A reunião flui como o esperado, bem lenta e desgastante. Thomas faz questão de conversar sobre cada detalhe de como será a nossa temporada, querendo saber atualizações de como estão os veículos, de como estão as redes sociais da Voxx, de como está o nosso preparo físico. Todos os pequenos detalhes são colocados em pauta e nem preciso dizer o quão cansativo isso estava sendo para mim, ter que ficar ouvindo detalhes técnicos sobre alguns assuntos é extremamente entediante.
Confesso que cheguei a dar algumas pescadas enquanto a reunião ainda rolava, mas tentei disfarçar e dei o meu máximo para bancar a concentrada, porque não queria causar uma má impressão na minha primeira reunião na Voxx.
Reuniões desse tipo eram frequentes em todas as equipes, o que tornava elas mais longas, era a quantidade de funcionário que cada empresa tinha. Por exemplo, a minha antiga equipe não tinha uma lista de funcionários tão extensa, então as reuniões eram mais curtas e mais objetivas, porque não tinham muitas questões para serem discutidas.
As pessoas assistem as corridas e não fazem ideia de todo o planejamento que existe por trás daquilo, ninguém faz ideia de que tudo é conversado de forma antecipada e que a maneira como vamos levar a temporada, é discutida de forma cautelosa. Não é apenas montar um carro, colocá-lo na pista com o piloto e ganhar. Vai muito além disso. Os pilotos precisam passar por uma preparação física e mental, todas as equipes tinham pelo menos um psicólogo, com quem a gente tem que falar, pelo menos uma vez na semana. Fazer terapia não é somente importante para superar traumas, mas para nos entendermos e compreendermos as nossas ações e principalmente reações. Quando estamos dentro do carro, atingindo velocidades altíssimas, não estamos colocando apenas a nossa vida em risco, mas a de todos os pilotos que estão na pista também. Ter uma boa habilidade e saber pilotar é importante, mas se a sua mente não estiver pronta para aquela situação, é muito fácil você surtar e acabar causando um acidente. Tudo que acontece dentro da pista tem que ser analisado de forma fria e estratégica, você não pode ficar ofendido porque alguém te passou, não pode levar as coisas que acontece ali dentro para o pessoal. Todos os sentimentos precisam ser deixados para fora do carro, para que nada de r**m aconteça.
É por isso que a maneira que o Tristán pilota me incomoda tanto, porque além de ser extremamente irresponsável em suas manobras e em suas estratégias; fica muito nítido, para todos que quiserem ver que ele está levando tudo que acontece para o pessoal, a gente vê quando ele se ofende porque alguém o fechou, a gente vê o quão irritado ele fica quando perde uma posição. E acaba agindo por impulsividade.
Não estou dizendo que é um problema se irritar, mesmo porque eu já me irritei milhares de vezes, a questão é o quanto você controla esses sentimentos. Porque se você não consegue manter tudo controlado, alguém pode sair ferido, ou até morto.
Correr não é para amadores. Nós estamos colocando a nossa vida em risco por uma paixão, já corremos todos os riscos apenas por pisar fundo no acelerador, não é certo que essas chances aumentem apenas porque alguém não soube controlar a sua raiva.
Assim que o Thomas avisa que a reunião acabou, eu sinto um alívio imenso, já que se eu tivesse que ficar ali por mais tempo iria dormir em cima da mesa. Levanto da cadeira e estico todo o meu corpo, sentindo a minha b***a quadrada, pelas horas em que tive que ficar sentada.
Ao todo a reunião durou cerca de duas horas.
- Essa foi longa! – Lauren resmunga, enquanto caminhamos em direção a porta.
Confesso que a sua frase me dá uma certa animação, já que isso pode significar que essas reuniões não costumam durar tanto tempo assim.
- Geralmente elas são mais curtas?
- Sim.
Saímos juntas da sala de reunião e a Lauren caminha até um bebedouro, eu a sigo, já que não estava muito disposta a pegar o elevador cheio com os outros funcionários.
- Como foi a noite passada? – pergunto, parando ao seu lado e cruzando os meus braços, a encarando com atenção.
Ela termina de tomar a sua água com todo o cuidado e passa uma das mãos sobre a boca, para secar a água que tinha ficado ali, ajeitando a sua postura.
- Foi divertida! – abriu um sorrisinho. – Eu bebi demais, menina.
- Você ficou com os meninos o tempo todo?
- Pior que não. Eu fui com eles e voltei com eles, mas cada um ficou em um canto. – ela fala tranquila. – Inclusive, o Tristán foi para casa com uma mulher lindíssima.
Solto um suspiro ao me lembrar do que essa mulher tinha me dito hoje mais cedo sobre a música alta que ele colocou.
Argh!
- Eu sei, eu vi ela hoje mais cedo.
- Sério?! Você chegou a ouvir eles transarem?
- Graças a deus, não! Mas Tristán fez questão de fazer bastante barulho, para me avisar que tinha chego. – no meio da minha fala percebo que a Lauren faz uma pequena careta e vejo o seu entusiasmo todo ir para o ralo, de forma brusca, o que chama a minha atenção. – O que foi?
- Fico feliz que você tenha ouvido o meu barulho e entendido o meu recado, vizinha. Não queria que ficasse preocupada comigo e achei uma maneira de te avisar que eu tinha chego. – a voz debochada do Tristán soa bem atrás de mim e eu encaro a Lauren seriamente, como se a perguntasse o porquê de não ter me avisado que ele estava bem atrás de mim, ela apenas dá de ombros, abrindo um sorriso meio sem graça.
Me viro para o Tristán e abro um pequeno sorriso, o encarando de cima a baixo.
- Muito obrigada por isso! Fui dormir muito tranquila depois de saber que você tinha chego bem, mesmo que nem precisasse do som alto, já que você e a sua companhia chegaram fazendo bastante barulho.
- Quis evitar que você ouvisse a nossa transa também, fiquei com medo que se sentisse m*l por não saber mais o que é isso. – ele joga a isca e eu tenho a sensação que peguei ela, mesmo sem querer, já que ele abre um sorriso enorme ao constatar que estava certo.
Nos últimos meses eu estive tão imersa na minha profissão e no quanto eu queria me destacar para chamar a atenção das equipes grandes, que não tive tempo de ir atrás de parceiros sexuais. Para ser sincera, eu nunca fui muito adepta a ideia de f********o casual, mas não reclamaria de passar apenas uma noite com um cara qualquer que conheci em um bar. Sinto que meu corpo está implorando por s**o e eu tenho ignorado ele por muitos meses.
Eu não tinha vergonha alguma da minha situação atual, mas é uma m***a saber que dei essa informação gratuitamente para o meu maior inimigo, uma informação tão íntima como essa.
Tristán não precisava saber que eu estou há meses sem t*****r.
- É sério, Sophie?! – ele ri alto, jogando a cabeça para trás. – Eu estava apenas brincando, não imaginei que fosse sério.
Faço pouco caso da situação e apenas dou de ombros.
- Tive outras prioridades e não me arrependo disso. – simples e objetiva.
- Se você quiser, eu posso apresentar algum amigo meu para você. – ele oferece, assim que parou de rir.
- Amigo seu? Não obrigada! – falo rapidamente.
Quer dizer, tem um amigo dele que eu teria o maior prazer de ter um s**o casual, mas não preciso que o Tristán me apresente ele.
- Agora entendi a razão de você sempre encarar o Tony como se ele fosse um pedaço de carne. – Tristán fala agitado, como se tivesse descoberto a cura do câncer.
- Eu não encaro ele assim! – rebato na mesma hora, o que faz ele rir.
- Lógico que encara! Desde o dia em que conheceu ele, você o deseja.
- Sabe o que eu quero saber? – cruzo os meus braços e o encaro seriamente.
- O quê? Se você faz o tipo do Tony? – me olha de forma sugestiva.
- Não! – quer dizer, eu ia gostar de ter essa informação, mas prefiro descobrir sozinha. Melhor do que ter essa reposta vinda do b****a do Tristán. – Quero saber o que você tem a ver com tudo isso? Deveria estar cuidando da própria vida.
- Por que cuidar da minha própria vida se te infernizar é tão divertido, Sophie? – ele abre um grande sorriso e sobe as sobrancelhas. – E eu sei que você está interessada no Tony.
- Isso não é da sua conta! – falo um pouco mais irritada.
- Aposto que você já fuçou o i********: dele e viu todas as fotos. – continua com a provocação. – Você parece ser do tipo stalker.
Reviro os meus olhos e solto uma bufada. Eu não tinha visto nenhuma rede social do Tony, sequer tinha pensado nisso. Mas dizer isso para o Tristán, era o mesmo que nada.
Prefiro não perder o meu tempo com isso e deixar ele pensar a m***a que quiser.
- Eu não vou discutir isso com você. – começo a me afastar, ouvindo os seus passos atrás de mim.
- Eu poderia te ajudar com isso, Sophie.
- E quem disse que eu quero a sua ajuda? – questiono sem sequer me virar para ele.
- Talvez você precise.
Viro o meu rosto com tudo para ele, o fazendo parar de andar na mesma hora.
- Tristán, faz um favor? Finge que eu não existo!
Lauren surge de trás dele e agarra o meu pulso, me puxando para longe dessa praga.
- Melhor eu te tirar daqui, antes que isso fique pior. – ela fala para mim, enquanto me puxa.
Eu não sei porque ainda caio nesses provocações baratas do Tristán, deveria apenas ignorar.