Já estava trancado no quarto fazia uns três dias. Eu não chorava mais. Eu só não queria ter que encarar que nada da minha vida era verdade. Porém eu sabia que tinha que tomar uma decisão para minha vida. Sabia que tinha que buscar à verdade da boca de Ray. Porque uma coisa me intrigou no meio dessa história. Como Ray se salvou de um acidente de carro? Minha mãe não teve chance. Ray também não teria diante do acidente feio que foi. O carro estava capotado e amassado. Disseram que ambos estavam presos na ferragens do carro. Não havia possibilidade de nenhum deles escaparem. E agora como Ray escapou? À menos que...
- Não... Não pode ser... Digo me levantando e começando à andar de um lado ao outro no carro. Meus olhos novamente ficam banhados de lágrimas. Ray não pode ter feito isso com à minha mãe. Eles se amavam, pelo menos ela o amava muito. Eu via à felicidade no rosto de ambos. Mas então o porquê Ray está vivo? Como ele conseguiu escapar? Ele não pode ter feito essa maldade com minha mãe. Não pode ter me tirado à única pessoa que eu tinha na minha vida. Ouço uma batida na porta. Limpo minhas lágrimas antes de abrir.
- Você poderia ir ao jardim, pelo menos para sair dessa quarto Irmã. À madre superiora fala e eu me sento.
- Eu não estou com ânimo Madre. Suspiro. Ela sabe o que aconteceu comigo. Sabe que eu vi meus irmãos e que meu padrasto, o homem que eu achava que me amava, que amava minha mãe, está vivo.
- Christian esteve aqui de novo. Ele queria subir, mas eu disse que era contra às regras e que eu daria o recado para você ligar para ele.
- Eu ainda não estou pronta para falar com ele. Na verdade, antes de falar com ele eu preciso falar com alguém.
- Eu entendo. Porém tem três dias que você não come, não sai desse quarto. Precisa reagir. Assinto deixando as lágrimas saírem.
- Eu sei, e vou reagir. Limpo às mesmas. Ela se senta do meu lado e pega na minha mão.
- Eu não posso fazer muito por você. Queria muito não ver você tão triste e abalada desse jeito.
- À Sra já fez muito por mim. Não é atoa que estou aqui. Se não fosse pela Sra, essa hora eu poderia está pior, poderia ter sido adotada por pessoas infelizes. Poderia ter saído do orfanato sem rumo. Mas não. À Sra me ajudou. Me deu um lar, pessoas para compartilhar o meu sorriso.
- Mas não fui capaz de te trazer à verdadeira felicidade.
- Isso não cabia à Sra. Cabia e cabe à mim. E eu prometo à Sra que assim que eu resolver o que tenho para resolver, eu serei feliz. Eu mudarei meu coração triste e infeliz.
- O que você pensa em fazer? Olho para ela.
- Preciso falar com Ray. Ele precisa me explicar o que houve. Não faz sentido ele não está morto. Ele saiu no dia com à minha mãe. Alguma coisa está errado nisso.
- Eu posso ir com você.
- Obrigada Madre, mas eu prefiro ir sozinha. Isso somente eu tenho que resolver. Eu preciso entender essa parte da minha vida. Eu preciso encerrar esse capítulo da minha vida. Digo e ela me abraça.
- Tudo bem. Eu entendo, mas se precisar de mim, eu estarei aqui. Ela me abraça apertado e depois se levanta. Limpe esses olhos. Eles são tão lindos e não merecem essa tristeza toda. Você não merece essa tristeza.
- Pena que nem todas as pessoas à minha volta pensam desse jeito. Minha tia Elena e agora meu padrasto não pensam assim e nem ligam para mim e meu bem estar. Digo deixando às lágrimas.
- Eles não merecem suas lágrimas filha. Não chore por eles. Dê à volta por cima e viva. Porque você não tem feito isso desde o dia que entrou aqui. Você não foi feliz em nenhum só momento. Você pode achar que estava feliz aqui, mas seu coração sabe que não. Você sabe que nunca foi feliz, nem mesmo com à escolha de ser freira que você fez para sua vida. Portanto, vire à página. Mostre para Ray e essa sua tia que para mim foi r**m desde o começo para você, porque não se preocupou com seu bem estar psicológico e físico. Ela deveria ter te amparado junto com seus irmãos, mas não o fez e agora está vivendo à vida da sua mãe como se nada tivesse acontecido. Ela tem os filhos e o marido da sua mãe, porém resta saber por que. Resta saber porque seu padrasto fez isso.
- Eu vou tirar essa história à limpo.
- Isso mesmo. E depois viva. Promete para mim que vai viver à sua vida. Vai se libertar de tudo que te faz m*l e vai viver. Ser feliz.
- Eu prometo. Ela sorrir para mim e eu limpo minhas lágrimas.
- Eu nunca vou te desamparar Ana. Olho para ela, pois à mesma não me chamou de irmã. Você é especial para mim e nada vai mudar. Suspiro. Agora levante e vai resolver sua vida. Não quero mais que você passe nem mais um dia aqui triste e desolada. E me prometa que o que for que você ouvir daquele ser, que você vai ficar triste sim, mas não vai se deixar abater mais. Não vai se jogar para baixo. Quero te ver bem.
- Eu prometo Madre. Eu serei forte para dar à volta por cima e seguir em frente. Ela assentiu.
- Ótimo, te vejo mais tarde. Ela fala dando um beijo na minha testa e saindo do meu quarto. Me olhei no espelho. Eu estava pior do que antes. Meu rosto estava horroroso. Suspiro pesado.
Vou para o banheiro e tomo um banho. Lavo meus longos cabelos. Eu precisava cortar os mesmos. Mas isso seria depois, porque eu queria realmente entender essa parte da minha vida. Coloquei meu hábito depois que passei um creme hidratante no corpo. Me olhei novamente no espelho e nada mudou. Meu rosto continua com à dor de sempre. Meus olhos continuam com à tristeza de antes. Eu tenho medo. Medo que nada mude. Tenho medo que Ray fale o pior dessa situação. Respiro novamente fundo, e depois me ajoelhei no altar que tem no meu quarto.
- Deus me ajude! Eu preciso realmente de te nesse momento. Preciso de sabedoria e cura para minha alma que pode ficar pior com que eu vou descobrir. Me ajude à encarar essa situação com firmeza. E que em cada momento o Sr esteja comigo. Te agradeço por tudo que o Sr vem colocando na minha vida. Faço o sinal da Cruz. Me levanto e depois saio do meu quarto.
Peguei um ônibus até o centro de Londres e de lá peguei outro. Sei que vai demorar muito para eu chegar na cidade vizinha, mas eu preciso saber o que realmente houve com minha mãe. O que houve para Ray ter sobrevivido. E como ele conseguiu sair do carro. Isso estava firme na minha mente. Eu não iria ficar bem se não descobrisse à verdade de tudo.
Eu cheguei na pracinha na hora que à babá estava lá com meus irmãos. Eles estão lindos. Rose tem o sorriso da minha mãe. Limpo meus olhos que insistem em sair lágrimas. Me aproximo mais deles e me sento do lado da babá que olha eles atentamente.
- Que crianças lindas! São seus filhos? Indago somente para puxar uma conversa.
- Não. Eu cuido deles. Assinto olhando Adrian brincando com à irmã tão carinhosamente.
- Eles são lindos!
- São mesmo. E os dois são um amor.
- Imagino que sejam mesmo. Limpo uma lágrima.
- Mais não é para menos, os pais são super amorosos. Eu trabalho com eles desde que à menina tinha sete meses e nunca vi discussão entre eles. Nunca vi eles brigando, e nem na frente das crianças.
- Então são ótimos pais. Afirmo pelo jeito que ela fala.
- Sim. São ótimos pais. Eles não deixam nada faltar aos filhos. Eles os amam muito. Assim como minha mãe me amava e fazia de tudo por mim. Ela olha no relógio. Eu tenho que ir. Adrian, Rose. Vamos embora queridos. Papai já deve está chegando. À babá grita e vejo os meus amores correndo. Sinto tanta falta deles. Será que Adrian lembra de mim? Será que ele ainda chama por mim quando está com medo de dormir sozinho? Será que ele lembra o quanto corríamos no jardim da nossa antiga casa? Limpo minhas lágrimas e vejo eles partirem, porém agora era hora de saber onde eles moravam. Sei que poderia ter pedido à Christian o endereço, mas eu precisava vir sozinha, precisava encarar isso sozinha essa parte da minha vida, e se eu tivesse falado com ele tenho certeza que não me deixaria vir sozinha.
Seguir à babá com meus irmãos até à uma casa enorme. Uma mansão parecendo com à casa que eu morava quando achava que tinha uma família. Quando achava que tinha um pai, e não um homem que me fez de trouxa, agiu pelas minhas costas. Espero um pouco à babá entrar com os meninos. Vejo um carro chegar. Olho para dentro do mesmo e vejo Ray. Como pode está com à consciência tranquila diante de tudo que ele fez e aconteceu? O portão já iria fechar, mas eu entrei. Um segurança veio me parar.
- Me larga. Eu quero falar com Ray Steele. Ele me olha de cima em baixo.
- Desculpe irmã, mas não posso deixar à Sra entrar.
- Já disse, eu vir falar com Ray. Peça à ele para vir aqui. Diga ao mesmo que Anastásia Steele quer falar com ele. Ele franze à testa.
- Fique aqui. Assinto e ele fala com alguém no rádio. Demorou um pouco e ele volta. Pode ir. Ele vai te receber. Assinto e vou indo parar à entrada da casa. Olho para todos os lado e vejo um jardim enorme. Vejo à babá correndo com eles no jardim. Assim que chego na porta Ray já está me esperando com à porta aberta. Ele franze à testa. Talvez por me ver vestida de Freira, pois ele me olha de baixo em cima.
- Entre. Ele fala e eu entro olhando tudo à minha volta. Ele me encaminha para à sala. Olho para ele e o mesmo parece desconfortável com à minha presença. Ficamos em silêncio por algum tempo. Somente encarando um ao outro. Como você me achou aqui? Sorrio fraco.
- Achou que ficaria escondido para sempre? Achou que o assassinato da minha mãe ficaria impune para sempre?
- Não, pelo amor de Deus! Você acha que eu matei à sua mãe? Ele pede indignado.
- Eu não vejo outra explicação para você está vivo e ela está morta. Vocês dois saíram de casa naquele dia. Saíram juntos e agora eu descubro que só enterrei minha mãe e um caixão vazio. Porque Ray? Me explica.
- Não é o que você está pensando. Nunca faria m*l à sua mãe ou qualquer pessoa. Sorrio fraco.
- Muita hipocrisia. Porque à mim você fez m*l. À mim você abandonou na primeira oportunidade.
- Eu não te abandonei. Nunca faria isso.
- Então o que houve? Me conta à sua versão para que possa entender. Digo andando de um lado ao outro.
- Sente-se. Ele pede eu não me sento. Estou muito nervosa. Quando sofri o acidente com sua mãe, o meu corpo foi jogado longe. Demorei três meses para acordar de um coma. Fui saber que sua mãe havia morrido quando voltei para casa e meu advogado disse que sua tia Elena havia ficado com à guarda dos seus irmãos. Eu não entende porque você não estava junto com eles. E nem meu advogado sob dizer. Então eu fui em busca de esclarecer à minha situação, porque não tinha sido eu que foi enterrado com sua mãe. Exumaram o corpo dias depois constatando que havia sido um outro homem do carro que bateu no nosso. Como o homem não tinha família e nem ninguém para reclamar o corpo, e também estava morto perto do nosso carro, eles entenderam que era eu que estava lá. Desfiz esse engano e depois procurei sua tia para saber dos meus filhos e inclusive de você.
- E aí ela te disse que não ficou comigo pois não tinha condição. Digo chorando. Ele franze à testa.
- Não. Elena me disse que você não quis ficar com ela e os meninos. Disse que você preferiu ir embora do país. Eu estranhei, claro que estranhei. Disse à ela que colocaria um detetive atrás de você, porque você era minha filha e eu não iria abandonar você nunca. Mas ela me disse que você estava revoltada com todos. Que ameaçou à matar seus irmãos, porque não teria sua mãe mais. Fico em choque com ele fala e choro mais. Ela me disse que você até me culpava pela morte da sua mãe. Eu queria ir atrás de você e tentar fazer você ver que não tinha culpa, seus irmãos não tinham culpa, mas à sua tia me convenceu dizendo que era o melhor deixar você se acalmar, que uma hora você viria nos procurar. Me ajoelho chorando. Ela é um monstro. Ela não tinha o direito de fazer isso comigo. Não tinha o direito de manipular à vida das pessoas assim. Filha. Ray me abraça. Me perdoa por não ter ido atrás de você, mas naquele momento eu achei que você precisava de tempo. Achei realmente que estava chateada comigo por não proteger à sua mãe.
- Amor o que está havendo? Escuto à voz da maldita. Ray à olha e eu levanto meu rosto para encará-la.
- Anastásia? Ela indaga com medo visível em seu rosto.
- Como vai tia Elena? Peço me levantando. Ou eu devo te chamar de monstro? Limpo minhas lágrimas.
- O que ela faz aqui Ray? Ela pede nervosa. Sorrio para ela.
- Não esperava que eu retornasse quando tivesse melhor tia Elena? Não foi isso que você disse para Ray? Que eu estava revoltada com à morte da minha mãe e não queria saber dele e nem dos meus irmãos e que inclusive ameacei matar meus irmãos? Ela engole em seco.
- Não foi isso que aconteceu? Ray pede olhando de mim para ela.
- Eu posso explicar amor. Ela vai para perto dele e o mesmo se afastar. Amor? Ela pede vendo ele olhar feio para ela.
- O que você fez? Elena olha para mim com raiva.
- Eu fiz o que tinha que ser feito. Eu não podia criar Anastásia. Ela me lembrava tudo de r**m que houve na minha vida.
- Do que você está falando? Indago sem entender o motivo da raiva dela contra mim. O que eu te fiz Elena? Ela começa à chorar e se senta.
- Você não é... Você não é filha de Carla. Olho para ela em choque e balançando à cabeça em negação.
- Mentira. É mais uma das suas mentiras. Falo gritando.
- Calma Ana. Ray me abraça.
- Como eu queria que fosse mentira. Ela fala se levantando. Eu não suporto olhar para você. Nunca gostei de você porque você me lembra um homem horrível que entrou na minha vida. Franzo à testa chorando. Ela me olha. Você é minha filha. Filha de um abuso. Filha de um não dado, filha de um desrespeito comigo, com meu corpo. Caio no chão em choque. Eu fui abusada, e quando fiquei sabendo que estava grávida já era tarde para tirar, mas mesmo se eu quisesse Carla nunca concordaria. Ela tinha deixado bem claro que não me apoiaria que eu tirasse você. Então ela me disse que se eu não quisesse à criança, ela ficaria com ela. Ela seria à mãe que eu deveria ser e não quis. E foi o que fiz. Dei você para ela, mesmo querendo dar você à adoção, porque não suportaria olhar para você em nenhum momento. Eu me afastei dela por anos, e quando via você, tudo me remetia aquele dia horrível que um canalha tocou em mim sem eu desejar. Meu choro é angustiante. Minha vida foi inteira uma mentira. Carla, à mulher que me fazia dormir todos os dias, que cantava e lia para mim. Que me levou à escola pela primeira vez. Não era nada além de minha tia. E agora estou na frente da minha verdadeira mãe. Uma mãe que nunca me quis e nunca me amou.