Fim

990 Palavras
Eduardo ficou um bom tempo conversando com Nakata, sobre tudo o que viu e inclusive pelo fato de Samantha ter deixado ele, mesmo com um filho de poucos meses de idade. Isto era o que incomodava Eddie antes da missão e somente agora ele teve forças para mencionar o fato. Esperava a pior reação do amigo, entretanto este simplesmente disse:             — Não é justo você saber todas as respostas. Deixa-te em condição mais favorável que seus irmãos terrestres. Mas é uma vantagem que eu não mereceria ter e nem gostaria. Lembra quando te disse para salvar o mundo de uma pessoa de cada vez? Então... Agora se esqueça disto tudo e tente salvar o mundo inteiro, pois estamos nos esquecendo do mais importante. Mostre a eles! Mostre para todos os seres viventes desta terra a existência do outro mundo! Melhor que dizimar três quartos da população da Terra. Educação é melhor que usar a força!             — Como farei para convencer os incrédulos? Como mostrar a verdade? Já fora demonstrada em demasia. Eles simplesmente não creem. Quando não se evolui na educação, por amor, deve-se evoluir pela dor. Seria injustiça para com aqueles que já são justos, que já estão no caminho de um mundo de nível mais avançado do que simplesmente um plano de provações e expiações. Se salvarmos o mundo, vamos ajudar o que o senhor das trevas justamente deseja – respondeu Eduardo.             — Você não pode desistir dos seus irmãos menos instruídos. Eles podem mudar também. Só precisam de tempo. Você mesmo demonstrou-se arrependido de tudo o que fez. Inclusive comigo. O povo da Terra tem esperanças ainda... – esbravejou Nakata.             Um clarão tomou conta do ambiente. Quando os dois olharam para a direção da luz, era o Caçador, porém onde havia um semblante calmo e pacífico, deu lugar a um aspecto sério e severo, como um pai pronto a castigar um filho desobediente.             — JÁ É O BASTANTE! Já ouvi o suficiente de vocês dois! Precisamos correr para salvar seu planeta... Você já conseguiu tanta coisa Eduardo... Coisas tidas como impossíveis! Que tal tentar mais uma vez?             Os dois sumiram... Alguns segundos depois, apenas o Caçador retornou.             Faltavam poucos instantes para a temida destruição final premeditada. Ninguém sabia como iria ser, exceto os espíritos superiores. O Caçador e alguns outros espíritos conseguiram a permissão de Mestre Bernard do Portal da Consciência para ficar ao lado de seus colegas terrenos, retornando ao Centro Espírita que era o centro de operações. Foram direto ao ponto e disseram que havia poucas chances do destino do mundo modificar-se. A tristeza tomou conta do coração de todos os presentes. Algumas mulheres choravam, e o choro de cortar o coração fazia lembrar do episódio no "inferno", quando parecia não haver mais esperanças. Pediram para que todos rezassem, e que mentalizassem todos os seus conhecidos para que fizessem o mesmo, assim conseguiriam uma grande corrente de oração para auxiliar ao máximo todos que pudessem. Rezaram por um bom tempo. O relógio marcava 23:59 do dia anterior ao dia marcado para o fim de tudo o que conheciam até ali, às 23:59:59 deram um suspiro tão grande que fez realmente perceber a relatividade do espaço tempo mencionada por Einstein... De repente, um dos médiuns do local pegou um papel e rapidamente começou a psicografar uma carta, lida logo em seguida por Marcelo:             — Fui ter com os demais espíritos guardiões de seu orbe, e foi concedido que a passagem de um mundo de Provas e Expiações, para um mundo de Regeneração, não fosse forçada! Vocês irão passar, aos poucos, ajudando seus semelhantes a evoluir e assim irão conseguir transformar o planeta de vocês! Será um processo mais lento, não prometo que será sem dor, mas o trauma causado será menor que a transformação que iria haver da forma programada anteriormente. Boa sorte espíritos terrenos, Jesus manda lembranças e pede para continuarem com o bom trabalho, pregando o amor e a caridade por onde vocês passarem.             Lágrimas de medo e tristeza transformaram-se em lágrimas de alegria. Todos se abraçaram para comemorar uma verdadeira vitória! Nakata ainda comentou com o Caçador:             — Pena você não estar vivo agora e com um corpo pra tomar uma pra comemorar! Com todo perdão da palavra ao pessoal lá de cima! Ia ser na boa, sem se embebedar nem nada! Só um chopinho de nada! Mas na sua próxima reencarnação pode me procurar.             — Então irmão... Eu ainda estou vivo! Meu corpo está no hospital de Bragança Paulista, em coma... – respondeu o Caçador meio que sem graça.             — O QUÊ? – surpreendeu-se Nakata.             Naquele mesmo instante, Nakata lembrou-se do grande hospital onde o corpo do seu amigo também esteve no dia do primeiro acidente que deu origem à todas aquelas “visões”. O Caçador tocou no ombro do jovem oriental e eles se teletransportaram para lá. Nakata viu, como se fosse ontem, o jovem que estava ao lado de Eduardo. A enfermeira havia dito que o mesmo sofreu um traumatismo craniano durante uma briga e que por pouco não acontecia o mesmo com Eduardo.             O corpo material do Caçador ainda jazia ali em coma. Ele olhou para Nakata e disse:             — Eu tinha uma missão a cumprir! Das grandes! Olhe tudo que fizemos! Não questionarei mais! Apenas aceitarei meu destino, que parecia estar atado ao destino de seu amigo...             O Caçador focalizou seu corpo e deitou-se sobre ele, unindo perispírito e corpo material novamente. Nakata viu um cordão de prata quase que transparente naquele momento de junção. O Caçador apagou, como que se tivesse caído em sonolência, da mesma forma quando deixamos a televisão ligada de madrugada, querendo ver um filme, porém o cansaço nos faz cair em sono profundo. Nakata se despediu, achando que seus olhos não se abririam novamente, uma longa noite de sono teria seu fim...             — Meus olhos doem com a luz do hospital... – disse uma voz rouca e fraca advinda daquele corpo.   
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