POV Lily
Minha cabeça estava uma bagunça, uma verdadeira tempestade de perguntas e pensamentos. A cada segundo, uma única dúvida martelava minha mente, me consumindo: Quem realmente é Clarie?
O sussurro ainda ecoava em meus ouvidos, implacável e cortante: "Não confie nela." Mas quem teria dito isso? E por que, agora, quando tudo ao meu redor parecia desmoronar, uma verdade tão enorme e tão misteriosa estava começando a surgir das sombras?
Eu olhei fixamente para a porta entreaberta do quarto, esperando que ela se abrisse novamente, revelando o que estava escondido além daquilo. Mas o corredor estava vazio, desolado, como se o mundo inteiro tivesse decidido esconder. O silêncio era tão denso que m*l conseguia respirar. O ar parecia me apertar, uma sensação sufocante, como se estivesse sendo esmagada por algo invisível.
Meus olhos voltaram para Clarie. Ele estava ali, imóvel, com aquele rosto tranquilo, mas agora, tudo parecia falso, uma máscara bem colocada. Eu não conseguia confiar nele como antes. Como alguém tão frágil, tão quebrado, poderia esconder algo tão sombrio, tão profundo? E, de repente, uma ideia aterrorizante me ocorreu: será que era exatamente por estar nesse estado, nesse coma, que ele se tornava uma marionete fácil de controlar?
Enquanto observava Clarie, uma outra sensação estranha surgiu. A pele dele. Eu nunca tinha reparado antes, mas agora, me chamava a atenção. A pele de Clarie parecia perfeita, tão saudável, tão viva, como se ele nunca tivesse passado por um único dia de sofrimento. Uma pele lisa, sem manchas, sem marcas de dor, como se estivesse apenas descansando tranquilamente. Mas isso não batia. Minha mãe, que estava doente há tanto tempo, não tinha uma pele assim. Ela estava pálida, frágil, marcada pela doença. Então, por que a pele de Clarie parecia tão... irreal? Como alguém em coma poderia parecer tão vivo?
Foi nesse instante que algo gelado se instalou dentro de mim. Clarie não estava em coma por acidente. Não era uma simples coincidência. Algo estava errado. Algo muito, muito errado.
Eu me levantei da poltrona com uma sensação de urgência. Meus passos estavam mais firmes, mais determinados. Como se meu corpo já soubesse a verdade que minha mente ainda tentava processar. Eu estava começando a ver o que ninguém queria que eu visse, e a verdade estava ali, diante de mim, em cada pequeno detalhe.
As pistas estavam em todos os lugares. Clarie nunca falava sobre seu passado. Sua mãe parecia evitá-lo a todo custo, como se fosse um assunto proibido. Todos ao redor dele, incluindo minha própria mãe, pareciam tratá-lo como uma peça de um grande jogo, algo que deveria permanecer naquela cama, inerte, para que tudo continuasse como sempre foi.
Lembrei das palavras de minha mãe, Amélia, sobre "manter a família unida". Mas, na verdade, eu sabia que isso era apenas mais uma desculpa disfarçada. O que ela queria era controle. O que ela queria era controlar tudo, até mesmo a vida de Clarie. O coma dele... Será que era tudo parte de um plano? Será que Clarie estava consciente de tudo, esperando o momento certo para se revelar?
Meus olhos se fixaram nos monitores à minha frente. O som dos bips constantes parecia zombar de mim. Como se estivessem me dizendo: "Você está sendo enganada, Lily." Será que Clarie sempre soube mais do que eu imaginava? Será que ele estava me observando o tempo todo, ciente de cada movimento meu, cada pensamento, enquanto eu pensava que estava sendo a única vigilante?
A pressão na minha cabeça aumentava. Eu não podia mais ignorar os sinais. Eu precisava saber a verdade. Se quisesse entender o que estava acontecendo, teria que confrontar Clarie. Não havia mais escapatória. Eu teria que enfrentá-lo.
Mas, como fazer isso? Como conseguir que ele me dissesse a verdade, quando ninguém parecia querer me contar nada? Como descobrir o que ele estava escondendo?
O olhar que eu lancei a Clarie naquele momento foi diferente. Agora, havia algo mais forte, mais firme. Determinação. Algo estava muito, muito errado, e eu não sairia daquele quarto até descobrir o que era. Não importava o que fosse. Eu precisava entender. E para isso, precisava de uma reação. Uma pista.
Então, tomei uma decisão. Eu faria algo que ninguém esperava. Eu me aproximaria de Clarie, fingiria que iria beijá-lo. Talvez, de alguma forma, isso despertasse algo nele, me dando a resposta que eu tanto procurava. A expectativa me fez o coração disparar. O que aconteceria? Como ele reagiria? Será que ele estava, de fato, em coma, ou era tudo uma farsa?
Com cautela, me aproximei lentamente, sentindo o peso do momento. Quando estava a poucos centímetros de seu rosto, os segundos pareceram se arrastar. Foi então que algo aconteceu, algo inesperado. Seus olhos se abriram, de repente, quase como se tivesse sido ativado por algum tipo de alerta. Eu congelei no lugar, os meus batimentos se aceleraram.
Antes que eu pudesse processar o que estava acontecendo, a mão dele se ergueu rapidamente e, com uma agilidade surpreendente, tampou minha boca com a palma. A surpresa foi tamanha que quase deixei escapar um grito de susto, mas ele me impediu de forma firme, um silêncio abafado. Ele me olhou nos olhos, e o pânico que eu sentia foi substituído por uma sensação de choque profundo.
Clarie estava ciente. Ele estava consciente de tudo. Estava fingindo o tempo todo.
A mente girava. Eu não conseguia acreditar no que acabara de acontecer. Clarie não estava em coma. Ele estava me manipulando, se fazendo de vítima, de frágil, quando na verdade estava ciente e esperando o momento certo para agir. O que eu tinha visto, o que ele me mostrou... tudo aquilo estava me dizendo que minha intuição estava certa. Ele estava escondendo algo muito grande.
Eu estava em choque, mas sabia que a verdade estava mais próxima do que imaginava. E eu não ia parar até descobrir tudo o que Clarie estava escondendo.
Ou podemos descobrir juntos se ele estiver disposto, não sei o que pensar de toda essa situação em que me meti.