Mama told me when I was young
Mamãe me disse quando eu era jovem
Come sit beside me, my only son
Sente-se ao meu lado, meu único filho
And listen closely to what I say
E ouça com atenção o que eu digo
And if you do this
Se fizer isso
It will help you some sunny day
Irá te ajudar num dia ensolarado
Dois dias haviam se passado desde a visita de Tristan à ferraria de Louis. Harry tinha voltado há menos de 24 horas de Kent e sequer deu qualquer explicação sobre onde estava indo, dispensou a guarda, dispensou Taylor e disse que precisava dar uma volta na praia. Tinha voltado diferente de Kent, mais determinado e um tanto quanto menos convencido do que tinha que fazer com sua vida. Zayn Malik conseguiu implantar nele uma dúvida tão sólida, que Harry havia mudado mesmo drasticamente seu ponto de vista quanto aos acontecimentos.
Não abriu mão da espada, mas usava uma capa preta com capuz por cima de tudo que vestia. Escondeu o rosto e passou por parte de seus súditos sem nem ao menos ser reconhecido. Já tinha ido tentar uma visita a Alastair, mas o homem parecia ficar pouco em casa. Harry, dessa vez, tentou a noite por ter mais certeza de que o homem estaria por lá.
Subiu a colina em seu cavalo n***o e não demorou muito para chegar lá. Era estranho que ele estivesse sozinho, já que raramente o rei andava desacompanhado. Deixou seu cavalo perto de um pequeno riacho assim que chegou ao topo, imaginou que o animal precisasse beber água depois daquele esforço. A casa parecia precária, pouco iluminada e fez Harry pensar que era provável que aquele homem sofresse de frio quando o inverno chegasse. Ele respirou fundo e bateu duas vezes na porta, aguardou e só quando o velho atendeu, foi que ele tirou seu capuz revelando quem era.
— Majestade. — O homem disse com a típica voz fraca, abriu o restante da porta e parecia fazer um certo esforço para tentar ajoelhar-se em frente ao rei.
— Não precisa. — Harry disse imediatamente vendo que aquele homem parecia mesmo muito debilitado para estar preocupado com reverências. — Estou quase emitindo um decreto para acabar com esse tipo de coisa. — Styles referia-se ao fato de achar desnecessário ser tratado daquela forma, mas as pessoas insistiam em fazê-lo.
— Por favor, entre. — Ainda assim o homem baixou os olhos e a cabeça quando Harry passou por ele. Tinha um respeito absurdo por aquele homem apesar de lembrar-se dele com clareza ao ver os mesmos olhos verdes quando ainda era indefeso nos braços de sua mãe.
Alastair olhou para Harry e sentiu-se um tanto emocionado. Não o via de perto há muitos anos, ele provavelmente não tinha mais que dois anos quando ele decidiu de vez se afastar da guarda real do rei Desmond e, desde então, permanecia isolado naquela casa na colina e nunca tinha falado com Harry ou o visto pessoalmente depois de sua coroação, quando o garoto tinha apenas quinze anos.
— O senhor está bem? — Harry perguntou franzindo o cenho, ao ver que o homem parecia olhar tão fixo pra ele que chegava a ser um tanto assustador. Seus olhos brilhavam mesmo que a pequena cozinha onde estavam estivesse tão m*l iluminada.
— Sim, Majestade. — O velho respondeu puxando uma cadeira e oferecendo ao rei. — Já fazem muitos anos desde que o vi, apenas estou feliz em vê-lo realmente saudável.
Harry ficou em silêncio ouvindo aquilo, mas negou a cadeira. Fez apenas um gesto, dizendo que não era necessário, provavelmente não demoraria.
— Gostaria de um chá? — Alastair ofereceu e a chaleira fervendo em cima do fogão de pedra chamou a atenção de Harry.
— Não senhor, obrigado. — Harry disse observando os lentos passos daquele homem em direção à água fervente, preparando uma caneca de chá para si mesmo. Era algo incrível como aquela casa parecia organizada e limpa apesar de todas as limitações circunstanciais e físicas que aquele homem claramente tinha.
Harry não sabia direito por onde começar aquela conversa, o ambiente todo o fascinava e a bondade nos olhos daquele homem quando olhava pra ele, era algo que lhe era inconscientemente familiar, era como se aquele velho estivesse mesmo orgulhoso como alguém da família de Harry.
Take your time... Don't live too fast
Leve o tempo que precisar… Não viva tão rápido.
Troubles will come and they will pass
Problemas virão e então irão embora
— Ouvi histórias sobre o senhor. — Harry começou assim que o homem virou-se de volta para ele, segurando uma caneca de chá. Seu sorriso era quase imperceptível.
— Imagino que sim. — Alastair respondeu se aproximando de Harry e pegando a cadeira antes oferecida ao rei. — Imagino que sejam realmente criativas. — O velho quase riu ao ver Harry encolher os ombros também achando graça.
— Minha mãe sempre me contou que o senhor foi quem a ajudou a ir buscar uma cura quando eu era bebê e estava doente. — Harry continuou vendo o homem apenas concordar com a cabeça. — Acho que nunca tive realmente a chance de agradecê-lo por isso.
— Não precisa. — O homem disse sem falsa modéstia. — Eu realmente estava fazendo meu trabalho e, mesmo se não fosse isso, rainha Anne era uma das mulheres mais fortes e determinadas que esse reino já conheceu. — Ele concluiu e Harry sorriu ao ver alguém falar daquela maneira de sua mãe, mesmo após tantos anos de sua morte. Foi definitivamente uma mulher marcante para aquela geração.
— Mesmo assim, gostaria de dizer que tens minha eterna gratidão. — Harry acrescentou rendendo-se à puxar uma cadeira e sentando-se de frente para o homem. — Acho que um dos piores defeitos que uma pessoa pode ter é justamente a ingratidão.
— Não há mesmo argumentos contra isso. — Alastair respondeu concordando com a cabeça. — E o que posso fazer por vossa Majestade?
— Insisto que me trate apenas por Harry. — O rei disse e viu o homem baixar os olhos pensando em como aquele garoto havia claramente os traços de criação que Anne provavelmente deu a ele.
— Tal qual como sua mãe. — Alastair respondeu sorrindo. — Sempre abrindo mão dos títulos.
— Não estou abrindo mão. — Harry disse rindo. — Acredite, eu gosto muito de ser rei. — Ele brincou fazendo o homem rir também. — Só não vejo necessidade para certas pompas, somos todos iguais.
— Vejo que sua mãe o educou muito bem. — Ele comentou e Harry ficou ainda mais satisfeito em ouvir aquilo.
— E o que me traz aqui é um assunto que envolve minha mãe. — Harry disse e viu o homem suspirar. Não sabia bem, mas Alastair já esperava pelo dia em que aquilo fosse acontecer: Harry iria vir lhe pedir explicações. — E uma promessa que ela fez.
— Sabe que sou um homem velho, não poderia confiar em minha memória. — Alastair respondeu, sentindo um certo medo de falar sobre aquilo. Pensava em Zeus, tinha medo que o deus o punisse, tinha medo de afrontá-lo e sua prioridade, apesar de ver Harry com carinho e amor, era realmente proteger Louis.
— Tenho certeza que algo como aquilo não é algo que se esqueça com facilidade. — Harry comentou. — E eu confio que o senhor saiba de mais coisas do que realmente está dizendo.
— Harry, todas as vezes que tentei falar sobre os deuses e suas fúrias, sobre como eles andavam pela terra escondidos, disfarçados… — Alastair dizia convicto, sabia daquelas coisas, tinha visto com seus próprios olhos. — As pessoas diziam que eu era louco e, aquilo me foi tantas vezes repetido, que eu realmente cheguei a acreditar em certa altura da vida, que eu havia enlouquecido. Saí da guarda, não confiava mais em minhas faculdades mentais e decidi viver aqui.
— Eu não acho que o senhor esteja louco. — Harry esclareceu ao ouvir aquelas coisas. — Se o senhor presenciou uma feiticeira me curar, tenho certeza que viu coisas em Nortúmbria que a maioria não acreditaria. E eu preciso de respostas.
— A jovem que irá se casar… — Alastair comentou incerto, apenas sabia de rumores sobre a tal filha de Althea. Teve medo de se aproximar, mas naquele momento, sentiu o peso da verdade sobre seus ombros.
— Eu não a amo. — Harry o interrompeu. — Farei o que eu tiver que fazer para que não sofra as consequências de não cumprir uma promessa, mas eu preciso ter certeza. — Styles dizia convicto, quase desesperado e Alastair percebeu. — Eu só preciso saber que, se eu estiver realmente abrindo mão de estar com quem eu amo, que seja de fato por motivos de força maior.
— O que o faz duvidar? — Alastair perguntou curioso com aquela conclusão de Harry.
— Porque o senhor é o único que pode me impedir de ser enganado. — Com aquelas palavras, Harry fez o velho triplicar o peso de sua culpa. — O que o senhor sabe sobre a feiticeira?
— Eu não sei muito, Harry. — O homem disse sentindo um medo crescer dentro de si. Um trovão no céu anunciava a vinda de uma chuva de verão que assustou tanto Alastair quanto o rei. Um aviso e o velho sabia bem de quem: tinha um medo descomunal de Zeus. — Não sei qual foi a história que contaram, mas eu realmente não sei de nada. — Ele mentiu, pensava apenas em Louis, teve medo que Zeus o castigasse, que ferisse o garoto e Harry percebeu o quanto aquele homem parecia amedrontado por aquela chuva ter começado.
Harry levantou-se respirando fundo, continuava insatisfeito. Sua intuição lhe dizia que aquele homem estava escondendo alguma coisa ainda, pois parecia bastante óbvio que ele não sentia-se confortável em falar sobre aquele assunto. A chuva ficava cada vez mais forte e o silêncio entre os dois parecia fazer com que os trovões fossem ainda mais fortes e ensurdecedores.
Go find a woman and you'll find love
Encontre uma mulher e encontrará amor
And don't forget son
E não esqueça, filho
There is someone up above
Há sempre alguém lá em cima
— Certo. — Harry disse conformado. Alastair era sua última esperança. Ele andou até a porta de cabeça baixa, estava triste, achava que aquele homem poderia ser a resposta para todos os seus problemas. — Meu castelo estará sempre de portas abertas… Caso o senhor lembre-se de algo para me dizer. — Harry concluiu deixando claro que o “lembra-se” indicava um “se mudar de ideia e resolver falar”.
O rei deixou a casa simples, voltando a usar a capa preta para esconder-se e igualmente agora proteger-se da chuva. Aquela tempestade fez Alastair lembrar-se da noite em que Poseidon salvou Louis das garras das ondas e do próprio Zeus. Ele sentia que iria mesmo enlouquecer se continuasse pensando tanto naquilo. Não era nada fácil pra ele saber que passou a vida toda na mira dos deuses e não existia a menor chance de conseguir competir com todo aquele poder.
Deixou seu chá de lado e acendeu uma vela acinzentada em oferenda a Hefesto, pedindo não por proteção para si, mas para Louis. Em seguida, não se importou com os trovões e a chuva que Zeus mandava e apenas foi até seu quintal, buscou pequenos barcos de madeira que tinham sido talhados por ele mesmo, colocou flores de jasmim dentro e andou lentamente até o mar — até porque ele não tinha agilidade nenhuma para correr até lá.
No caminho, levando a oferenda para Poseidon, ele pedia apenas para que o deus acalmasse Zeus e, novamente, não desenterrasse as brigas antigas com seu irmão. Zeus e Poseidon eram igualmente poderosos e dividiam as opiniões do Olimpo. A única coisa que Alastair sentia, por ambos, era um medo terrível.
x.x.x
Já era noite quando Louis chegou em casa correndo da chuva e encontrou sua mãe preparando pães para o dia seguinte. A mesa onde ela trabalhava estava coberta de farinha, assim como suas mãos. Louis fechou a porta e andou na direção dela lhe dando um beijo na testa e logo lavando as mãos na pia com a intenção de ajudá-la. Ela percebeu que desde que Harry havia terminado seu romance com Louis, seu filho estava tendo uma certa dificuldade para voltar à sua rotina normal.
— Está cansado, filho? — Ela perguntou sem tirar os olhos da massa de pão.
— Estou bem. — Louis disse arregaçando as mangas da camisa e literalmente colocando a mão na massa para ajudar a mãe, que sabia que ele estava cansado, mas queria ajudar mesmo assim.
— Vi que a aldeia estava animada hoje. — Ela comentou randomicamente e Louis arqueou as sobrancelhas um tanto impaciente.
— O rei está de volta. — Ele respondeu realmente como se estivesse falando de um estranho. Sua mãe apenas sorriu triste.
— Ainda está triste, não é? — Ela perguntou testando. Até aquele momento, Louis não havia falado sobre o assunto. O filho era muito reservado nesse quesito.
— Não. — Ele mentiu. — Eu estou tentando não pensar nisso. — Mas foi honesto na conclusão.
Johannah parou o que fazia apenas para olhar o filho com aquele semblante sério, um tanto sofrido por saber que não iria se livrar de Harry tão fácil, afinal, o homem era rei daquele lugar. Ele só não estava em toda parte, como também falavam dele constantemente. Louis sentiu seu estômago embrulhar só de pensar que teria que assistir Styles casar com aquela mulher e, daqui um tempo, dar filhos à ela. Como se sua mãe pudesse ler seus pensamentos, ela segurou em uma de suas mãos, impedindo-o de continuar a mexer com a massa de pão.
— Deixa que eu faço isso, Louis. — Ela disse carinhosa e Louis suspirou. — Vá lavar as mãos, tome um banho e descanse, meu querido.
Louis pensou em negar, dizer que queria ajudar, mas não achava certo mentir para sua mãe, não precisa fingir nada na frente dela. Era sua família e amava de todo coração, não queria que ela se sentisse m*l ao vê-lo claramente abalado por aqueles sentimentos todos. Ele obedeceu, lavou as mãos e olhou novamente para ela como se agradecesse com o olhar toda a compreensão que aquela mulher tinha para com ele.
— Vou tomar banho. — Ele anunciou e novamente beijou a testa da mãe, seguindo para outro cômodo e pensando que era uma boa noite para relaxar e tentar não ficar constantemente lembrando de suas emoções m*l resolvidas. Talvez a chuva se acalmando aos poucos o ajudasse igualmente a sentir-se melhor.
And be a simple kind of man
E seja um tipo simples de homem
Be something you love and understand
Seja algo que você ame e entenda
Johannah, na cozinha, assustou-se ao ouvir batidas apressadas e pesadas na porta. Estava chovendo, calculou que fosse alguém precisando de ajuda. Assim que abriu a porta ainda com as mãos um tanto sujas, pegou um pano já usado e tentou tirar o excesso de massa e farinha de seus dedos.
— O que você está fazendo aqui? — Ela assustou-se ao ver o velho Alastair entrando mesmo sem ter sido convidado, completamente encharcado pela chuva, mas parecendo não se importar muito com aquilo.
— Onde está Louis? — Ele perguntou preocupado, seus olhos estavam arregalados.
— Está tomando banho. — Ela respondeu ficando igualmente preocupada com aquela cena. — O que está acontecendo, homem?
— O rei… — Alastair começou, tentando recuperar o fôlego. — O rei esteve em minha casa fazendo perguntas. — Ele esclareceu e viu Johannah perder a cor do rosto. — Ele está perto de descobrir tudo, acredite.
— Louis está em perigo! — Ela disse, já entrando em desespero. — O rei não pode saber! O segredo não pode ser quebrado, Zeus ficará furioso, ele pode tirar a vida do meu filho! — Johannah sentia as lágrimas se formando em seus olhos, m*l conseguia suportar o medo que a consumia.
— Acalme-se, mulher! — Alastair pediu, mesmo que ele igualmente não estivesse calmo. — Poseidon vai o proteger, ele sempre o protegeu.
— Eu não acredito que isso está acontecendo! — Ela dizia andando de um lado para outro na cozinha. — Tenho evitado que Louis veja esse homem, mas ele simplesmente não consegue esquecer o rei!
— E nem vai! — Alastair dizia preocupado. — Eles estão destinados, nada pode quebrar esse elo agora que eles já se encontraram, já ficaram juntos… — O homem dizia respirando fundo. — Lembro-me bem da chuva na noite do aniversário do rei… Zeus está perto.
— Eu não posso permitir isso. — Johannah dizia apavorada, secando as lágrimas que caíam. — Vou partir com Louis, precisamos deixar Wessex!
— Isso não vai adiantar! — Alastair comentou. — Zeus vai seguí-los onde quer que forem!
— E o que devo fazer? — Ela perguntou em tom de súplica, esperando mesmo que Alastair tivesse todas as respostas.
— Precisamos contar a verdade a Louis. — O velho sugeriu, para o completo pânico de Johannah. — Eu acho é que já brincamos demais com a sorte, especialmente se tratando do fato de que sabe muito bem que Louis tem poderes! — Ele continuou e Johannah parecia paralisada ouvindo-o. — Eu não sei que histórias o Mark contou quando Louis era criança para fazê-lo acreditar que levantar toneladas de aço era normal! Ou que segurar instrumentos fervendo em brasa era questão de costume, por isso não o queimariam!
— Alastair…
— Está na hora. — Ele disse interrompendo a clara tentativa dela querer dizer que queria esconder aquilo por mais tempo. — Precisa contar a verdade a Louis sobre quem ele é!
No momento em que Alastair concluiu, Louis entrava no cômodo com uma toalha enrolada na cintura. Tinha o cenho franzido, não havia escutado a conversa, apenas a última frase. O silêncio entre os três era mais do que constrangedor, para Johannah, era torturante. Os olhos azuis de Louis corriam da mãe para Alastair como se procurasse entender o que se passava em sua ausência.
— Que verdade sobre quem eu sou? — Louis perguntou quebrando o silêncio e deixando sua mãe quase sem conseguir respirar devido a tensão no ar.
Baby, be a simple kind of man
Amor, seja um tipo simples de homem
Won't you do this for me son
Não fará isso por mim, meu filho,
If you can?
Se você puder?
x.x.x
Não era mais tão estranho ver Zayn circulando pelas ruas de Kent ao lado de Liam, como se patrulhassem o reino. Os cavalos eram seguidos por guardas de ambos os reinos no momento em que a maioria dos aldeões acompanhavam a sofrida partida de Zayn de volta para Essex. os dois não tinham mais pudores ao trocar beijos e carinhos em público e, para os mais políticos, a única coisa que viam ali era uma aliança governamental forte que tinha acabado de transformar os sete reinos, sendo que continuariam reinos, porém seriam certamente os mais temidos pela clara proteção oferecida por seus regentes.
Não estava chovendo naquela noite em Kent e Liam beijava Zayn sem se preocupar com os olhos alheios nas escadas do castelo. Pedia que ele ficasse, pedia que não fosse embora, mas Malik sabia que tinha responsabilidade com seu próprio reino para com tudo aquilo.
— Eu realmente preciso ir. — Zayn dizia entre sorrisos, tentando se livrar dos braços de Liam, que o agarravam de forma a realmente não querer deixá-lo sair dali.
— Eu sei, eu sei… — Payne comentava sussurrando num tom sofrido. — Mas isso tem que acabar, precisamos decidir o que fazer, eu não quero mais passar nenhum dia longe de você! — Liam comentou e Zayn sentia-se nas nuvens ao ouvir aquelas coisas. Esperou demais para sentir aquilo.
— Eu também não. — Malik respondeu tocando o nariz de Liam com o seu. — Mas eu realmente estou aqui há tempo demais, meu reino está vulnerável. — Zayn concluiu e finalmente Liam tirou as mãos de cima dele, como se a realidade realmente lhe batesse à porta. — E será seu reino também em breve, também deverá se preocupar. — Ele sorriu e viu Liam igualmente sorrir aberto.
— Vou resolver algumas coisas por aqui e vou pra Essex assim que possível. — Liam comentou realmente com dor no coração de ver seu amor partir. — Espere por mim.
— Sempre. — Zayn respondeu dando um último selinho demorado no outro e, então, Malik montou em seu cavalo n***o com a pelagem reluzente, dando contraste com a quantidade de ornamentos dourados que aquele homem usava. — Eu te amo.
— Também te amo. — Liam respondeu e só então observou com uma certa tristeza, o sol claramente acompanhar Zayn e seus dois guardas até a saída dos portões que davam acesso ao reino de Kent.
Liam não estava apenas elogiando ou brincando quando se referiu a Zayn como sol. De fato, a escuridão que tomou o reino pela noite chegando fez com que Payne sentisse seu reino ficar um pouco mais frio e um pouco mais sombrio. Mas aquilo poderia ser claramente apenas o reflexo de sua tristeza pessoal por ter que ficar alguns dias longe de seu amor.
Ele voltou para dentro do castelo acompanhado de alguns guardas e serviçais. Ajeitou sua capa púrpura e dirigiu-se até a sala do trono, quando no caminho, encontrou a jovem Sophia, a mulher com quem, por impulso, quase tomou por sua esposa. Sir Paul a acompanhava e ambos pareciam com medo ao ver Liam se aproximar. O rei, por sua vez, sentia-se m*l com o que aquilo tudo representava. Por mais que tivesse dispensado todo seu conselho agora que era rei, decidiu que escolheria novos membros para tal, não deixou de sentir-se constrangido ao ver o homem de quem estava certo que separaria da mulher que amava.
— Sir Paul. — Liam disse fazendo o casal parar de andar.
— Majestade. — O homem respondeu, um tanto apático, mas com medo. Liam ainda não havia se acostumado com aquele título. Ambos se ajoelharam em sua frente.
— Sophia. — Ele cumprimentou a moça que baixou os olhos imediatamente. — Gostaria de falar com ambos. — Ele disse ao mesmo tempo que fazia um gesto sutil com a mão, pedindo que se levantassem. — Sei que não tenho o direito de pedir, mas gostaria que encontrassem compaixão em seus corações para que perdoassem minhas recentes atitudes desesperadas.
— Não há ressentimentos, Majestade. — A moça respondeu primeiro, mas o guarda ficou calado.
— Em contrapartida, gostaria que ficassem no castelo. — Liam disse, tentando ser gentil. — Que vissem isso como uma oportunidade de organizarem seu casamento futuro. Sir Paul, sei que mora com a guarda real, mas permito que sua futura esposa o acompanhe, portanto ambos podem ficar na corte. — Ele concluiu e Sophia sorriu com o convite, ficou feliz de poder passar mais tempo com seu noivo.
— Obrigada, Majestade, é muita bondade. — Ela disse e Liam ficou feliz de estar conseguindo reparar seu dano.
— Fiquem a vontade. — Ele agora concluiu olhando para o guarda que, mesmo que pareceu ter gostado da ideia, não parecia pronto para dar o braço a torcer.
— Agradeço, Majestade. — Ele respondeu sem olhar nos olhos de Payne, mas o rei não se importou. Sabia que qualquer homem que quisesse proteger sua honra e a honra de sua esposa, sempre teria um pé atrás com a pessoa que tivesse alguma influência para mudar aquilo. Doeu em Liam perder parte do respeito que aquele homem certamente um dia teve por ele.
Payne se retirou deixando que os dois seguissem seu caminho. Não era muita coisa, mas estava começando a organizar as políticas dentro daquele reino, sua mudança de postura e atitude eram evidentes uma vez que, agora, ele não tinha mais medo algum do que quer que fosse e sentia-se mais livre para tomar suas próprias decisões. Sua autoconfiança deu um salto e seu comportamento refletia isso.
Era hora de escolher seu novo conselho e pensar em seu casamento com Zayn, que m*l tinha saído dali, e já fazia uma falta absurda para Liam, que certamente ainda surpreendia-se com o quanto estava apaixonado.
Forget your lust for the rich man's gold
Esqueça a luxúria do ouro do homem rico
All that you need is in your soul
Tudo que você precisa, está em sua alma
x.x.x
O caminho de volta para Essex era regado de conversas e Zayn mesmo comportava-se como amigo de seus guardas: simplesmente porque confiava e sabia que poderia colocar sua vida nas mãos deles. Sabiam que a estrada aquela noite seria longa, mas ainda era cedo para parar. Descansariam na metade do caminho, mas Zayn queria já estar em seu reino logo após o sol nascer.
A luz da lua iluminava o caminho de maneira um tanto precária e, no momento em que Zayn piscou os olhos para se permitir sentir-se um tanto sonolento, foi acordado de maneira súbita, quando a dor de uma flecha penetrando seu ombro esquerdo o fez sentir-se dilacerado e o impacto o fez cair do cavalo.
Seus guardas imediatamente o protegeram e, mesmo sem perder a consciência, Malik gritou de dor segurando a madeira da flecha longa que quase atravessou seu ombro. Um dos guardas fez a frente, empunhou sua espada e ficou na frente do rei para protegê-lo caso o arqueiro tentasse de novo. Não conseguiam ver ninguém naquela noite escura e isso era o que mais os amedrontava.
— Quem está aí? — Zayn perguntou para um dos guardas que imediatamente partiu para tentar remover a flecha do ombro dele.
— Não conseguimos identificar, Majestade. — O guarda em frente a Zayn respondeu e, em contrapartida, ouviu o grito abafado de Malik no momento em que a flecha era retirada de seu ombro de maneira dolorosa e lenta, quase como se doesse muito mais do que quando entrou.
Ele levantou-se cambaleando um pouco e o silêncio da noite avisava que as flechas cessaram, parecia mesmo ser apenas um aviso. Eles decidiram acampar embaixo de uma pedreira a fim de descansar e tratar os ferimentos de Malik. Ele se recusou a voltar a Kent, sentia agora mais do que nunca que precisava ir pra casa, com receio que seu próprio reino estivesse sendo atacado.