The Queen

4588 Palavras
FLASHBACK A rainha Anne poderia ser um bom exemplo de doçura e classe quando se tratava de descrever como seus súditos a viam. E não era mentira, ela era realmente uma mulher de maneiras impecáveis e seu sorriso era mesmo capaz de fazer qualquer homem naquele reino sentir inveja de Desmond Styles. O que poucos sabiam, é que dentro dos muros do castelo, morava uma mulher forte, inteligente e com grande influência política. Era uma rainha que tinha seu título como uma grande responsabilidade de liderar um reino ao lado de seu amado. Não se recusava a participar de reunião sobre acordos e, por ser uma mulher considerada perspicaz, era muito ouvida não apenas pelo marido, mas por todos os conselheiros. Por anos, ela recusou-se a aceitar a pressão de dar um filho ao rei, sabendo que as coisas aconteceriam exatamente no seu tempo e, por isso, foi uma surpresa o anúncio da primeira gravidez da rainha. Houveram festas e os aldeões pareciam imensamente felizes por saber que a hierarquia se manteria em Wessex. Anne passou a ser mais mãe e menos rainha. Dedicou-se a cuidar de sua gravidez e de evitar qualquer tipo de frustração que fosse causar a ela qualquer desconforto. Optou por ficar reclusa a maior parte do tempo e quase não aparecia mais para o povo. Quando Harry nasceu, ela percebeu que não trocaria aqueles pequenos olhos verdes por nada no mundo. A maternidade a deixou uma mulher mais focada na família e a afastou dos afazeres reais quase que por completo. Era extremamente dedicada a Harry e sentiu que nunca realmente soube o que era amor de verdade até olhar para aquela pequena criatura em seus braços. Quando Harry, com pouco mais de um mês de vida, começou a mostrar sinais claros de que estava adoecendo, Anne não poderia aceitar que algo de r**m acontecesse àquele menino. O bebê parecia a cada dia ficar mais longe dela, com febres constantes e uma clara dificuldade para respirar. A rainha perdeu o sono, perdeu a fome, perdeu qualquer apreço pela vida e nem mesmo seu marido foi capaz de impedi-la de buscar por um milagre, uma cura, em qualquer reino que tivesse que ir. Corriam boatos pelos Sete Reinos que havia uma feiticeira em Nortúmbria, um dos reinos mais afastados entre todos. Ela precisaria navegar por dias até chegar onde precisava e, ainda assim, não teria nada garantido que tudo aquilo funcionaria. Os povos não tinham uma boa impressão sobre magia e realmente achavam que era uma verdadeira afronta aos deuses. Mas Anne se cansou das promessas e oferendas a Apolo, pedindo a melhora de seu filho. O deus parecia não estar preocupado com aquilo. Muitos aconselharam Anne a não deixar Wessex, mas por seu filho, ela faria qualquer coisa que fosse preciso, mesmo que isso implicasse em morrer junto com ele tentando. — Sir Alastair! —  Anne dizia enquanto arrumava poucas coisas dentro do grande barco que partiria de Wessex para Nortúmbria. —  Preciso que pegue todos os suprimentos que preciso para Harry! —  Ela dizia segurando o filho nos braços. Harry agora passava quase todo o dia adormecido, sua febre estava sempre alta e nada fazia passar. — Anne, você vai acabar morrendo em alto mar! —  Desmond dizia com lágrimas nos olhos, suplicando. —  Você nunca navegou, não sabemos as condições, se haverão tempestades! — E o que você quer que eu faça, Desmond? —  Ela permanecia séria. Parte de sua beleza já havia se esvaído pelas constantes noites acordadas, os choros e a falta de alimentação. —  Que fique aqui assistindo meu filho morrer? — Não há nada a fazer! —  O homem dizia conformado, deixando as lágrimas escorrerem por seu rosto. — Fique. —  Ela dizia tocando o ombro do marido. —  Ao menos se algo r**m acontecer, Wessex não ficara à mercê de inimigos, você precisa dar continuidade à nossa família. —  Ela não sabia mais se sentir triste, era era toda vestida de força e determinação. —  Eu preciso fazer isso, preciso saber que tentei tudo que podia. —  Ela se afastou preparando-se para entrar no barco. — Ao menos leve uma tripulação completa! —  Desmond insistiu seguindo-a até o barco. — Não. —  Ela disse firme, aceitando a ajuda do chefe da guarda para subir até a proa do barco. —  Não vou arriscar a vida de ninguém desnecessariamente. — Eu te amo. —  Desmond disse aproximando-se dela e beijando-a demoradamente. —  Eu preciso que volte pra mim. — E eu gostaria de poder prometer-te isto, meu amor. —  Ela segurou as lágrimas tocando o rosto do marido. —  Mas eu preciso salvar Harry e nem mesmo Poseidon poderá me impedir. — Não desdenhe os deuses! —  Desmond advertiu. —  Não os desafie. — Pois eles não deveriam desafiar uma mãe desesperada. —  Ela disse segurando Harry mais firme nos braços, ajeitando o lençol branco que o enrolava, protegendo-o do vento. Desmond beijou a testa do filho, não conseguia sequer olhar para ele daquele jeito. Partia seu coração que seu pequeno estivesse claramente a cada dia deixando a vida se esvair, não lembrava-se mais de quando fora a última vez que vira os olhinhos verdes abertos. — Vamos. —  Anne ordenou assim que seu marido deixou o barco. Sir Alastair deu uma última olhada para a pequena multidão que acompanhava a partida da rainha em busca de salvar seu filho. A pequena embarcação passou a seguir em direção ao mar aberto, enquanto o rei e sua esposa apenas trocavam olhares de despedida e Desmond passou o resto do dia pedindo aos deuses do Olimpo que, por algum milagre, trouxessem sua família de volta sã e salva. x.x.x A viagem até Nortúmbria durou exatos três dias. Por sorte, era o número exato de dias que tinham água e comida a bordo. Assim que atracaram, homens com armaduras prateadas faziam a guarda do lugar e se aproximaram dos forasteiros que, assustados, tentaram demonstrar que não estavam ali com intenção de atacar. Anne andou na direção deles e muitos outros curiosos apareceram para ver do que aquilo se tratava. Nortúmbria era um reino sombrio, com nevoeiro constante e o céu cinza. As pessoas apreciam claramente um pouco estranhas, constantemente amedrontadas e, do meio do povo, cinco homens vestidos com capaz pretas cobrindo suas cabeças apareceram na beira da praia. — Sou a rainha Anne de Wessex. —  Ela disse ao se verem cercados de pessoas. —  Viemos em paz. —  Ela disse assim que o chefe da guarda aproximou-se para protegê-lo. — O que querem, forasteiros? —  Um dos homens de capa preta se aproximou aos poucos, retirando o capuz. A rainha notou que ele tinha unhas longas e sujas, num tom esverdeado, pareciam mãos de um monstro. — Meu filho... —  Ela disse e, aos poucos, tirou o lençol de Harry mostrando o bebê ao homem. —  Ele está muito doente. O homem se aproximou a fim de ver a criança melhor. Anne percebeu que aquele homem tinha a íris dos olhos vermelhas e, quando tocou a bochecha de Harry com aquelas mãos cadavéricas, o menino moveu-se de leve, fechando sua mãozinha ao redor do dedo daquele homem. Ele sorriu para a cena, revelando que seus dentes eram ainda piores do que suas unhas. Anne não queria julgar ou fazer perguntas, nada daquilo importava para ela. Ela apenas queria que Harry ficasse bem. — Está procurando Althea. —  O homem disse por fim, referindo-se à feiticeira. — Estou. —  Anne respondeu firme. Assim que o homem se afastou, ela voltou a cobrir Harry para protegê-lo. — Althea não faz nada de graça. —  O homem esclareceu com um sorriso de canto. — Eu pago a ela o ouro que for necessário! —  Anne esclareceu. —  Prata, qualquer metal que ela queira, jóias, pedras preciosas... Eu dou a ela o que ela quiser! — Não se trata disso. —  O homem esclareceu voltando a ficar perto dos outros que o acompanhavam. —  Aqui, rainha Anne, não estamos interessados nesse tipo de coisa. — E o que vocês querem? —  Ela perguntou sem realmente se importar com qual fosse o preço. — Pode falar com Althea se quiser, mas devo advertir que seus acordos não costumam ser justos. —  O homem disse voltando a colocar o capuz preto sobre a cabeça. — Não me importo! —  Anne realmente não estava preocupada com qualquer tipo de acordo. Aceitaria dar a própria vida se fosse o caso para salvar seu bebê. —  Me diga onde ela está! — Na terceira montanha ao norte. —  O homem respondeu. —  Se precisarem de cavalos, podem usar os da aldeia. —  O homem ofereceu e, imediatamente, um dos homens de armadura apareceu com dois cavalos vindos do meio da multidão e entregando a Alastair. — Muito obrigada. —  Ela agradeceu recebendo ajuda de Alastair para subir no animal. —  A ajuda de vocês será recompensada. —  Ela disse ajeitando Harry em seu colo e observando seu guarda fazer a frente do caminho. Os homens de capa preta se entreolharam sorrindo de canto enquanto os dois se afastavam, em busca da terceira montanha ao norte do reino. — A profecia está se cumprindo. —  O homem que parecia ser o chefe deles dizia aos outros. — Aquele bebê é o futuro rei? —  Outro homem perguntou curioso. — É ele mesmo. Em vinte anos, nossos filhos também estarão partindo para Wessex para cobrar a dívida de Althea. —  O chefe respondeu olhando a linha do horizonte no mar. — O que acha que ela vai fazer? —  Outro deles perguntou. — Saberemos em breve. —  O chefe respondeu. Todos voltaram pelo mesmo caminho que vieram, misturando-se à multidão e desaparecendo da vista de qualquer um em poucos segundos. Os guardas ficaram perto da areia como se quisessem proteger o barco da rainha e seu escudeiro. FIM DO FLASHBACK x.x.x Harry chegou a Kent, reino muito conhecido por ele, sem maiores problemas. A viagem havia sido longa e cansativa, mas a parte boa é que ao menos ele conseguia ter qualquer desculpa possível para ficar longe de Taylor. Assim que adentraram os portões que protegiam o reino de Liam, que era praticamente como seu irmão, ele fora extremamente bem recebido pelos guardas e por alguns aldeões que o seguiram em procissão até o castelo. As escadarias da corte estavam cobertas de flores, tapetes vermelhos e vários adereços que lembravam não uma coroação, mas um casamento. Harry desceu do cavalo e franziu o cenho olhando para tudo aquilo. Seus guardas pareciam igualmente um pouco confusos, mas ele nada comentou. Limpou a roupa de leve pela poeira da estrada e sua capa vermelha arrastava no chão no momento em que ele andou para abrir a porta da carruagem a fim de ajudar Taylor a descer. A moça estava bem vestida e arrumada e desceu graciosamente pelos degraus segurando uma das mãos do rei. Assim que ela se deu conta da situação, teve a mesma impressão sobre aquilo não parecer uma coroação. — Príncipe Liam irá se casar? —  Ela perguntou andando de braços dados com Harry pelas escadas de pedra até a entrada do castelo. —  Eu não trouxe vestidos de festa! — Eu realmente estou me perguntando a mesma coisa. —  Harry disse olhando à sua volta com mais cuidado. —  Onde está a corte de Essex? —  Automaticamente Harry procurou por Zayn, pois seria a única coisa aceitável que ele imaginava naquele momento: pra ele sempre foi óbvio que Liam era completamente apaixonado por Zayn Malik. Os dois entraram no castelo, que mantinha as grandes portas abertas para receber os convidados. Dentro do salão do trono, Harry e Taylor realmente não tiveram mais dúvidas: aquilo era um casamento. Havia uma pequena orquestra, bancos e um altar montado com discípulas de Ártemis jogando algumas pétalas de flores púrpura no chão. Harry reconheceu no altar a escultura da deusa com um arco e flecha e pensou que agora, de fato, as coisas estavam realmente confusas. — Boa tarde, Majestade. —  Uma das amas do castelo recepcionou Harry e Taylor, curvando-se ao vê-los entrar pelo pequeno corredor que era caminho até o altar. —  Sejam bem-vindos à Kent. — Agradeço, senhorita. —  Harry disse ligeiramente distraído. —  Importa-se de me dizer o que está acontecendo aqui? — O príncipe Liam irá se casar. —  A mulher disse forçando um sorriso. — O que? —  Taylor arregalou os olhos. — Com quem? —  Harry tentou manter a postura, mas estava igualmente curioso. — Com a senhorita Sophia Smith, filha do arqueiro da corte. —  A moça respondeu tentando não demonstrar o quanto sabia que aquilo era chocante. — Liam vai se casar com uma plebéia? —  Harry perguntou e viu a mulher apenas confirmar com a cabeça. —  Onde ele está? Eu gostaria de lhe falar. — Ele está em seus aposentos com, vossa Majestade, o rei de Essex. —  Ela respondeu insegura, não sabendo se deveria dizer aquilo ou não. Harry arregalou os olhos. —  Ele pediu pra não ser incomodado. — Desculpe-me pela petulância, senhorita, mas eu vou insistir que avise a ele que estou aqui e preciso lhe falar! —  Harry disse com mais afinco e com certa autoridade. — Sim, Majestade. —  Ela disse voltando a se curvar rapidamente e seguindo a passos largos até o quarto de Liam. Ele encarou Taylor por alguns segundos percebendo que a moça também estava bastante surpresa com tudo aquilo. Ele não sabia o que pensar, talvez que Liam havia enlouquecido por alguma razão, mas Harry sentia que precisava impedir Liam de fazer algo como aquilo. Já que não poderia salvar a si mesmo, ao menos impediria seu melhor amigo de fazer algo de que se arrependeria para sempre. — Taylor, procure um lugar para se sentar, sim? —  Ele disse olhando ao redor, não sabia muito bem onde pedir que ela fosse. Arrependia-se de não ter trazido Gemma para distrair Taylor, mas sua irmã ainda não estava totalmente recuperada do "acidente" no mar. — Tudo bem. —  Ela assentiu e andou ficando perto de algumas empregadas que, prontamente, já passaram a dar atenção à moça. Harry aguardava perto do corredor, apreensivo, não sabia exatamente o que pensar, achou que aquilo tudo deveria ser um grande engano, por que Liam faria uma coisa daquelas? Tinha um péssimo pressentimento sobre tudo. Olhou ao redor procurando Zayn, mas sequer viu alguém se sua própria corte ali. Nem Niall havia chegado e as pessoas continuavam trazendo flores e enfeites para o tal casamento. De longe, viu a figura determinada de Liam andando na direção dele. A coroa reluzente e a capa púrpura por cima de sua armadura de guerra davam um ar extremamente galante ao futuro rei. Ele tinha seu cetro em uma das mãos e, mesmo estando estonteantemente bonito, sua expressão de poucos amigos mostrava o quão contrariado ele se sentia. Ele sabia que tinha muitas explicações a dar a seu amigo, mas não queria repetir o mesmo discurso que fez a Zayn. — O que pensa que está fazendo? —  Foi a primeira coisa que Harry disse assim que Liam parou de frente pra ele. — Harry, desculpe não falar sobre isso com você, isso acabou de acontecer. —  Liam tentou explicar e, conforme ele falava, Harry ia percebendo que aquilo não era mesmo um engano. — Você ama o Zayn! —  Harry praticamente cuspiu as palavras devido à obviedade. — Eu sei. —  Liam respondeu calmo e Harry estava até surpreso que, pela primeira vez, Payne estava de fato admitindo aquilo. —  Eu o amo muito. — E por que vai se casar com essa moça? —  Harry perguntou entendendo tudo menos ainda. — Porque eu preciso, Harry! —  Payne não achou que fosse encontrar algum tipo de apoio em Harry, mas ao menos o mínimo de empatia. — Você está cometendo um grande erro. —  Harry disse ficando mais calmo. — Ah é? —  Liam disse cruzando os braços e ficando mais sério. De longe, viu a figura loira sendo paparicada e atendida por algumas servas do castelo. —  Onde está o ferreiro? Harry engoliu a seco ao ouvir aquilo. Passou uma das mãos pelo rosto e percebeu que não tinha mesmo uma boa resposta. Seus olhos verdes encontraram-se com os de Liam e os dois realmente pareciam extremamente infelizes com a situação um do outro. A única coisa que ele queria ali ao seu lado era o fato de poder apresentar Louis para todos como seu futuro marido e rei, mas tudo que ele tinha era uma completa desconhecida que não conseguia sequer olhar nos olhos. — É por isso mesmo que estou dizendo que isso é um grande erro. —  Harry insistiu, ficando mais calmo. —  Eu sei como se sente, estamos no mesmo barco, Liam. — Se estamos no mesmo barco, você é quem deveria entender que tem coisas que não queremos, mas temos que fazer. —  Liam disse ajeitando a coroa pesada em sua cabeça. —  Mas seria muito mais fácil fazer isso se meu melhor amigo estivesse ao meu lado. — Você sabe que vou estar. —  Harry disse tocando o ombro de Payne. —  Sempre vou estar. — Então, Harry, por favor... Apenas me dê a chance de ser rei e tentar resolver essa situação após minha coroação. — Tudo bem. —  Apesar de contrariado, Harry concordou. Andou junto com Liam para perto do altar e o príncipe acenou dizendo que a entrada dos outros convidados estaria liberada, bem como a de seu povo, que tomaria o lugar por completo para assistir a cerimônia e, então logo em seguida, sua coroação. Harry buscou Taylor para que se sentasse perto dele em lugares de honra perto do altar e praticamente de frente para onde Liam estava, e o casal ficou ali junto de alguns guardas de Harry e outros presentes. — Ninguém me disse sobre casamento nenhum. —  Niall Horan, acompanhado de Josh e mais dois soldados, atravessava o pequeno corredor até o altar chamando a atenção de todos ali. Ele abriu os braços gesticulando como se esperasse algum tipo de explicação. —  Acho que você deveria ter mencionado esse detalhe no convite, Payne. —  O loiro continuou andando na direção de Liam, deixando para trás o rastro do som pesado de suas botas. Sua capa verde escura voava atrás dele já que ele andava depressa e o som metálico de sua armadura tomava conta do ambiente que ficou silencioso quando ele entrou. — Seja bem-vindo, Niall. —  Liam disse assim que o loiro ficou de frente pra ele. — O que está fazendo, Payne? —  Niall perguntou, ao perceber a feição preocupada de Harry sentado e a de Liam, que m*l conseguia esconder a tristeza por trás daquele sorriso falso. — Me casando. —  Liam respondeu o óbvio, dando de ombros. —  Desculpe não avisar, foi de última hora. — Eu não trouxe minha corte. —  Niall disse despreocupado olhando para suas roupas. —  E nem estou devidamente vestido. — E quando é que você está, Nialler? —  A voz de Zayn Malik se fez presente quando ele saiu de um dos corredores atraindo os olhares de todos para si. —  Você está constantemente vestido para guerra. —  Malik brincou e então todos perceberam que Zayn estava com sua armadura dourada, feita de cobre e ouro, mas com uma capa n***a, pesada e que praticamente cobria-o por completo. Liam baixou os olhos ao ver aquilo, Harry achou justo e Niall quase riu. A capa preta era usada pelos reis apenas em funerais. — Ainda assim acho que estou mais apropriado do que você. —  Niall respondeu cumprimentando o amigo. —  Quem estamos enterrando, Zayn? — A dignidade do Liam. —  Zayn disse triste, sem encarar o príncipe. — Zayn, por favor, troque a capa. —  Liam pediu pacientemente. — Vai me colocar aí no altar no lugar da sua esposa? —  Malik provocou e Liam ficou em silêncio. —  Então a capa fica. Niall segurou o riso olhando para Harry, pensando que Zayn estava mesmo se comportando como uma verdadeira dama traída. Os convidados todos olhavam para a capa de Zayn que sentou-se majestoso ao lado do rei de Wessex, como se tentasse deixar claro que nada o abalava, mesmo que estivesse morrendo de raiva por dentro. — Liam... —  Niall insistiu ficando aos poucos mais sério. —  Que circo é esse? — Eu preciso fazer isso, é a lei. —  Liam disse conformado, Harry franziu o cenho ao ouvir aquilo. — Espera aí, achei que você quisesse se casar porque fosse uma condição da sua moral deturpada, Liam. —  Harry levantou-se dizendo com firmeza, ficando de frente para Payne e ao lado de Niall. — Não... —  Payne explicou respirando fundo. —  Meu pai fez um decreto dizendo que, para eu ser rei, preciso estar casado com uma mulher virgem de Kent. —  Só de dizer aquelas palavras novamente, Liam já sentia-se triste. —  Seu pai ajudou o meu com esse decreto. — Sim. —  Harry disse cruzando os braços, procurando o chefe do conselho de Liam, que estava mais afastado do altar. —  Eu sei dessa lei, eu a conheço muito bem. Styles sorriu de canto assim que seus olhos encontraram os de Charles, chefe do conselho de Kent. Harry respirou fundo e andou até onde o homem estava, sendo seguido por todos os olhos presentes. — Eu fui coroado aos quinze anos. —  Harry começou dizendo, falando com Charles, como se o achasse o ser mais desprezível do mundo. —  Porque meu pai morreu em batalha. — Sim, Harry, todos sabemos. —  Liam disse sem entender o que aquilo significava. — Este homem... —  Harry olhou para Liam mas apontando para Charles. —  Disse a você sobre a lei de coroação que nossos pais criaram? E por isso você só seria coroado se estivesse se casando? —  Harry perguntou realmente achando que aquilo era brincadeira. — É o que o decreto diz, Harry! —  Liam dizia como se fosse óbvio. — Liam... —  Harry voltou a andar na direção do amigo. —  Esse decreto foi feito apenas para quando você fosse mais velho! —  Harry esclareceu. —  Existe uma cláusula nele dizendo que você só  precisa se casar se precisar ser coroado depois dos 21 anos. —  Harry agora voltou-se para Charles. —  Você esqueceu de dizer isso a ele, senhor? Liam estava boquiaberto, seus olhos grandes e expressivos estavam atônitos. Ele andou na direção de Charles, ficando junto de Harry, m*l conseguindo acreditar. O homem tentava buscar em sua mente algo para dizer, algo que justificasse aquilo, mas não conseguia pensar em nada. — Isso é verdade, Charles? —  Liam perguntou m*l acreditando que tinha sido enganado daquele jeito. —  Responda! — Sim, Majestade, é verdade. —  Charles respondeu com medo. Os outros homens do conselho que estavam por perto, demonstraram o mesmo medo e desconforto. — Eu tenho 20 anos, Charles. —  Liam disse num sussurro, um misto de alívio e ao mesmo tempo de revolta. —  Eu não preciso me casar pra ser coroado. — Do mesmo jeito que eu não precisei. —  Harry esclareceu, sentindo o mesmo alívio pelo amigo. —  Eu tinha 15 anos quando fui coroado, não tinha obrigações de me casar, tenho apenas agora. —  Styles dizia e Liam não conseguia olhar para outra pessoa que não fosse Charles, estava se sentindo traído, enganado. — Então o casamento está cancelado? —  Niall perguntou quebrando a tensão, pois seu tom de voz foi um tanto divertido. —  Ótimo, porque eu não trouxe presente mesmo. — Não. —  Liam respondeu mesmo que alguns convidados tivessem começado a rir do jeito de Niall. —  O casamento não está cancelado. Zayn levantou-se de onde estava e foi ao encontro de Liam, puxando-o pelo braço, estava absolutamente revoltado com o que tinha acabado de ouvir. — Como assim não está cancelado? —  Malik perguntou tentando falar baixo. —  Como tem coragem de fazer isso comigo? Eu vou embora, Liam! Eu estou cansado dessa situação. Malik girou os calcanhares e passou a andar pelo corredor determinado a ir embora. Segurou as lágrimas de frustração, tristeza e uma raiva profunda, mas estava decidido a voltar atrás. — Zayn! —  Liam gritou para o outro que sentiu-se quase preso ao ouvir a voz dele. —  Eu preciso que fique. —  Liam concluiu andando na direção dele devagar, mas Zayn apenas virou-se pronto para sacar sua espada e, finalmente, ir às vias de fato com Payne. —  Com quem vou me casar se você não estiver aqui? Liam concluiu com um sorriso e toda a multidão fez um coro de "oh!" assim que o príncipe concluiu a frase. Zayn paralisou, não sabia mais nem que músculos usar para respirar. Olhava nos olhos de Liam e m*l podia acreditar no que tinha acabado de ouvir. Harry abriu um de seus melhores sorrisos e Niall igualmente não parecia tão surpreso com aquilo. Zayn, devagar, deu alguns passos cuidadosos na direção de Liam. Ainda estava perplexo, mas Payne, além de decidido, sentia como se um peso estivesse sido tirado de seus ombros. Ele observou Zayn se aproximar dele e o silêncio era tão completo que até mesmo podia-se ouvir os passos do rei de Essex conforme ele avançava no corredor. — O que é que você disse? —  Zayn perguntou inseguro e Liam apenas sorriu de vê-lo assustado daquele jeito. Devagar, Liam ajoelhou-se na frente de Zayn acompanhado de mais um suspiro surpreso da multidão ao redor. Dessa vez, seguido de alguns cochichos e queixos caídos. Niall segurou uma gargalhada e Harry m*l conseguia acreditar que seu amigo, de fato, estava fazendo aquilo. — Sua Majestade Real, o rei Zayn Malik... —  Liam começou a dizer estendendo a mão em direção ao outro, que estava completamente perplexo. —  Rei de Essex, o Dourado, o Sol e adorador de Dionísio, rei dos parreirais e dos descampados do leste... Aceita se casar com este humilde príncipe? Apesar do silêncio da multidão não ser completo, ainda era possível perceber que muitos se recusaram a falar. O medo nos olhos dos membros do conselho se intensificou ainda mais naquele momento, todos olhavam a cena sem saber se deveriam interromper ou não. — Você está falando sério? —  Zayn perguntou sussurrando na esperança de que somente Liam ouvisse, e o príncipe assinalou com a cabeça que sim, que estava falando sério. —  Ahn... —  Zayn achou mesmo que só podia estar sonhando. —  É claro, Liam! A comemoração da multidão foi entre palmas e algumas gargalhadas. Outros pareciam não acreditar e não entender o que tinha acabado de acontecer. Liam sorriu levantando-se e beijando Zayn na frente de todos, como se realmente tivesse por fim percebido que a única coisa que importava para ele era estar perto de quem ele amava, independente da aprovação alheia. Niall sorriu ao ver a cena e, de longe, viu que Josh não tirava os olhos dele. Apesar de feliz, Harry sentiu um aperto em seu coração pois aquilo era exatamente o que ele gostaria de estar fazendo com Louis. Fechou os olhos como se buscasse um sinal divino de que não precisava cumprir a promessa de sua mãe, pois ele sentiu uma ponta de inveja de Liam, ao ver o melhor amigo feliz trocando beijos com o homem que amava, o pedindo em casamento na frente de todos. Harry respirou fundo e teve certeza naquele momento que Taylor o faria infeliz pelo resto de sua vida.
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