The Most Powerful Army

4093 Palavras
Louis esperava uma resposta de sua mãe e o do velho Alaistar que, naquele momento, parecia aterrorizado com tudo. Após alguns segundos de silêncio e uma troca de olhares cúmplices entre Johannah e Alaistair, o homem simplesmente respirou fundo e sabia que também era parte daquilo e não poderia fugir daquele momento. — Sente-se, Louis. — O velho disse apontando para a mesa da cozinha. Apesar de estar pronto para negar, Louis apenas franziu o cenho e fez o que lhe foi dito. Johannah sentou-se ao seu lado e não teve coragem de encará-lo, por mais que ele buscasse o olhar da mãe como se pedisse alguma explicação. — Louis, há muitos anos atrás, a rainha Anne fez uma promessa para a feiticeira de Nortúmbria. — Alastair começou, sentando-se na cadeira da mesa de frente para Louis, que prestava máxima atenção. — Sim, isso eu já sei. — Louis respondeu um tanto impaciente. — Sei que Harry ficou muito doente quando nasceu, agora precisa se casar com a filha da feiticeira, que já sabemos ser a senhorita Swift. — Ele disse num tom de desgosto, já estava ficando incomodado só de saber que ela estaria envolvida naquela conversa. — De fato, ela é filha da feiticeira. — Alastair disse. — Mas ela não é a primeira. — Ele concluiu num tom mais baixo, mas Louis continuava sem entender. O silêncio novamente caiu naquela casa e Johannah sentia um medo muito grande. — Louis, quero que saiba que nada disso muda o que sinto por você. — A mulher disse, já pronta para começar a chorar. — Mãe, o que eu tenho a ver com isso? — Ele perguntou agora mais preocupado do que curioso. — Você é o primeiro, Louis. — Alastair disse vendo que Johannah já estava chorando e não iria conseguir falar. — Você é o primeiro filho da feiticeira. — O homem concluiu encarando os olhos azuis surpresos e assustados de Louis. Por um segundo, o velho viu um relance naquele olhar que o fez lembrar daquele pequeno bebê em seus braços, que tentava proteger da tempestade resultado de uma briga entre deuses furiosos. — Como assim? — Louis disse, um pouco atônito. — Mãe…? — Ele não sabia nem direito o que perguntar para sua mãe, que enxugava as lágrimas em vão pelo seu rosto. — Louis, meu amor… — Ela começou com a voz fraca, segurando em uma das mãos do filho, que permanecia com a expressão congelada e perplexa. — Não há medidas para o meu amor por você, e não tenha dúvidas de que você é meu filho independente de qualquer coisa, mas não… — Ela disse com a voz sofrida. — Você não nasceu de mim. Louis parecia estar sonhando, ele sentia-se realmente quase numa situação em que experimentava a sensação de estar fora de seu corpo, apenas assistindo tudo de fora, como um mero espectador. Era como se tudo que ele soubesse sobre si e sobre a própria vida fosse uma mentira absurda e, o pior de tudo aquilo, foi quando o pensamento de ser irmão de Taylor lhe caiu sobre os ombros, como se fosse a certeza que ele precisava de que sua vida não seria mais a mesma a partir daquele dia. Ele levantou-se de onde estava, sentia-se inquieto, e os outros dois pareciam não querer interromper o turbilhão de pensamentos que sabiam estar rondando a cabeça do ferreiro. A grande questão para ele no momento era começar a entender a própria história, perceber que iria ter que começar do zero e, num nível que Louis tentava ao máximo controlar, aquilo era assustador. — E o meu pai? — Ele perguntou respirando fundo, imaginando que se os dois começaram a falar sobre a feiticeira, era porque provavelmente aquela não era a parte mais complexa da história. — Seu pai… — Alastair começou sabendo o quanto aquilo poderia soar absurdo, mas Louis precisava saber de uma vez por todas. — Seu pai é Hefesto, Louis. — Hefesto? — Tomlinson arregalou os olhos e pensou que, se aquilo era uma brincadeira, era de péssimo gosto. — Você está dizendo que… — Ele nem conseguiu completar a frase, aquilo era loucura. — Eu sou… — Um semideus, Louis, sim. — Johannah disse respirando fundo e levantando-se, indo na direção dele e tocando-o nos ombros, mas ele simplesmente não parecia estar ali, fechou os olhos pensando que, quando os abrisse novamente, tudo não passaria de um sonho. — Pensei que com o tempo iria começar a desconfiar… — Ela concluiu e só então recebeu o olhar assustado do filho. — Desconfiar? — Louis disse atônito. — E como eu poderia saber? Eu não tenho poderes ou coisa assim! — Na verdade, tem sim, Louis. — Alastair disse também levantando-se. — Mas Mark nunca quis que você os desenvolvesse, embora você manifeste algumas vezes sem notar. — O velho continuou e Louis franziu o cenho curioso. — Por exemplo, seus talentos com a ferraria, sua força para manusear o metal… — Eu não faço nada que os outros ferreiros não fazem! — Louis disse ligeiramente inseguro, como se realmente não soubesse daquilo com certeza, afinal, ele não conhecia outros ferreiros além de seu padrasto, que já havia falecido há anos. — Entendo que esteja confuso, Louis, até mesmo porque seus poderes devem estar quase totalmente adormecidos. — Alastair disse paciente. — Se quiser, posso ajudá-lo com o que sei… — Ele concluiu com o clássico tom sábio na voz e não escondendo um certo desejo por ter mais proximidade com aquele homem, já que o via certamente quase que como um filho. Louis titubeou em responder por um segundo, não sabia o que pensar e muito menos como agir. Aquilo era grande demais, maior do que ele realmente pensava que era, sua vida tinha acabado de mudar para sempre. Parte de si, tecnicamente negava-se a acreditar naquilo, achando que era provável que o tinham confundido com alguém. Ele não sentia-se diferente, não sentia-se especial, pelo contrário. Achava que era o homem mais comum de todo aquele reino. Então, outro detalhe lhe atingiu em cheio: ele era o primeiro filho da feiticeira. Ele era destinado para Harry. Seu rei, seu homem, seu grande amor não era apenas coincidência. Aquela ligação entre eles não era apenas luxúria ou paixão, era uma conexão cósmica de almas, provavelmente traçada pelos deuses. Era a única coisa que o consolava diante daquele excesso de informações que ele estava recebendo. De repente, as coisas pareciam estar ficando interessantes e ele torcia para que não fosse um sonho. — Então… — Ele assumiu uma postura menos defensiva encarando sua mãe dessa vez, que ainda sustentava o choroso olhar preocupado. — Eu sou predestinado a ficar com o rei. — Ele concluiu e Alastair concordou com a cabeça. — Por favor, quero saber de tudo, todos os detalhes agora mesmo. — Louis tinha firmeza na voz e os outros dois perceberam que finalmente conseguiram achar algo que fizesse ao menos Louis ouvir o que eles tinham a dizer. ~x.x~ Zayn, depois que havia se recuperado superficialmente da flechada, não esperou o sol nascer para começar a fazer o caminho de casa. Ainda estava obviamente debilitado e seu braço estava imobilizado com a ajuda de um pedaço de pano, fazendo uma espécie de tipóia para impedi-lo de mover o ombro, a fim de que o ferimento sarasse mais rapidamente. Com ajuda de seus guardas, ele montou no cavalo e então decidiram apertar o passo de volta para Essex, inseguros e com medo do que encontrariam. Antes mesmo que pudessem chegar a Essex, os três foram rendidos por um grupo de forasteiros que vestiam preto. O rei, sem condições de lutar, apenas fez seu cavalo parar ao ver o grupo se aproximando. — Senhor… — Um dos guardas já preparava-se para puxar a espada, mas o rei sabia que seria inútil lutar. — Deixe-os se aproximarem. — Zayn ordenou. — Não adianta lutar, eles estão num número maior. — Malik tinha mesmo vontade de mostrar sua força e soberania diante daqueles homens que claramente eram os responsáveis pela flechada. Rendidos, os três simplesmente esperaram os outros se aproximarem. O grupo contava com por volta de seis homens, todos armados com lanças e flechas, todo armamento muito diferente do que Zayn costumava ver em Essex e nos outros reinos. Eram feitos com materiais diferenciados, mas pareciam ser empunhados com uma maestria pouco vista. Apesar de ferido, ele não se mostrou intimidado, mesmo que o grupo de forasteiros parecesse muito confiante em suas feições. — Majestade. — O homem que parecia ser o líder do grupo começou a falar, revelando o tom grave de sua voz e um pequeno sorriso prepotente nos lábios. — Vejo que és tão sábio quanto dizem que és. — O homem continuou, mas Zayn não respondeu, apenas ergueu o queixo entendendo aquilo como a provocação que era. — Inteligente na sua parte não querer lutar. — O que quer, forasteiro? — Zayn quase o interrompeu, não estava com muita paciência para aquilo, embora estivesse receoso quanto à sua própria vida e a vida de seus homens. — Me chamo Victor. — O homem disse orgulhoso. — E aqui comigo tens os melhores guerreiros de Nortúmbria. — Ele esclareceu falando orgulhoso de seu bando. — Tenho certeza que não teremos problemas por aqui, não é mesmo? — Victor dizia olhando o céu ficando alaranjado e vermelho, mostrando que o céu estava nascendo devagar no horizonte leste. — A que devo a honra da visita ao meu reino? — Zayn ironizou, já percebendo que aquilo se tratava de uma invasão e, agora, tinha a certeza que seu reino havia sido invadido de fato. Remexeu-se inquieto em cima de seu cavalo n***o enquanto já arquitetava em sua cabeça um plano para avisar os outros reis sobre o que estava acontecendo. — Honra? — Victor respondeu gargalhando, mostrando os dentes enegrecidos e m*l cuidados. — Vamos parar com essa cena, Majestade… — Ele disse ficando sério e fazendo um sinal para que seus homens cercassem Zayn e os guardas. — Vamos andando logo, temos ainda um longo caminho até Essex. Malik, vendo-se cercado e sem opções, conseguia ver o medo e receio nos olhos de seus guardas, certamente imaginando o que estava acontecendo em Essex, se algo havia acontecido a suas esposas, filhos e amigos. Por um momento, pensaram se realmente tinham casa pra voltar, pois todos conheciam a crueldade dos guerreiros de Nortúmbria sempre em busca de território, especialmente os rebeldes que achavam que seu reino havia sido deixado para trás pelos outros reis. O grupo seguiu cercando os três por todos os lados, Zayn tentava através de seu olhar passar confiança para seus homens, mas não tinha certeza se estava funcionando. Sentia-se responsável por eles mesmo sabendo que eles é quem deveriam protegê-lo. Ao menos estava aliviado de ter escolhido viajar de forma simplória daquela vez para ver Liam, sendo que geralmente ele levava uma corte de mais de cem pessoas em suas viagens, e não eram soldados, eram mulheres, crianças e artistas. Não se perdoaria jamais se algo tivesse acontecido a seu povo num momento em que ele estava fora de casa. A vantagem que Zayn e seus homens tinham sobre os guerreiros de Nortúmbria era que conheciam aqueles caminhos melhor do que ninguém. Essex e Kent eram basicamente divididos por uma floresta grande e densa. Fria, úmida e cheia de pântanos. Normalmente, Malik conhecia os melhores caminhos para guiar, assim como seus homens, mas Victor não confiava em deixar que Zayn liderasse as pequenas trilhas até seu reino. Haviam rumores de alguns nativos canibais naquela região, mas Zayn sabia que aquelas coisas não passavam de lendas, porém, Victor parecia com medo e Malik achou mesmo que era uma boa ideia não alertá-lo da verdade, apenas deixou que ele sentisse a insegurança a cada passo que seus cavalos davam floresta adentro. — Existem apenas três caminhos para se chegar em segurança de Kent para Essex. — Zayn dizia lá pela terceira vez, alertando sobre o caminho errado que haviam escolhido. — Já mandei calar essa boca! — Victor vociferou, com raiva e impaciente. Sabia que estava errado, mas jamais daria o braço a torcer. Seu cavalo parecia cada vez mais receoso de pisar por entre as árvores e arbustos cheios, espinhos e quem sabe até mesmo alguns animais rasteiros. — Só estou dizendo que, além de estarmos perdendo tempo fazendo o caminho mais longo, ainda estamos correndo perigo. — Zayn continuou firme, sem se intimidar, percebendo que era mesmo a melhor ideia de todas deixar aqueles homens com medo. Não havia nada o que temer ali, apenas o tortuoso caminho onde a natureza era dona. — Há nativos, há animais… — Ele continou falando até que Victor parou de puxar a frente, andou na direção de Zayn, cercado por quatro guerreiros que vestiam n***o. — Escute aqui, seu maldito rei… — Victor dizia olhando nos olhos de Malik que, ao perceber que aquilo era uma ameaça por causa de desespero, não se intimidou. Zayn percebeu naquele momento que não, não estava nos planos de Victor matá-lo. Ele queria outra coisa, não sabia o que, mas certamente ele não parecia querer Zayn morto. — Você não deveria nem ser rei, você não é de Essex! — Eu nunca neguei minhas origens ou as origens de minha mãe. — Zayn respondeu firme, com o típico ar superior de não se deixar intimidar por argumentos sobre sua legitimidade de sangue. — Goste você ou não, eu sou o rei de Essex mesmo não tendo nascido lá. — Não sei o que te faz pensar que sabe de tudo sobre seu passado. — Victor disse num tom mais baixo, vendo uma curiosidade brotar nos olhos de Zayn mesmo que ele não quisesse demonstrar emoção alguma. — Viemos do mesmo lugar e, no entanto, você não tem nenhuma característica de um cidadão da nossa terra. — Victor comentava orgulhoso. — E talvez hoje seja o dia em que você perceba que errou ao deixar o seu próprio povo para trás. — A conclusão de Victor deu um tom de duplo sentido que Zayn não entendeu exatamente. Afinal, de qual povo ele estava falando? Quem Zayn havia deixado para trás? Seu povo em Essex ou suas origens em Nortúmbria. — Não deixei ninguém para trás. — Zayn respondeu firme, trocando olhares cúmplices com seu guarda, mostrando que estava criando uma distração para que um deles pudesse fugir e chamar ajuda. — Não coloque a culpa na minha saída de Essex, você é que não sabe o destino que o espera por conta dessa invasão. — Malik ameaçou mas tudo que Victor e seus homens fizeram foi rir, não levando a sério aquela suposta ameaça. — Não acho que esteja em condições de soar ameaçador, Majestade. — Victor disse com desdém, seus homens ainda riam e prestavam atenção na conversa. — Até porque acredito que saiba que meu arqueiro errou a mira de propósito. — Ele concluiu apontando com a lança para o ombro de Malik. A flechada fora tão calculada quanto seria se precisasse acertar diretamente em seu coração. Era evidente que o arqueiro atirou apenas para ferir. — Isso apenas mostra que não devo temê-lo. — Zayn disse também rindo, provocando, instigando aquela discussão a continuar, pois percebeu que seu guarda tinha achado uma brecha naquela distração para fugir pela floresta, seguro de que saberia caminhos secretos pelos quais não poderia ser seguido ou, ainda, poderia despistar o grupo, já que eles não conheciam absolutamente nada daquela região. — Pois se quisesse me matar mesmo, já o teria feito. — Ele concluiu seguro. Num movimento preciso de olhos ávidos, Victor viu o soldado fugindo e ordenou um de seus homens que fosse atrás do guarda, mesmo sabendo que seria sem sucesso. Victor realmente não poderia acabar com o plano simplesmente matando Zayn, ainda tinham um caminho longo até o reino e não poderia perder sua única vantagem: a vida do próprio rei. Após o pequeno tumulto e Victor gritando de raiva com seus homens, Zayn apenas deu-se por satisfeito de ter conseguido criar a situação perfeita e, mais ainda, que seu guarda foi inteligente o suficiente para perceber tudo sem que Zayn precisasse de fato dizer a ele o que fazer. Victor olhou com raiva para ele, talvez percebendo o que Zayn havia feito, mas não disse nada, mesmo que tivesse vontade de socar Malik até arrancar seus olhos. — Nem mais uma palavra! — Victor disse amarrando uma mordaça em Zayn, como se soubesse que ele o distrairia novamente se pudesse. O outro guarda olhou para o rei como se mostrasse que realmente não iria tentar fugir, pois tinha a intenção de protegê-lo e já contava com seu outro companheiro para avisar aos outros reinos o que estava acontecendo. Em poucos minutos e derrotado, o guerreiro que deveria procurar pelo guarda que escapou, havia voltado dizendo que era impossível seguí-lo e não conseguiu encontrá-lo. Victor, mesmo com esse contratempo, ainda permanecia confiante em seu plano, e logo voltaram a andar a caminho de Essex, com toda a dificuldade de atravessar a floresta, porém Zayn sabia que já estavam perto da saída daquela área e, em breve, seu castelo seria avistado no alto das montanhas assim que passassem as árvores mais antigas. ~x.x~ A saída escolhida por Sir Wilfred, o chefe da guarda real de Zayn, não havia sido exatamente calculado, até porque a situação demandava que fosse usada qualquer oportunidade e qualquer saída. Com uma maestria invejável, ele corria com seu cavalo branco entre as árvores, guiando o animal exatamente por onde queria, mostrando ao seu perseguidor que sabia exatamente o que estava fazendo. Embora não soubesse exatamente pra onde estava indo, ele era implacável na fuga e, em poucos minutos, conseguiu despistar o guerreiro de Nortúmbria que parecia ter desistido de perseguí-lo, talvez com medo de se perder. Assim que saiu da parte densa da floresta, pelo tempo que havia demorado, soube finalmente onde estava: norte. Ele demorou cerca de três horas cavalgando até ali e, mesmo sem saber com certeza, tinha uma noção clara de que Zayn iria querer que ele fosse atrás de Liam, de volta em Kent. Mas ele demoraria tempo demais para fazer o caminho na direção leste, que era para onde Kent ficava. Sua outra opção seria seguira para o sul, atrás do rei Harry, mas o problema era claro: havia um mar para atravessar, portanto, aquilo seria apenas mais uma perda de tempo. De certa forma, era até sorte que ele estivesse há algumas horas de Mércia, onde poderia contar com o exército mais poderoso dos Sete Reinos. Num raciocínio rápido, Sir Wilfred nem precisou pensar muito e, aumentando a velocidade do galope, rumou para o norte atrás de Niall e seu exército tão temido. ~x.x~ Para Niall, apesar de todas as brigas e desentendimentos, ter Josh Devine dentro dele lhe provocava uma sensação inexplicável. Já faziam alguns dias que, mesmo jurando que seria a última vez, Josh sempre acabava na cama do rei quando a noite chegava. Os dois estavam vivendo aquele romance não muito secreto, cheios de paixão e desejo, parecendo que estavam de fato compensando o tempo que queriam ter feito aquilo e nunca tiveram iniciativa de nenhum dos dois. Aquela amizade que durava por anos sempre havia deixado espaço para um sentimento maior crescer e, a forma como Josh gozava forte todas as vezes que tinha Niall em seus braços daquela forma, gemendo seu nome através de seus lábios molhados e vermelhos, ele tinha certeza de que jamais iria conseguir voltar atrás naquele sentimento. Niall já havia gozado e apenas deixou que Josh tivesse sua vez, não se importava em esperar, adorava poder prestar atenção máxima em todos os movimentos de Devine, que parecia uma serpente por cima dele, movimentando-se com tanta habilidade e mordendo os lábios para não gritar quando chegava ao seu ápice. Devine rolou para o lado na cama, apenas para observar o sorriso de Niall tão relaxado, como se o resto do mundo não tivesse a menor importância, mesmo sabendo que, se tratando de Horan, aquele momento nunca durava muito, logo ele deixaria a tal realidade tomá-lo e dominá-lo com uma racionalidade absurda. — Estou com fome. — O rei disse esfregando os olhos. Não tinha nem aberto os olhos direito e lembrava-se de Josh o acordando com a boca em seu m****o. — Eu também. — Devine respondeu enquanto sentava-se preguiçosamente na cama. — Posso pedir pra trazerem algo para o quarto. — Não. — Niall riu puxando-o de volta para deitar na cama. — Eu mesmo faço isso. — Ele concluiu arrancando de Josh um dos sorrisos mais bonitos que ele já havia visto. — Eu sou o rei, mas quando estamos nesse quarto, você é quem manda. — Niall disse perto do ouvido de Josh, que sentia-se flutuando naquelas situações em que tinha tanta certeza que Niall era seu e apenas seu. — Majestade. — A porta se abriu revelando um dos guardas. — Não entre sem bater. — Horan, que tomou um susto, falou alto, quase gritando e, por instinto, protegendo Devine quase que inconscientemente, achando tratar-se de alguma invasão. — Peço perdão, Majestade, mas é urgente. — Por respeito, o guarda tentou ignorar completamente o fato do rei estar nu na cama com seu comandante. — Sir Wilfred, de Essex, está aí. — Aconteceu alguma coisa com Zayn? — Niall franziu o cenho e, como era de costume, já estava esperando o pior, especialmente porque o anunciado foi um guarda e não o próprio rei. Ele levantou-se da cama e já começou a se vestir, gesto esse também feito por Josh, que prestava atenção na conversa. — Essex está sendo invadido, o rei está rendido. — O guarda explicou afoito. Niall, que já estava se arrumando rápido, imediatamente andou até sua armadura, pois tinha certeza de que aquilo significava guerra, ao menos pra ele. — Vou reunir as tropas. — Devine disse percebendo a gravidade da situação, deixou o quarto ainda sem camisa, correndo pelos corredores do castelo sem nem esperar a confirmação de Niall, pois sabia que não era necessário. Aquela era uma situação de perigo iminente e todos os reinos tinham acordos de protegerem uns aos outros. — Quem é que tem a audácia de nos enfrentar dessa maneira? — Niall dizia já tomado pela raiva, não costumava canalizar sua preocupação em outra coisa. Sempre deixava aquela cólera tomar conta dele e, saber que mais do que um parceiro, mas um amigo de verdade, estava correndo perigo, o deixava absurdamente furioso. — Nortúmbria. — O guarda esclareceu enquanto ajudava Niall a colocar sua pesada armadura de cobre e prata. — O que? — Horan sentiu o sangue ferver. — Aqueles feiticeiros malditos, não sabem com quem estão brincando. — Niall dizia sentindo sua fúria aumentar. — E Harry e Liam? — Ainda não sabem o que está acontecendo. — O guarda esclareceu. — Sir Wilfred disse que estavam na floresta quando o rei Zayn conseguiu distrair os guerreiros que os raptaram, dando espaço para que ele fugisse. Pelo caminho que pegou, vir pra cá era o lugar mais perto. — Mande mensageiros imediatamente avisar Harry e Liam. — Niall dizia checando o espelho para ver se tudo estava em seus conformes com sua armadura. — Nós partimos imediatamente. — Ele concluiu olhando para o guarda, que soube que era hora de se retirar para igualmente se preparar. Niall pegou sua espada e viu o reflexo de seus olhos azuis no metal polido com perfeição. Já faziam alguns anos que a paz reinava em todos os cantos, mas aparentemente agora era hora se assegurar que ela permanecesse. Ele particularmente nunca tinha gostado muito dos outros três reinos distantes e, secretamente, sempre buscou um motivo para atacá-los, sempre teve a impressão de serem maus, invejosos e buscarem sempre forças obscuras e tratos sombrios com os deuses para ter poder e se consolidarem em território. Talvez tivesse chegado a hora de colocar fim naquela gente. O rei embainhou a espada e marchou para fora de seu quarto mostrando que sabia como ninguém como se livraria de futuras invasões até mesmo em seu próprio reino: matando todos os invasores. Ele desceu as escadas e, em poucos minutos, tinha seu exército de mais de cinco mil homens a postos, marchando até Essex para salvar Zayn e seu reino.
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