Chloé visita o povo montanhês

1439 Palavras
Século XX , ano 1990 Uma semana havia se passado desde que jantei com Richard. Surpreendentemente, tudo estava normal na mansão. A voz não sussurrava mais. Convidei minha secretária Amelie para um passeio. Fomos de carro até a subida da montanha Altreu-Grenchen; um lugar perfeito para caminhadas. Mas minha real intenção era encontrar famílias antigas que tinham pousadas e cabanas para visitantes. Assim, eu poderia descobrir algo sobre os Ruschels. Amelie adorou a ideia dessa excursão de última hora, eu sou assim, faço as coisas do meu jeito. Não programo muita coisa. A menos que seja relacionado ao trabalho. Levei duas mudas de roupa para mim e para Amelie para o caso de decidirmos passar a noite por lá. Eu estava animada; Amelie conhecia todos os lugares da região, então eu não precisava de um guia. Depois de quarenta minutos de carro, chegamos ao pé da bela montanha. Havia muitos bicicletas estacionadas para quem quisesse alugar. Pegamos duas delas e alugamos uma cabana para descansar caso não voltassemos no mesmo dia. Ainda era cedo, por volta das 10 da manhã. A proprietária do chalé era uma senhora de meia-idade que falava nosso idioma. Ela tinha parentes que moravam perto do chalé: avós, tios e uma bisavó. Ela me disse que eles gostava de receber visitas, mas que retornassem os a tarde, depois que eles tivesse descansado do almoço. Fiquei entusiasmada; levei uma câmera e um gravador. Queria registrar tudo. Disse para ela que minha pesquisa era para um livro, o que era verdade. Deixamos nossos pertences no chalé e saímos de bicicleta pelas trilhas. O ar estava maravilhoso! Eu podia sentir que ele era puro. Não havia nada da toxicidade das grandes cidades. Eu estava apaixonada por esse lugar. Sentia como se tivesse vivido ali a vida inteira. No caminho, compramos algumas frutas e água dos moradores locais. Tiramos muitas fotos. Do alto, eu podia ver um grande parque arborizado. Amelie me disse que agora era um clube de golfe, mas que no século passado era um lugar onde as famílias faziam piqueniques e caminhavam. Mais adiante, havia um lugar com pessoas andando a cavalo, fiquei curiosa. Ele me disse que no século XIX, uma família nobre foi a pioneira na implementação de uma espécie de haras. uma família de nobres trouxeram essa diversão que sobreviveu ao passar do tempo. Meu coração se aqueceu tanto, era como se pudesse voltar no tempo e ver aquelas belas damas com seus acompanhantes montando belos cavalos. Naquele momento, ouvi em minha mente aquela voz dizendo: "Isabelle, nossa primeira caminhada foi neste parque, você não se lembra?" - a voz. Eu sabia que ela não poderia ter vindo de mim. Mas algo bem profundo no meu ser sentia que ela estava dizendo a verdade. Senti falta de algo que vivi. Lágrimas vieram aos meus olhos. -Sra. Chloé, a senhora está bem? —Chama-me de Chloé. Só Chloé. -Está tudo bem. Há algo que a senhora queira? -Não, Amelie, estou apenas encantada com essa paisagem. Eu...eu nunca fui religiosa, mas olhando para essa perfeição, posso dizer que nela está o dedo do Criador. -Eu nunca tive dúvidas, Chloé. Tudo é tão completo na criação; desde a célula da laranja até as nuvens são obra de algo maior. Uma consciência é o que acredito. -Você é uma garota sábia. Temos muito o que conversar. -Não sou sábia, sou curiosa e procuro aprender com os sábios - risos. Ficamos ali olhando para esse paraíso, imersas em nossos pensamentos. Decidimos após o passeio não importunar a senhora, voltamos para o chalé para descansar. Restaurante do acampamento montanhês -Amelie, vamos tomar um pouco de vinho? Acho que merecemos por termos nos esforçado a tarde toda - risos - Em boa hora! Eu aceito, mas confesso que estou morrendo de fome! -Vamos pedir este assado com ervas e legumes? Parece saboroso e vai nos dar energia. A noite está muito fria aqui. -Sim. Parece ótimo! Realmente precisamos repor nossas energias. A senhora estava com seus netos em uma grande mesa no canto do restaurante. Ela só contava histórias sobre o Cantão de Soluthurn, parecia saber muito sobre tudo. Esperei o melhor momento e, depois do jantar, pegamos nossas taças de vinho e decidimos chegarmos a ela. -Boa noite, senhora. -Boa noite, meninas, vocês não são daqui. Minha filha me disse que viriam a tarde. -Na verdade, minha amiga Amelie nasceu em Soluthurn. Eu nasci em Lausanne, que é a nossa Suíça francesa. -Eu conheço Lausanne. É um belo lugar para se viver. Mas o que está fazendo aqui? -Meu nome é Chloé Favre e esta é Amelie. Viemos para conhecer o local, é inspirador, aproveitamos para pedalar. Cheguei a Soluthurn para descansar e escrever minha história. Sou escritora. - Meu nome é Ezrha, tenho 91 anos de idade. Posso não parecer, mas essa é a minha idade.- ela ri. -Meu pai celestial!- Amelie exclamou surpresa. -Todo mundo tem a mesma reação. O fato é que estou viva e isso é o que importa. Já vi e vivi muita coisa. Minha memória está cheia de emoções. -Sra. Ezrha, sinto-me privilegiado por poder conversar com alguém que conheceu uma geração passada. -Meu amor, já posso lhe dizer que cheguei praticamente a 4 gerações. Mas, diga-me: onde você está hospedada? -Bem. Amelie mora em Soluthurn, em sua casa. Eu, estou na antiga mansão Ruschel. Certamente deve ter ouvido falar deles. -Sim, é muita coisa! Meus pais comheceram o jovem que morreu lá. Minha mãe costumava dizer que ele era um homem bom e justo. -Quer dizer... sua mãe o conheceu em vida? Isso é fabuloso!! -Mas o que há de tão fabuloso nisso, criança? Eu nasci alguns anos depois de sua morte. -Isso é importante para mim. Estou pensando em escrever sobre essa mansão. -Eu não faria isso. Houve uma tragédia lá. Um bom homem foi queimado até a morte por sua própria noiva, que estava em dificuldades financeiras e queria herdar seus bens. Foi o que sustentaram, eu tenho lá minhas dúvidas!? -Senhora, desculpe-me. Temos outra versão dos fatos. Longe de mim negar isso. Mas ele tinha um sócio que todos suspeitavam. A moça, pelo pouco que soube o amava! -Querida, a dois caminhos quando se está perdida. Ela estava sozinha, caluniada por viver com ele na mansão. Ele parecia ter enlouquecido com a falência; o que restava a essa pobre criatura fazer, senão livrar-se de um obstáculo? -Tudo bem sra. Ezrha, talvez tenha razão. Mas... fale-me sobre eles, antes do acidente. - Segundo eu escutava minha mãe mencionar, a jovem era sem dúvida uma das mais belas. Sei disso porque minha mãe me levou ao museu e a foto dela estava lá. Mas não houve punição sem provas. Eles não encontraram fatos suficientes para prende-la. -Então... Eu posso ver esse jornal no museu. E do Giocondo, há alguma foto? -Não. O que sei sobre ele é que minha mãe sendo uma das costureiras mais requisitadas da época, vestiu tanto a mãe dele quanto a jovem Isabelle, mas Giocondo não gostava de fotografias. -A senhora... disse... Isabelle? -Sim, nunca esqueci esse nome! - Qual era o nome de sua mãe? -Valentina Eliza Du Châteou. "Madame Chateou". Mesmo numa idade muito precoce, ela aprendeu a arte da alta costura. Ela vestia as meninas como princesas. O último vestido que Isabelle usou na noite do assassinato foi costurado por ela. Isabelle acabou vendendo tempos depois por necessidade, minha mãe o comprou por tratar de uma bela peça. Diziam as más línguas que ele estava amaldiçoado e que mimha mãe perderia a clientela só porque foi usado na noite de seu noivado. Uma noiva viúva. -E o que aconteceu com esse vestido? - Mamãe o guardou. Quando ela se foi, colocamos tudo no sótão. Acho que as traças já o comeram. -Senhora, obrigado por me dar tantas informações valiosas. Mas, sem querer exagerar, seria pedir muito para me vender o que sobrou desse vestido? -Agora você me surpreendeu jovem Chloé, para que você quer farrafos? -Por favor, se nos deixar vê-lo, amanhã procuraremos no sótão e o encontraremos. -Não posso lhe negar isso. Vejo que há uma importância adicional para sua atenção que você mesmo não percebe. Você pode vir às 9:00 da manhã. Deixarei as chaves com meu sobrinho-neto, ele o levará até lá. Se o encontrar, deixe-me vê-lo uma última vez, foi uma das últimas peças que mamãe confeccionou após a tragédia. -Claro! Muito obrigada senhora. Fomos embora com uma sensação estranha. Não entendo por que ela estava tão preocupada com o vestido. Eu nem a conhecia?! Amelie não questionou. Ela parecia entender o incompreensível. Voltamos para o chalé e dormimos. ...
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