Pedro nunca acreditou em destino; achava o conceito uma conveniência poética para justificar a falta de escolha. Mas, ao observar Helena, era difícil ignorar a força gravitacional que os mantinha orbitando um ao outro. Ele lembrava do primeiro dia, quando ele tinha seis anos e ela, cinco. Em uma sala repleta de crianças barulhentas, Helena era uma anomalia: postura ereta, olhar gélido, observando tudo com um desdém precoce. Ele a achou irritante. A relação nunca foi leve; era uma coreografia de olhares atravessados e desprezo silencioso, que se transformava em sincronia impecável diante de suas famílias. Eram dois atores prodígios em uma peça de fingimento. Quando Helena partiu para a Itália, onde ficou por oito anos, Pedro sentiu o sabor da liberdade. Ele pôde, enfim, deixar de sustenta

