Capítulo Vinte e Quatro

1330 Palavras
Amanda Sete meses se passaram voando. Às vezes, quando fecho os olhos e tento lembrar de tudo que aconteceu desde o dia em que Alex entrou de vez na minha vida, sinto como se tivesse vivido em um turbilhão de emoções. Cada dia foi um novo capítulo, uma nova lembrança, uma peça que se encaixava no quebra-cabeça da nossa história. Agora é noite. Estou aninhada nos braços dele, sentada no sofá do apartamento que aprendemos a chamar de “nosso”. O calor do corpo dele me envolve como um cobertor invisível, e o carinho que faz em meus cabelos me relaxa de um jeito que nenhuma palavra conseguiria explicar. Sua mão desliza pelas minhas costas em movimentos lentos, quase ritmados, como se cada toque fosse pensado para me acalmar. Seus lábios tocam o topo da minha cabeça num beijo leve, e então ele murmura, com a voz grave e carregada de ternura: — Eu te amo, minha linda. Levanto o rosto e encontro os olhos azuis dele, brilhando com uma intensidade que me deixa sem ar. Parece que cada vez que ele diz essas palavras, elas carregam um peso maior, um sentido mais profundo. — Eu te amo, meu lindo. — respondo, e me inclino para dar um selinho rápido. Mas Alex, como sempre, transforma um gesto simples em algo muito maior. Seus lábios pressionam os meus com firmeza, e o beijo se aprofunda, lento no início, mas logo carregado de desejo. É como se o mundo inteiro desaparecesse, como se tudo que existisse fosse a boca dele na minha, a respiração acelerada, o calor que cresce em cada centímetro da pele. As roupas, de repente, parecem inúteis. Um obstáculo que atrapalha a proximidade que desejamos. Não sei quando ou como aconteceu, mas em questão de instantes estamos nus sobre o sofá. Nossos corpos se entrelaçam, pele contra pele, o calor dele misturado ao meu, o gosto do seu beijo preenchendo todos os meus sentidos. É como uma dança, só que não há música — apenas o compasso dos nossos suspiros, o ritmo frenético de dois corações que se encontram. Alex guia cada movimento, firme e ao mesmo tempo cuidadoso, como se soubesse exatamente o que meu corpo pede antes mesmo que eu perceba. A cada entrada e saída dele dentro de mim, ondas de prazer percorrem meu corpo, tão intensas que m*l consigo respirar. Ele beija cada parte minha com uma devoção que me faz arrepiar: o pescoço, os ombros, o caminho que percorre até minha cintura. Cada toque é como um juramento silencioso de que eu sou dele e ele é meu. E enquanto fazemos amor, ele sussurra frases que parecem moldadas para o meu coração. — Você é minha vida. — O ar que eu respiro. — Fica comigo pra sempre. — Eu não sei mais viver sem você. Cada palavra é uma flecha certeira, atravessando minha alma, cravando em mim a certeza de que ele é o amor da minha vida. A cada toque, cada gemido, cada promessa sussurrada contra minha pele, a convicção cresce: não fomos feitos por acaso. Quando a exaustão finalmente chega, estamos deitados, ainda no sofá, nus, ofegantes, nossos corpos colados, o suor misturado, o silêncio preenchido apenas pelo som da respiração que tenta voltar ao normal. O relógio deve marcar algo perto das duas da manhã, mas não nos importamos. A noite foi só nossa. — Vamos pra cama, vida? — Alex pergunta, virando o rosto preguiçosamente, um sorriso satisfeito nos lábios. — Vamos. — respondo quase num sussurro, o corpo entregue ao cansaço e ao prazer. Ele se levanta, veste a blusa de qualquer jeito e estende a mão para mim. Aceito o toque, e caminhamos juntos até o quarto. Nos deitamos sob os lençóis, ainda colados, os corpos entrelaçados. O calor dele me envolve, e o sono chega rápido, doce, embalado pela paz que só Alex me traz. O dia amanhece, e a luz suave da manhã atravessa as cortinas, espalhando um brilho dourado pelo quarto. Não há despertador melhor do que o beijo carinhoso do meu príncipe. Sinto os lábios dele tocando minha testa, depois deslizando pelas pálpebras até encontrar os meus. É um beijo de bom dia que me arranca um sorriso antes mesmo de abrir os olhos. — Bom dia, linda. — Alex murmura, puxando-me para dentro do abraço dele. — Bom dia. — digo, rindo de canto, aconchegando-me ainda mais contra o peito dele. Ficamos ali por alguns minutos, trocando carícias preguiçosas, até que decidimos levantar. Na rotina que já se tornou natural, escovamos os dentes juntos, rindo de coisas bobas, e depois vamos para a cozinha. Ele limpa a mesa enquanto eu lavo a louça, uma dança silenciosa de cumplicidade. — Princesa… — ele sussurra, chegando por trás e me abraçando, mordiscando levemente minha orelha. Arrepio na hora e rio, empurrando-o de leve, em tom de brincadeira. — Maldade. — ele resmunga, fazendo uma expressão de cachorro abandonado, e não consigo evitar rir ainda mais. Se alguém tivesse me dito há um ano que eu estaria vivendo assim, teria chamado de loucura. Mas é verdade: Alex e eu estamos morando juntos! A vida nos trouxe até aqui de uma forma que parece obra do destino. E a cada dia, essa nova fase só me traz mais alegrias. Alex abriu uma revenda de carros. No começo, fiquei apreensiva, mas logo percebi o quanto ele é dedicado. O negócio está crescendo, e vê-lo prosperar me enche de orgulho. Claro, ele ainda está na faculdade — faltam apenas cinco meses para se formar. Eu só desejo que o mundo seja generoso com ele, porque sei que esforço não lhe falta. Uma rotina também se consolidou: Alex insiste em me acompanhar todos os dias até o trabalho. Ele não confia em Tony. E, mesmo que aquele desgraçado tenha sumido, Alex não dá mole. Hoje, porém, sinto a necessidade de dizer o que penso. — Alex, acho que já posso ir sozinha para o trabalho. — comento, tentando soar tranquila. O olhar que ele me lança é imediato, e já sei a resposta antes que ele abra a boca. — Já sabe que a resposta é não, né? — ele diz, seco, a voz firme. — Amor, você já faz tanto por mim! — insisto. — Além disso, você está chegando atrasado todos os dias na faculdade. Deixa eu ir sozinha, nem que seja só hoje. Lanço o olhar clássico do “Gato de Botas”, aquele que normalmente o faz ceder. Ele revira os olhos, mas percebo o canto da boca dele se curvar num quase sorriso. — Tem certeza? — pergunta, segurando minhas mãos, avaliando minha determinação. — Tenho. — respondo firme, mesmo que, no fundo, uma parte de mim tema a decisão. — Ok, então. — ele cede, e um sorriso vitorioso se espalha pelo meu rosto. — Mas só hoje. — acrescenta, sério, e eu apenas concordo, satisfeita por ter conseguido convencê-lo. Ele me dá um selinho rápido, o suficiente para me arrancar um suspiro. — Te amo. — diz, antes de seguir em direção à faculdade. — Também te amo. — respondo, caminhando para o trabalho com uma sensação de liberdade que não sentia há tempos. Mas essa sensação dura pouco. Entro em uma rua que, normalmente, é cheia de pessoas, mas hoje está estranhamente vazia. Apenas alguns transeuntes apressados, sombras que não oferecem segurança. Um pressentimento pesado desce sobre mim. Meu coração acelera sem motivo aparente, e meu instinto grita que algo não está certo. Dou mais alguns passos e então sinto. Um objeto frio, duro, pressionado contra minhas costas. Um braço forte, desconhecido, me envolve, imobilizando-me. O pavor me paralisa. — Entra no carro. — a voz sussurra em meu ouvido. Grave, firme, carregada de ameaça. Meu corpo inteiro treme. As lágrimas escorrem antes mesmo que eu perceba. Concordo com a cabeça, incapaz de reagir, incapaz de gritar. No silêncio da minha mente, só consigo implorar: Deus, me ajude.
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