Lembranças de outra vida

1056 Palavras
Século XX, Ano 1990 Acordamos no sopé da montanha totalmente restauradas. A energia do lugar era incrível! Definitivamente eu voltaria várias vezes. À agitação das pessoas se preparando para suas corridas era motivadora. Alguns sentados em bancos tomando café ao ar livre, eu não queria ir embora. Amelie me tirou do meu transe.... -Chloé, vamos tomar café da manhã no restaurante ou pedimos aqui? -Vamos ao restaurante e de lá vamos para a casa da Sra. Ezrha, que fica ao lado. -Vou terminar de me arrumar e depois vamos, acho que teremos boas surpresas. -Por que você diz isso, Amelie? -Intuição. Nada mais. Fomos para o restaurante. O salão estava cheio de turistas e moradores locais. Esperamos alguns minutos por uma mesa. Phedro, sobrinho-neto da Sra. Ezhra, veio nos cumprimentar. Ezhra, veio em seguida. -Bom dia. Vocês devem ser as pessoas de quem minha tia estava falando. Prazer! Sou Phedro e estou à disposição! -Olá Phedro, sou Amelie. -Olá, sou Chloé, prazer em conhecê-lo! -Mas então, Phedro, você já foi ao sótão? -Não. Quem gosta de sótão?-risos -Você tem um bom humor, mas não é só o museu que se interessa por coisas ultrapassadas. -Desculpe-me, não foi minha intenção. -Não se preocupe. Relaxe. Phedro foi buscar as chaves para abrir o sótão e alguns baús que estavam trancados com cadeado. Amelie e eu terminamos de comer e fomos ao encontro dele. -Bom dia, Sra. Ezrha, já está acordada? -Bom dia meninas, uma velha como eu se dormir muito perde vida, mas vejo que não mudaram de ideia, estão prontas para desvendar o passado! -Como vê, nós estamos! -Como queiram. -Phedro, acompanhe as meninas. Chegamos a casa da senhora Ezha; o ambiente era aconchegante. Os móveis antigos davam um toque especiap. Eu já estava no clima voltando no tempo. Passamos pela sala de jantar e entramos em um longo corredor que levava aos quartos. Chegamos em um pequeno cômodo que mais parecia uma sala de leitura. Phedro abriu uma porta que ficava ao lado da biblioteca e havia uma escada. Subimos bem devagar, atrás de Phedro, que acendeu uma pequena luz lateral. O lugar não estava sujo. Acho que a Sra. Ezhra o limpava para não acumular poeira e insetos. O cheiro era de livros, caixas e roupas cheirando a formalina... A iluminação não era das melhores, mas havia uma pequena janela circular que abrimos para deixar entrar o ar. Peguei dois lenços improvisando máscaras. Phedro não se sentiu confortável ali. Pedi a ele que voltasse às suas tarefas e que eu o chamaria quando terminasse - ele assentiu. -Amélie. Temos um mundo de caixas aqui. Como saberemos em qual está o vestido?? -Ontem, a senhora mencionou uma caixa. Olhe ali, há quatro delas. Vamos ver se há alguma identificação. Abrimos a primeira caixa que estava trancada. Havia documentos de sua família. Não era o que eu estava procurando. Encontramos alguns álbuns. Havia fotos da antiga Soluthurn. Havia algo escrito no verso "Para meu querido marido. Nossa amada Soluthurn na primavera, sentimos sua falta. Quando você voltar da batalha, traga-a de volta com você. Sua amada, Ezrha". Eu estava encantado com os encantos do Square no início do século XX. Amelie me chamou para ver o que havia encontrado em uma pequena caixa de seda; um chapéu ainda bem preservado. Ele trazia uma pequena inscrição. "Mademoiselle Isabelle Marrie". Fiquei maravilhada! Peguei esse chapéu delicado de seda verde-água com pequenas flores em um tecido fino e delicado que ase rôto... tinha um cheiro forte. Mas não resisti e fui até um espelho enorme que estava no canto e o coloquei. Por alguns instantes, senti um enorme desejo por algo que eu não conhecia. Senti uma leve inquietação. Fui até a janela para tomar um pouco de ar fresco. Tirei o chapéu e guardei de volta a caixa... Eu o levaria comigo para a mansão. O último baú continha roupas muito bem conservadas. A modista, mãe da sra. Ezhra havia tomado o cuidado de preservá-las. Na outra caixa de cor roxa, estava escrito "Isabelle". Não conseguimos conter a emoção só de imaginar que essa garota realmente possa ter existido um dia e que sofreu horrores por amor. O que não entendo o porquê daquela voz insistir em me chamar por esse nome? Talvez eu fosse parecida como ela. Fantasmas adoram confundir, mas como não sou louca e não acredito nessas coisas de vida após túmulo, vou dar um basta nisso! Abri a caixa, e naquele exato momento, perdi minhas pernas quando peguei aquela peça, estremeci e senti náuseas, mas não consegui me levantar para ir até a janela. Amelie percebeu e a pegou de minhas mãos. - Chloé. Não precisa fazer isso: Eu vasculho sozinha as caixas e as fotos que encontrar aqui. Você deve estar assim por causa do ambiente fechado, não quer descer? —Estou bem Amelie. É só emoção. Esse vestido me trouxe lembranças que não vivi, mas sinto falta delas. Como posso explicar isso? -Se você me disser o que tem em mente, talvez eu possa lhe dar alguma explicação. -Dê-me esse vestido. Levantei-me com as pernas trêmulas. Peguei o vestido e fui até o espelho. Coloquei-o em frente ao meu corpo, e então tudo se iluminou através do espelho; tive uma espécie de lembrança instantânea. Eu me vi com esse vestido, feliz e pronta para algum evento que não consigo explicar agora. Mas era algo que estava me deixando eufórica... mas logo me vi em meio à fumaça e um forte cheiro de queimado. Então caí. Esse pequeno transe me confundiu muito. Coloquei o vestido de volta na caixa. Não mencionei o que aconteceu com Amelie. Eu deixaria para contar mais tarse aos Meyes. Não encontramos fotos de Giocondo ou Isabelle alí, levamos apenas o que me interessava. Saímos do sótão. Agradeci à Sra. Ezrha por sua hospitalidade, mostrei-lhe o vestido e chapéu. Pegamos a estrada de volta para a mansão. Caminhamos pela estrada conversando animadamente sobre tudo o que vimos e ouvimos. Que lugar agradável, logo o visitaria novamente. Amelie já conhecia, pois ela nasceu em Solothurn. Esse lugar seria um ótimo cenário para algumas páginas do meu romance. Estava cheio de perguntas e grande interesse para desvendar a vida de Giocondo e sua amada Isabelle. Coloquei uma música para ouvirmos. Viemos pela estrada cantando ao som do ABBA, pura nostalgia neste dia.
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