Capítulo Vinte e Dois

1580 Palavras
Amanda Três meses se desdobraram desde a intensidade dos primeiros encontros com Alex. Nesse período, a proximidade entre nós floresceu de forma natural, e a cada dia, nos sentíamos mais enredados por um sentimento mútuo que ia além da simples atração. Era um tipo de paixão que se aprofundava, construída em risadas compartilhadas, olhares cúmplices e a certeza silenciosa de que algo especial estava nascendo. Ainda não tínhamos oficializado o que tínhamos, mas a verdade é que eu não sentia necessidade de impor essa pressão sobre ele. As coisas fluíam, leves e verdadeiras, e isso bastava. Meu papel como "babá" de Emily, surpreendentemente, se tornou um dos pilares da minha nova rotina. O que começou como uma função, transformou-se em uma irmandade genuína. Emily e eu éramos inseparáveis, compartilhando segredos, risadas e a cumplicidade que só irmãs, ou almas muito conectadas, conseguem alcançar. A casa, antes um lugar de trabalho, agora era um porto seguro, cheio de um carinho que eu não esperava encontrar. Além da convivência diária com Emily, o universo conspirou para que eu esbarrasse com Mylene novamente. A conexão foi instantânea, e ela rapidamente se tornou minha Best Friend 2, completando o meu seleto círculo de amizades que já contava com a lealdade inquestionável de Ana. Juntas, éramos o "trio parada dura", um furacão de energia e risadas por onde passávamos. A vida que antes parecia um ponto de passagem, ganhava contornos de permanência, recheada de afeto e novas descobertas. Num desses reencontros fortuitos, esbarrei com Murilo. E, para minha surpresa — e sem Alex por perto para me lançar olhares ciumentos —, consegui passar meu número de telefone. Um passo pequeno, talvez, mas significativo, mostrando uma liberdade que eu estava começando a redescobrir. E por falar em surpresas, ou melhor, em ausências, Tony, para minha imensa e eterna gratidão, não deu mais sinal de vida. Após três dias seguidos de uma vigilância assustadora e uma perseguição digna de filme, o sumiço dele foi um alívio. O homem é, sem dúvida, um completo louco. Hoje, no entanto, a energia é diferente. Uma mistura de antecipação e um leve nervosismo preenche o ar. Hoje é dia de sair com Alex, e estou me preparando para isso. Estou diante do espelho, com o pincel de maquiagem na mão, dando os últimos retoques. A imagem que me devolve é a de uma Amanda que está se permitindo florescer. A roupa que escolhi cuidadosamente contribui para essa sensação. Visto um vestido preto de alcinhas finas, cujo tecido leve de caimento fluido abraça minhas curvas suavemente, sem apertar, conferindo um ar elegante e descontraído. O decote, em formato de "V", é discreto, mas valoriza o colo, e o comprimento termina alguns centímetros acima dos joelhos, realçando minhas pernas. Nos pés, optei por sandálias de salto baixo, com tiras delicadas que se entrelaçam nos tornozelos, combinando conforto e sofisticação. Meu cabelo, solto, cai em ondas suaves pelos ombros, emoldurando o rosto e complementando o visual com uma simplicidade charmosa. Sinto-me bonita, confiante e, acima de tudo, eu mesma. Termino os últimos ajustes e vou em direção a Ana, que me espera com um sorriso no rosto. — E aí, o que achou? — pergunto, dando uma voltinha para exibir o conjunto. — Está incrivelmente linda! — Ana exclama, os olhos arregalados em admiração sincera. Sua reação me aquece por dentro. Nesse instante, a campainha ressoa pela casa. Troco um olhar cúmplice com Ana, e um sorriso malicioso surge em seus lábios. — Seu gato chegou — ela murmura, com um brilho divertido nos olhos. Respondo com a língua e me dirijo à porta, o coração batendo um pouco mais forte. Mas, para minha surpresa, quem me aguarda do outro lado não é Alex, mas sim Mylene. — Mylene?! — digo, surpresa e um pouco confusa. — Nossa, que linda! — Mylene elogia, percorrendo meu corpo com o olhar, de cima a baixo. Faço uma careta de desaprovação, e ela, compreendendo meu recado silencioso, aponta por cima do ombro. — Meu irmão está ali. — Com essa revelação, ela entra, abrindo o campo de visão para Alex, que está parado logo atrás dela. E lá estava ele. Como sempre, Alex era a personificação da beleza masculina, capaz de roubar o fôlego de qualquer um. Com seu jeito descomplicado e charmoso, ele tinha o dom de me desarmar. Vestido de forma casual, mas elegante, como de costume, exalava uma aura de confiança que era, para mim, irresistível. — Minha linda sendo linda — Alex diz, a voz suave, enquanto se aproxima e me beija, um selinho rápido que, ainda assim, provoca um arrepio. — Você está aceitável — provoco, com um sorriso divertido, adorando a dinâmica da nossa leve implicância. — Vou ignorar isso, viu? — ele responde, com um sorriso nos lábios, e beija minha testa, um gesto que sempre me transmite uma sensação de segurança e carinho. — Vamos? — Alex estende a mão para mim, os olhos fixos nos meus. — Vamos — aceito, pegando sua mão, e sinto a eletricidade familiar que sempre surge com o nosso toque. Saímos de casa, e Mylene, gentilmente, nos cedeu seu carro. No caminho para o nosso destino, que ainda era um mistério para mim, eu me permiti admirar as estrelas através da janela do veículo. O céu noturno, vasto e pontilhado de luzes distantes, sempre teve um efeito calmante sobre mim. No entanto, mesmo com a beleza lá fora, uma tensão sutil se fazia presente no ar. — Chegamos — Alex anuncia, estacionando o carro. Olho ao redor. Estamos em uma praia. Não qualquer praia, mas uma que parece deserta, desabitada. E, de fato, a essa hora da noite, a única presença ali somos nós dois, ou, como Alex brincaria, "os loucos", o que, de certa forma, se encaixava perfeitamente. Descemos do carro. Alex pega uma cesta de piquenique, e começamos a caminhar pela areia macia, de mãos dadas, sentindo os grãos frios sob os pés. O som das ondas quebrando suavemente na orla era o único ruído, preenchendo o silêncio que se instalou entre nós. Um silêncio que, inicialmente, era reconfortante, mas que logo se tornou carregado de uma leve apreensão. Senti que Alex estava tenso, nervoso. Não sabia o motivo, mas a intuição feminina, combinada com o conhecimento que já tinha dele, me dizia que algo importante estava prestes a acontecer. Decidi que iria descobrir. Nem que tivesse que usar minha teimosia para obrigá-lo a falar. — Alex, amor, está tudo bem? — pergunto, acariciando o braço dele. A voz sai suave, tentando transmitir calma e apoio. — E-está sim — ele responde, gaguejando levemente, o que apenas confirma minhas suspeitas. — Hum, sei — digo, minha voz carregada de uma desconfiança divertida. Ele sabe que não consegue me enganar. — Vamos comer — ele desvia o assunto, soltando minha mão e começando a abrir a cesta de piquenique. A atitude dele me diz que ele está enrolando, mas também que é algo que o está deixando ansioso. Alex estende o forro quadriculado na areia, com movimentos um tanto descoordenados, e começa a espalhar os alimentos sobre ele: frutas frescas, sanduíches, salgadinhos e algumas garrafas de suco. Era um piquenique simples, mas o cenário e a companhia o tornavam especial. — Senta, amor — ele pede, gesticulando para o forro. Obedeço, sentando-me e mantendo meus olhos fixos nele. Analiso cada movimento seu, tentando decifrar o mistério por trás de seu nervosismo. — Quer salgadinho? — ele pergunta, oferecendo o pacote. — Me conta o que você tem primeiro — insisto, abaixando o pacote e colocando-o no chão. Preciso da verdade, e a curiosidade me consome. Ele hesita por um momento, pensativo, e depois me olha nos olhos. — Tudo bem, então — Alex cede, a voz um pouco mais firme agora, e vira-se completamente para mim, ajustando-se no forro para que nossos joelhos quase se toquem. Seus olhos, que antes pareciam esquivos, agora brilham com uma intensidade que me desarma. — Era para eu deixar para o final da noite, para criar um clima de suspense, mas uma certa garota é insistente demais — ele brinca, e um sorriso verdadeiro, embora ainda um pouco nervoso, surge em seus lábios, me fazendo rir. A atmosfera muda. O ar se torna espesso com a expectativa. Alex respira fundo, e a seriedade toma conta de seu rosto. — Amanda, você é a garota mais incrível que eu já conheci. Sério, desde que você apareceu na minha vida, eu não consigo mais tirar você da minha cabeça. E, principalmente, do meu coração. — A cada palavra, meu coração acelera, e uma onda de emoção me inunda. Ele continua, a voz embargada, mas firme: — Por isso, quero que você fique comigo para o resto da minha vida. Ele pega uma das minhas mãos, a palma da sua quente contra a minha, e com a outra, tira uma pequena caixinha de veludo do bolso. Meu coração vai a mil, as batidas ecoando em meus ouvidos. Fico tensa, as mãos começando a tremer levemente. Não consigo acreditar no que está acontecendo, no que ele está prestes a fazer. A respiração fica presa na garganta. — Amanda... — ele começa, e a pausa é quase torturante. Meus olhos fixam-se na caixinha, na promessa que ela parece conter. — Quer namorar comigo? — A pergunta, proferida em um sussurro, mas carregada de toda a sua emoção, me atinge em cheio, enquanto ele abre a caixinha, revelando um belo anel.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR