Capítulo 2

919 Palavras
Gabriel Odeio comer fast food no almoço, só estou aqui porque o meu maldito chefe me obrigou a atender uma cliente que obviamente não estava interessada em comprar um celular. Restaram-me apenas 20 minutos de almoço seria comer um hambúrguer ou ficar com fome. A fila estava mais longa do que imaginei em situações normais desistiria, contudo, junto a fome estava curioso com a imagem de uma mulher que andava até balcão alguns segundos após a minha chegada na fila. Magra, roupas um pouco largas, cabelos castanhos que desciam até a metade da coluna presos de um jeito que os deixavam meio soltos. Naturalmente as mulheres que me chamavam atenção eram sempre altas, s***s e quadris bem evidentes. Porém, a tal mulher me atraia de um modo diferente das outras. Assim como surgiu também desapareceu, em um piscar de olhos a figura da mulher sumiu. Chegou a vez de pedir o tal lanche, restavam apenas 10 minutos para comer, precisava ser rápido. Era óbvio que o Sr. Thiago não ia muito com a minha cara, talvez fosse porque sempre que a namorada dele passava pelo quiosque de celulares me encarava e sempre encontrava uma forma de puxar assunto comigo, sempre com roupas ousadas que deixava o corpo malhado à mostra. O Sr. Thiago percebia o interesse da namorada em mim, mas, no lugar de refrear a mulher na posição de supervisor do quiosque, descontava em mim, àquela altura já havia recebido duas advertências, mais uma daquelas era demissão na certa. Faltava apenas um ano para terminar a minha segunda graduação, a primeira não havia trazido os resultados que esperava, decidi por uma nova profissão em outra cidade. No entanto, sem trabalho teria que desisti de tudo e voltar para minha antiga profissão, não era uma opção, além disso, o trabalho no quiosque no shopping era próximo do meu apartamento permitindo ir a pé até lá e economizar no transporte. Eu era o melhor vendedor do quiosque, acredito que também esse fato colabora para que a demissão não ocorresse, sem mim o quiosque já teria sumido. Na fila, enquanto pensava na vida que me restava nessa cidade não percebi o esbarrão em algo ou melhor em alguém. Foi bem rápido, o tempo de sentir algo gelado molhando a camisa na altura do peito. Abaixei a cabeça para vê o estrago e quando retornei a vi, a mulher que chamou a minha atenção há alguns minutos. - Oi, você tá bem? Desculpe, estava distraído, está machucada? Fiquei cerca de 2 minutos esperando uma resposta enquanto a bela estranha gargalhava de cabeça baixa, como se risse da situação e ao mesmo tempo sentisse vergonha de olhar para frente. - Eeeu… que peço desculpas, acabei com a sua camisa, ela está toda coberta de gordura e refrigerante. - Não tem problema, agora tenho uma desculpa para ir embora mais cedo. - Há sim… que bom, assim fico com um peso menor na consciência. - Mas, antes de eu ir, gostaria pagar outro lanche para você. Pelo visto está com bastante fome. - Não. Não precisa. Eu como algo daqui a pouco. - Não. Eu insisto, fui eu que me meti na sua frente. Por favor, aceite o ressarcimento pelo seu prejuízo. - Tudo bem. Mas, só aceito se for algo mais simples, o exagero era proposital para me dá um presente diferente. - Presente? Posso saber o que comemora? - Sim, hoje é meu aniversário de 30 anos. - 30 anos? Você parece ter 20. - Não exagere, devo ter batido muito forte em você deixando a sua visão turva para me enxergar tão jovem. - Pelo contrário, consigo ver muito bem, inclusive ouvir, acho que ouvi a sua barriga roncar. - Será? Desculpe por isso também. - Pode deixar, não conto para ninguém. Vamos comprar outro lanche para você? - Vamos. - Parabéns pelo aniversário. Deve ter uma festa esperando você em algum lugar. - Imagina. Não sou de festas, todos que conheço estão ocupados demais para preparar alguma festa para mim. - Entendo. Se fosse minha amiga, com certeza ganharia uma festa. - Obrigada. Fiquei surpreso do quão rápido o lanche foi devorado. Como alguém tão pequeno come daquele jeito? - Terminei, obrigada. Agora, tenho que voltar para casa - Espera, você não disse seu nome. - Gisele. - Prazer, Gisele. Me chamo Gabriel. - Prazer, Gabriel. Obrigada pelo lanche, você tinha todo o direito de estar bravo comigo, mas, foi muito gentil, agradeço muito por isso. - Imagina. Você é linda comendo - Linda comendo? Quem diz isso? Deve ser o cansaço, Gabriel. Você acabou de conhecer essa mulher, não pode estar tão encantado. - Há sim… obrigada, eu acho. Bom tenho que ir, adeus. - Adeus? Prefiro um "até logo", ficarei feliz se a encontrar novamente. Gisele, sorriu timidamente e se afastou, sumindo entre as pessoas. Como previa, levei uma bronca do Sr. Mateus ao retornar para o quiosque com a camisa suja. Ele relutou em me deixar ir, mas, eu tinha hora extra na casa e frisei que seria r**m para os negócios os clientes me verem daquele jeito. Claro, ele não sabia que existia uma segunda camisa na mochila. No caminho para casa os pensamentos com a imagem de Gisele permaneciam vivos, o jeito tímido, porém, atraente; por alguma razão me fascinaram. Quem sabe o destino me surpreenda com a sua presença novamente, mas, dessa vez não deixarei ela ir tão rápido. Quero ser seu amigo, seu confidente. Sinto que devo, e quero estar perto de Gisele.
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