POV Lily
Nem conseguia acreditar no que tinha acontecido naquela tarde. A proposta ainda ecoava em minha mente, eu precisava contar para alguém. Depois de chegar em casa e trocar de roupa apressadamente e vestir o uniforme, vou para o salão do bar que ainda está silencioso.
Assim que entro, a primeira pessoa que vejo é Júlia, minha melhor amiga, nós conhecemos a três anos, começamos a trabalhar no bar no mesmo dia, ela já estava organizando as mesas para a noite movimentada, sexta-feira eram os dias que ganha vamos mais gorjetas.
Nós nos cumprimentamos apenas com um aceno, pois sabemos que há muita coisa pra fazer e o bar já está para abrir.
Assim que atendemos todos os clientes, nos encontramos em nosso lugar secreto, no corredor do banheiro dos funcionários, ali temos certeza que ninguém ouve nossa conversa.
— O que foi agora? Mais um cliente te chama de princesa em troca de uma cerveja grátis?
Juntas soltamos umas gargalhada pensando em quantas vezes os clientes pedem cervejas grátis. Após às gargalhadas conto tudo a ela
Júlia, que segurava um copo na mão, quase o deixou cair.
— O quê?! A Amélia, aquela mulher que m*l olha na nossa cara, a única vez que veio aqui, ela pediu pra você servir os convidados em uma festa na casa dela, só veio porque você estava sem celular, se não ela não teria vindo até aqui.
Eu assenti me encostando na parede.
— Ela disse que precisa de uma boa mulher para se casar com seu filho, ela disse que é difícil encontrar uma boa esposa como eu.
— Tá, o que você disse?
— Fiquei tão surpresa que recusei na hora, nem pensei em nada! Só agradeci, e saí, mas, estava pensando...
— Pensar?! Lily, isso é uma loucura! Você nem conhece o filho dela.
— Eu sei, mas… estou pensando na minha mãe.
Ouvimos os gritos de Jorge nos chamando e voltamos para o salão.
A noite foi movimentada no bar, mas eu, m*l conseguiu se concentrar no trabalho. Entre um pedido e outro, meus pensamentos voltavam para a conversa com Amélia. Quando o movimento deu uma trégua, me encostei no balcão, suspirando fundo. Júlia viu e se mudou.
— Você continua com a mesma casa de preocupação. Tem mais coisa nessa história, não tem?
Eu hesitou por um instante, mas sabia que eu precisava desabafar.
— Tem, sim. Amélia disse que, se eu aceitar o casamento, ela vai pagar a cirurgia da minha mãe.
Júlia arregalou os olhos.
— O quê?!
Lily assentiu, sentindo um nó na garganta.
— Como ela sabe a sua mãe? - Júlia pergunta desconfiada.
— Luana, a cozinheira dela contou.
— E então, você não está pensando em aceitar não é? Isso é loucura!
— Você sabe como estou desesperada. A cirurgia é minha cara, e o hospital público disse que pode demorar meses até chamarem a mãe. Amélia me garantiu que, se eu casar, ela resolverá isso imediatamente.
Júlia segurou minha mão da amiga.
— Lily… isso não é um pedido, é uma troca. Você quer mesmo casar com um cara que nem conhece, nem ama, só porque a mãe dele quer transformar você em uma solução para os problemas dele?
Lily abaixou a cabeça, sentindo os olhos marejarem.
— Eu não sei, Júlia. Eu faria qualquer coisa pela minha mãe. E se esse for o único jeito?
Júlia ficou em silêncio por um instante, escolhendo as palavras.
— Eu entendo, amiga. Mas será que dona Amélia realmente quer te ajudar ou tem outra coisa? — ela me olha nos olhos e diz - você acha que consegue dormir com ele? Você ainda tem pesadelos a noite minha amiga, eu sei que sua mãe precisa, mas, você também precisa pensar até onde você consegue ir.
Dou um suspirou, olhando para o salão cheio de clientes. Sua vida inteira tinha sido uma luta, e agora, de repente, uma escolha impossível estava diante dela.
— Eu preciso decidir logo. Na segunda-feira de manhã, Amélia vai querer minha resposta.
Júlia tocou meu ombro esquerdo com sua mão e o apertou com uma leve força.
— Seja qual for sua escolha, eu estarei do seu lado, como sempre estive nesses três anos. Tranquei minha faculdade por você, para terminarmos juntas, lembra? — ela diz com os olhos marejados - Não voltarei sua mão agora.
Eu queria sorrir, mas seu coração estava pesado. Nunca imaginei que um pedido de casamento pudesse vir desse jeito e com um preço tão alto.
Olho para minhas próprias mãos, especificamente no dedo onde será colocado o anel de casamento, fico pensativa.
— Com tudo isso, quero negar. Mas a proposta dela... a minha mãe, tenho tanto medo de perder ela amiga...
Júlia me abraça forte.
O bar começou a encher novamente, e ouvimos a voz conhecida de Jorge, nós duas precisamos voltar ao trabalho. Mas no fundo da minha mente, a pergunta continuava: o que ela devo fazer fazer?
Fim de expediente...
Converso algumas coisas com Júlia e volto para meu apartamento. Não moro na mesma casa de antes, aluguei um apartamento assim que minha mãe foi para o hospital. Arrumei a casa do jeito que minha mãe gosta, tem dois quartos, uma cozinha pequena porém aconchegante, ela vai adorar quando chegar.
Tomo um banho relaxante e ligo a televisão e me deito no sofá para pensar um pouco em tudo que aconteceu hoje.
...
Sinto meu corpo leve, como se estivesse flutuando. Aos poucos, minha consciência foi voltando, percebo algo estranho. A cama sob seu corpo não era dura como o colchão gasto de seu quarto, mas sim extremamente macia. Os lençóis eram suaves, sedosos, com um perfume.
Franzo a testa, confusa.
Abro os olhos devagar e me deparo com um teto alto, lustres reforçados e cortinas de tecido pesado ao redor da cama. Tudo parecia luxuoso, requintado… e completamente desconhecido. Seu coração palpitou.
Então notei uma figura à minha frente. Um homem estava parado ao pé da cama, de costas para mim. Alto, forte, vestia um terno azul-marinho perfeitamente alinhado, como se tivesse saído de um evento formal. Os cabelos loiros eram bem cuidados, não vejo seu rosto, tento falar mas, minha voz não sai, levo minha mão a garganta e percebo que estou com um lindo vestido de noiva, olho para mim e um enorme peso em meu dedo anelar aparece, uma aliança linda, aparenta ser de ouro maciço. Tentar tocar no lindo anel...
Ouço uma música no fundo tocando Euphoria (BTS), a música me invade...
Abro meus olhos e vejo meu celular tocando, na tela o número do hospital onde minha mãe está. Será que aconteceu algo?
— Alô?! - digo com uma voz extremamente preocupada.