Júlia não disse sim. Mas o silêncio, naquela noite, foi a afirmação mais barulhenta que ela já fizera. Foi uma escolha consciente de se deixar levar pela correnteza. O trajeto até a casa de Pedro foi um silêncio e expectativas. Dentro do carro, o mundo parecia ter sido desligado. Pedro, sem desviar os olhos da estrada, desligou o celular — um gesto seco, definitivo. Júlia o imitou. Não era apenas sobre evitar interrupções; era sobre o ato simbólico de cortar os fios que os ligavam a Helena e Rafael. Ali, naquele espaço confinado, eles deixaram de ser "o CEO" e "a funcionária" para serem apenas dois fugitivos de suas próprias regras. A casa de Pedro não era um lar; era um espaço sem vida, mas impecável que representava à ordem e ao poder. Mas, naquela noite, a frieza do lugar e a precisão

