Meu coração não estava aguentando de felicidade por ver meus irmãos ali brincando. Eu estava chorando de alegria, de emoção e até de tristeza por não ter convivido com eles esses anos todos. Mas Deus sabe que minha vontade foi sempre está perto deles.
- Anastásia não. Christian para na minha frente me segurando. Limpo minhas lágrimas grosseiramente. Olho para ele sem entender.
- Me deixa, eu quero abraçá-los. Quero dizer que eu nunca os abandonei e que os amo. Peço ainda com lágrimas escorrendo meu rosto. Ele limpa às mesmas delicadamente.
- Eu sei, mas você assim irá assustá-los e também à babá deles está bem ali. Ele aponta para uma mulher de idade mediana. Vamos sentar e você se acalma. Fico olhando para meus amores que correm um atrás do outro. Eles estão tão crescidos, tão fofos. Rose então, parece uma boneca. Linda. Anastásia? Christian me tira dos meus pensamentos. Vejo à babá deles chamarem os mesmos. Eles vão até ela sorrindo. Cada um segura de um lado das mão dela.
- Eles estão indo embora. Digo desesperada indo para eles. Christian mais uma vez me trava.
- Calma que eu sei onde eles moram. Você precisa se acalmar para poder vê-los. Fico olhando para eles saindo do parque. Meu coração dói mais por não ter dado um abraço neles. Olha para mim. Christian pede e eu o olho. Você vai vê-los, mas precisa se acalmar.
- Você tem ideia de quanto tempo eu estou esperando por esse momento? Tem ideia da dor que tenho em meu peito por ter sido afastada deles? Indago chorando. Ele me abraça.
- Eu sei. Lamento por tudo que você passou. Você não merecia isso. Mas antes de você vê-los, de se aproximar deles, você precisa se acalmar. Somente assinto. Vem, vamos alguma cafeteria para você se acalmar e beber uma água. Você está muito nervosa. Somente assinto. Eu realmente não estava bem para chegar perto deles. Eles são tão lindos.
Chegamos na cafeteria e eu me sentei junto com Christian. Eu estava pensativa demais. E agora me veio à falar de Brianna. Eu deveria ter procurado por eles. Eles estavam tão perto. Mas eu me esconde nessas roupas e no convento e não pensei que iria vê-los nunca mais, mesmo com esperança que isso poderia acontecer, eu me amedrontei diante da possibilidade. Eu me fechei para o mundo e hoje eles estão grandes. Acredito que nem saibam que eu existo, pois Tia Elena deve ter criado eles sem contar que os mesmos tem uma irmã mais velha.
- O que tanto você pensa? Christian indaga tocando na minha mão. Respiro fundo.
- Como você os achou? Questiono sem revelar meus pensamentos. Como você sabia?
- Eu pesquisei à sua vida. Queria entender o motivo de você ser Freira. Eu sabia que tinha algo mais na sua vida e nesse olhar triste. Respiro fundo e cruzo meus braços. Anastásia, minha tia Gail doou à vida dela para à vida religiosa, isso aconteceu quando eu tinha dois anos, mas ela foi pela fé. Sempre foi religiosa. No seu dossiê não constava que você fazia parte de alguma religião ou doutrina, então eu concluir que você sofrerá algo para poder entrar de cabeça nisso. Foi fácil quando mandei pesquisar mais à fundo à sua vida. Vi que você tem dois irmãos menores, vi que sua tia pegou à guarda deles após à morte da sua mãe, mas não quis ficar com você. Isso não sei por qual motivo.
- Ela não gosta de mim. Nunca gostou. E eu nem sei o motivo. Digo triste e deixando as lágrimas virem de novo à tona.
- Eu sinto muito. Mas o fato é que ela tem criado seus irmãos como filhos. Nada falta para eles. Os mesmos chamam ela de mãe.
- Pelo menos ela não pegou eles para fazer nenhuma maldade. Meu medo era que ela tivesse se aproveitando da herança deixada para eles.
- Herança? Ele indaga confuso.
- Sim. À Herança que o pai deles deixou para eles.
- O pai deles não é Ray Raymond Steele? Assinto. Mas porque ele deixaria uma herança para eles se está vivo? E o que menos entende é, porque sua tia ficou com à guarda dos meninos sendo que o pai está vivo. Fico sem entender o que ele diz.
- Como assim vivo? Ray morreu no acidente junto com à minha mãe. Afirmo, porque eu fui no enterro dos dois.
- Ray Steele não está morto Anastásia. Franzo à testa. Ele está casado com sua tia Elena à mais de três anos. Balanço à cabeça em negação.
- Não pode ser. Eu vi ele sendo enterrado.
- Você viu um caixão ser enterrado, mas não viu o corpo. Fico mais confusa ainda.
- Você está falando sério? Eu não posso acreditar.
- Sim, estou falando sério. Ray Steele casou com sua tia Elena um ano e meio depois da morte da sua mãe. Eles criam seus irmãos como uma família feliz.
- E eu não fazia parte dessa família. Eu não merecia conviver com meus irmãos. Não merecia conviver com eles. Afirmo triste por ver que minha vida foi um nada. Ray dizia ser meu pai. Dizia me amar como uma filha mais velha e o que ele fez na primeira oportunidade? Me descartou como um lixo. Forjou à própria morte. Isso me dói, me dói muito. Meu choro aumenta. Christian se levanta e vem para meu lado e me abraça.
- Eu lamento Lyubimaya. Eu daria minha fortuna para não vê-la tão destruída, tão triste. Ele me entrega um lenço. Não fica assim.
- Eu quero ir embora. Falo limpando minhas lágrimas. Eu não aguento ficar nem mais um minuto aqui sabendo que minha tia e o cara que eu achava que me amava como filha foi capaz de fazer comigo. Me levanto.
- Tudo bem. Vamos embora. Para minha casa. Balanço à cabeça em negação. Lyubimaya eu sou incapaz de te deixar sozinha.
- Mas eu quero ficar sozinha. Não sou à melhor pessoa para conversar. Te agradeço por tudo, te agradeço por me dar à oportunidade de ver meus irmãos de novo. Deus sabe o quanto sonhei com esse momento, mas ao invés de está feliz e com eles nos meus braços, eu estou devastada, triste. Se antes eu me sentia desamparada, agora eu me sinto pior. Só me deixa no orfanato. Só te peço isso.
- Eu vou fazer o que me pede. Com muito esforço, eu vou te deixar lá. Mas eu quero que você me ligue se não se sentir bem. Não importa que horas for. Eu quero poder cuidar de você. Sorrio fraco.
- Vamos embora. Ele assentiu e eu fui andando na frente dele.
Fomos embora em silêncio. Christian foi acariciando minha mão o tempo todo. Ele estava sendo muito gentil. Muito legal. Eu não tinha como agradecer pelo que ele fez por mim, porém neste momento eu só queria me afundar em meu quarto e esquecer que eu vivi tudo que vivi por duas pessoas horríveis. Se à Juíza não tivesse me mandado para o convento, eu teria ido para um lar adotivo e sabe lá o que iria acontecer comigo. Ray não pensou em nenhum momento em mim. Mas o que eu estava esperando? Elena que é Elena, sangue do meu sangue, minha tia, irmã da minha mãe, não quis ficar comigo. Me desprezou. Eu não podia esperar muito de Ray, porque ele não era nada meu. Somente o homem que casou com à minha mãe quando eu tinha treze anos. O homem que me deu um carinho de pai fingido. Um carinho somente para agradar à minha mãe. Eu não acredito nisso. Uma farsa, uma vida de farsa.
- Lyubimaya não chora. Christian fala desesperado pelo meu choro angustiante.
- Me perdoa. Digo e ele me puxa para seus braços.
- Não tenho o que perdoar. Eu que te peço desculpa por ter falado isso para você assim. Deveria saber que você estava frágil demais. Deveria saber que alguma coisa estava faltando no meu relatório. Para mim você sabia de Ray.
- Você não tem culpa. Eu só preciso de um tempo.
- Eu sei que sim. Ele me abraça mais apertado. E neste momento eu não me importo com seus braços ao meu redor. Me sinto segura com ele, e isso é estranho, mas um estranho bom.
Chegamos no orfanato e eu sair do carro assim que Christian abriu à porta para mim. Ele me olhou sério. Alisou meu rosto. Fecho os olhos e lágrimas insistem em escorrer pelos meus olhos.
- Espero que você melhore Lyubimaya. Eu não quero continuar vendo esse olhos tristes. Como disse, eu estou aqui para o que precisar. Não exite em me ligar. Assinto limpando meus olhos.
- Obrigada! Deixa eu entrar. Falei indo para dentro. Abrir o portão e olhei para trás e ainda vi ele parado perto do seu carro. Dou tchau e entro fechando o portão.
Entro e dou graças à Deus por não ter ninguém na sala. Subo para meu quarto e choro mais. Eu acreditava mesmo na vida que tinha. Acreditei em cada palavra de Ray. Me sentia em paz e segura por ele ter me amparado e também ter dado uma vida para minha mãe. Mas assim como eu, ela morreu enganada. Morreu achando que o homem que ela amava seria mesmo uma pessoa de bem.
Vou para o banheiro e tiro meu hábito. Me enfio debaixo do chuveiro, deixando à água levar toda essa angústia e tristeza. Será que eu merecia isso? Será que eu não merecia nem um pouco de carinho e solidariedade por parte dele e da minha tia? Eu havia perdido à única pessoa que me amava. Eles poderia ter me deixado viver ao lado deles, ou eu seria um fardo?
Assim que sair do banho, eu me deitei para dormir. Eu só queria esquecer esse dia. Queria apagar da minha vida que eu fui rejeitada por quem deveria me dar amor, carinho. Eu queria apagar da minha vida essa tristeza. Queria nunca mais sentir o que estou sentindo agora. Meu coração está pesado de tristeza, de angústia. Se antes eu estava com uma dor por não ter os meus irmãos perto de mim, por perder à minha mãe e também perder quem eu considerava meu pai, hoje me vejo em uma imensidão de tristeza.