Helena chegou cedo. Cedo demais para uma visita, mas o horário exato para uma verificação. Ela não avisou; Helena nunca perguntava o que podia descobrir por conta própria. Quando Pedro abriu a porta, não houve surpresa nos olhos de nenhum dos dois. Eles se conheciam pelas frestas, pelos silêncios e pelas ausências. — Ela já foi — disse Pedro, direto, sem oferecer o conforto de uma mentira. Helena entrou sem comentar. O ar da casa ainda estava espesso, impregnado com um perfume que não era o dela e uma desordem mínima que agredia a natureza obsessiva de Pedro. Detalhes que, para qualquer outra pessoa, passariam despercebidos, mas que para Helena eram gritos. — Eu sei — ela respondeu, caminhando pela sala com a elegância de quem reconhece um território que, embora alterado, ainda lhe pert

