-lo! Harry pensou em insistir, pensou em prender Louis por estar lhe faltando com respeito aquela maneira, pensou em arrastá-lo para o castelo e obrigá-lo a ficar lá, pensou que realmente queria simplesmente que os deuses destruíssem Wessex por completo se quisessem se aquilo significaria que ele não precisaria se casar com Taylor. Mas nada daquilo parecia sensato e apenas estar com Louis seria capaz de fazer aquela dor intensa que ele sentia sumir. Mas ele deveria saber mesmo que Tomlinson jamais se submeteria àquela situação apenas para ficar com ele. Styles respirou fundo e não viu escolha que não fosse fazer o que Louis nada gentilmente havia pedido. Ele deixou a ferraria resignado, aceitando que seu destino não era com aquele homem de uma vez por todas.
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