Alex
Estou nervoso. Ansioso. Trêmulo. Parece exagero, mas não é. Minhas mãos estão suadas, meu coração dispara como se quisesse atravessar o peito e pular para fora. Tudo isso por estar esperando uma simples resposta. Uma resposta que, no fundo, carrega todo o peso do meu mundo.
Ela me olha boquiaberta, como se eu tivesse acabado de dizer algo impossível de acreditar. Amanda não fala nada, e o silêncio se torna insuportável. Cada segundo sem resposta aumenta a tensão dentro de mim, como se o ar ficasse mais denso e difícil de respirar. Tento sorrir, mas meu nervosismo é tanto que não consigo manter a expressão.
“Puxa, Amanda, assim não dá, né?”, penso comigo mesmo, tentando arrancar de dentro uma coragem que não sei se ainda tenho. Sinto como se estivesse prestes a desabar.
— Er… eu estou quase tendo um ataque aqui, então dá pra responder? — digo, mordendo o lábio, um gesto nervoso que me acompanha desde garoto. Tento aliviar o nó que sinto no estômago, mas parece inútil.
Amanda finalmente se pronuncia. Sua voz é baixa, embargada pela emoção, como se cada palavra estivesse presa em sua garganta.
— Alex… você não sabe o quanto esperei por isso. — Uma lágrima escorre pelo rosto dela, lenta, brilhando sob a luz suave da tarde. Ela a enxuga rapidamente, mas eu já vi. — É claro que eu aceito!
Aquelas palavras são como um sopro de vida. Respiro fundo, aliviado, como se um peso imenso tivesse sido retirado dos meus ombros. A sensação é tão intensa que minhas pernas chegam a fraquejar.
Beijo a mão dela com delicadeza, saboreando o momento, e me levanto. Seguro firme em sua mão, puxando-a suavemente para que também se levante. Assim que ela fica de pé, a abraço com força, sem me importar se estou sendo exagerado. O alívio e a alegria tomam conta de mim como uma onda que me arrasta e me envolve por inteiro.
— Da próxima vez, vê se responde mais rápido — provoco, tentando disfarçar o nervosismo ainda presente. Um sorriso escapa de mim, e aperto-a mais contra meu peito, como se quisesse provar a mim mesmo que ela está aqui, que não é um sonho.
Ela se afasta um pouco, apenas o suficiente para me olhar nos olhos. Há uma curiosidade brincalhona no olhar dela, uma centelha que sempre me desarma.
— E haverá uma próxima vez? — pergunta, o tom quase desafiador, mas doce.
— Lógico que vai! Ainda falta eu te pedir em casamento, ou você acha que vai se livrar de mim tão rápido? — respondo, com uma confiança que m*l acredito ter.
E então acontece: ela abre aquele sorriso tímido. Um sorriso que não é escandaloso, não é aberto demais, mas tem um poder devastador sobre mim. É um sorriso que me derrete por inteiro, que me desmonta e me faz querer ser melhor todos os dias.
Aquele sorriso. Ele me leva de volta à primeira vez que a vi. Na sala da minha casa, o lugar onde descobri que ela seria a babá da minha irmã. Lembro-me daquele dia com uma clareza impressionante. O jeito como ela entrou, meio sem graça, tentando parecer confiante, mas com um olhar que entregava sua timidez. O modo como sua voz, melodiosa e suave, preencheu o ambiente quando ela se apresentou.
Eu poderia jurar que não foi acaso. Não poderia ser. Eu não estava naquela sala porque queria. Algo me arrastou para lá, uma força invisível que me puxou, como se o universo tivesse decidido que aquele momento precisava acontecer. Talvez fosse apenas a vontade inconsciente de saber de quem era aquela voz que eu conseguia ouvir, mesmo estando longe. Talvez fosse algo maior.
Hoje, olhando para ela, tenho certeza: o destino nos uniu. E se o destino nos uniu, sei que ele também vai tentar nos separar. É assim que funciona. Mas essa é uma batalha que estou disposto a enfrentar. Não vou permitir que nada, nem ninguém, tire Amanda de mim. Ela é minha.
— Alex — Amanda me chama, suavemente, deitando a cabeça em meu peito enquanto caminhamos lentamente pela areia da praia. O sol já começa a se esconder no horizonte, e o som das ondas marca o ritmo tranquilo de nossos passos.
— Fala, linda — respondo, levando sua mão até meus lábios e depositando um beijo nela. Gosto de segurar a mão dela como se fosse uma âncora, como se aquele gesto simples fosse suficiente para me manter de pé.
— Você sabe que podem acontecer coisas para tentar nos separar, não sabe? — ela pergunta, levantando o rosto para me encarar. Há preocupação em seus olhos, uma sombra que esconde o brilho costumeiro.
Paro. Seguro suas mãos com firmeza e a faço parar também. Olho bem dentro de seus olhos, sem piscar, porque quero que ela veja a verdade em mim.
— Amor, olha pra mim. — Minha voz sai firme, carregada de certeza. — Não importa pelo que iremos passar. Nosso amor é forte, forte o suficiente para quebrar todas as barreiras. E outra coisa: eu nunca, nunca, nunca vou deixar você. — A convicção que coloco em cada palavra não é encenação. É promessa.
Vejo o brilho surgir nos olhos dela, e esse brilho me causa um arrepio bom, uma onda de calor que percorre meu corpo. Amanda acredita em mim.
— Promete? — pergunta, com os olhos marejados, mas com uma esperança palpável, quase infantil.
— Eu prometo, amor. — Minha voz é baixa, mas firme, e lentamente aproximo meu rosto do dela.
Os olhos dela se fecham suavemente. Sinto sua respiração se misturar à minha, lenta, compassada. Quando nossos lábios se encontram, é primeiro um toque delicado, mas que logo se aprofunda em um beijo apaixonado. É um beijo que não precisa de palavras, que sela a promessa feita segundos atrás. É mais do que um gesto: é um compromisso. É futuro.
E naquele instante tenho certeza: eu amo essa garota.
Amo-a de uma forma que nunca imaginei ser possível. Não é paixão passageira, não é fogo que apaga em poucos dias. É algo profundo, que me invade e me transforma. Farei de tudo por ela. Quero realizar seus sonhos, caminhar ao seu lado em cada passo da vida. Quero acordar todos os dias e ter o privilégio de ver seu rosto logo pela manhã, meio amassado de sono, mas lindo como sempre.
Amo seu sorriso tímido, sua inocência que me atraiu desde o início, e esse brilho único em seu olhar que me fez me apaixonar perdidamente. Amanda é mulher e menina, guerreira e delicada, cheia de força e de fragilidade ao mesmo tempo. É a mulher que sempre sonhei para passar o resto da vida.
De princesa, quero torná-la rainha. Quero que seja a luz que ilumina cada canto da minha existência.
Levanto os olhos para o céu e, em silêncio, agradeço a Deus pelo presente que me deu. Porque eu era um garoto que havia se esquecido do amor. Eu tinha desistido de acreditar nele, trancado meus sentimentos em um canto escuro. E então ela apareceu, e tudo mudou.
Penso nos meus estudos. Quero me dedicar de uma forma que nunca fiz antes. Não só por mim, mas por nós. Quero poder oferecer uma vida boa para Amanda, uma casa onde ela se sinta segura, um futuro onde não falte nada. Quero planejar o casamento dos nossos sonhos, pagar uma boa escola para nossos filhos, dar a eles tudo o que merecem.
Talvez eu soe como um garoto bobo e apaixonado. Mas, se algum dia você sentir por alguém o que sinto por Amanda, vai entender. Vai compreender cada palavra que digo.
— Alex, eu te amo. — O sussurro dela me desperta. Sua voz é calma, doce, carregada de sinceridade. Os olhos dela ainda estão fechados, e estamos sentados na areia, o céu já pintado em tons de rosa e laranja. Estou com as costas apoiadas em um coqueiro, e ela está deitada com a cabeça em meu colo. A brisa suave bagunça nossos cabelos, mas nada poderia estar mais perfeito.
Meu peito se aquece ao ouvir essas três palavras.
— Te amo, linda — respondo, inclinando o rosto e depositando um selinho demorado em seus lábios. Mais uma vez, nosso amor é selado. Mais uma vez, a promessa é reforçada.
E percebo que, por mais que o destino tente, nada jamais nos separará.