Aviso Suspeito

690 Palavras
POV Lily Meus passos ecoavam suavemente pelo corredor luxuoso enquanto eu subia de volta para o quarto. O peso das palavras de Amélia ainda pairava sobre mim como uma sombra sufocante, apertando-me o peito como se dedos invisíveis estivessem tentando me prender ali, naquela casa, naquele destino. Ela falava em manter a família unida, mas suas intenções iam muito além disso. Minhas mãos tremiam quando empurrei a porta do quarto e a fechei atrás de mim, sentindo o clique da tranca como uma barreira frágil entre mim e o mundo lá fora. Minha cabeça girava, meu peito subia e descia em um ritmo acelerado. O cartão preto ainda pesava em minha mão, como um símbolo silencioso de minha própria servidão. Não era apenas dinheiro. Não era apenas poder. Estava sendo moldada para me encaixar nos padrões da família Davis. Mas o que mais me incomodava não era isso. Era Clarie. Clarie continuava imóvel na cama, preso naquele sono profundo, como um fantasma que ainda não tinha se decidido entre ficar ou partir, me aproximei hesitante. A luz suave do abajur desenhava sombras em seu rosto tranquilo, sua respiração ritmada sendo o único som no quarto além do bip constante dos monitores. Se alguém o visse assim, poderia jurar que estava apenas dormindo, e não que sua consciência estava trancada em um abismo do qual ninguém sabia se ele voltaria. Sentei-me na poltrona ao lado dele e, sem perceber, segurei sua mão. O contato enviou um arrepio pela minha espinha. — Isso tudo está muito errado… — murmurei, mais para mim mesma do que para ele. — Se você estivesse acordado, me diria para fugir? — murmurei, sentindo o frio subir pela espinha. Nenhuma resposta, apenas o som rítmico dos monitores. Apertei sua mão com um pouco mais de força, esperando que ele reagisse outra vez. Será que eu tinha imaginado aquilo? Talvez só estivesse impressionada com tudo. Observei seu rosto sereno, como se estivesse apenas dormindo e não preso em um coma profundo. Suspirei, sentindo um nó apertar minha garganta. Observei seu rosto. Seria ele apenas mais uma peça nesse jogo? Ou ele também era uma vítima, assim como eu? Respirei fundo, tentando manter minha mente no lugar. — Sua mãe… — continuei, apertando levemente sua mão. — Ela age como se tudo estivesse sob controle, como se tivesse planejado cada detalhe. Até a cirurgia da minha mãe ela já agendou. Tudo parece calculado demais. E esses papéis que ela quer que eu assine? O que exatamente ela espera de mim? — Minha voz saiu trêmula. — Será que é só o dinheiro da empresa que ela quer proteger? Ou tem algo mais? Olhei para ele, como se esperasse uma resposta. — E você, Clarie? Quem realmente é você? — perguntei, a voz um pouco mais baixa. — O que aconteceu antes de você entrar em coma? Sua mãe nunca fala sobre isso, ninguém fala… como se fosse um assunto proibido. O silêncio no quarto parecia mais pesado do que Antes. Mas antes que eu pudesse mergulhar nos meus próprios pensamentos, ouvi um som. Um clique. Meu corpo se enrijeceu. A maçaneta da porta girou devagar. Minha respiração ficou presa na garganta. Alguém estava tentando entrar. Saltei da poltrona, o coração batendo tão forte que ecoava nos meus ouvidos. Dei dois passos para trás, meus olhos fixos na porta, esperando… esperando pelo pior. A fresta entreaberta revelou apenas a escuridão do corredor. E então, uma voz sussurrou, baixa, cortante como uma lâmina: "Não confie nela". O ar escapou dos meus pulmões de forma brusca. Minha pele se arrepiou como se gelo tivesse sido despejado sobre mim. Antes que eu pudesse reagir, a porta se fechou novamente. Corri até ela, puxei-a com força e olhei para o corredor. Nada. Apenas o silêncio opressor da mansão. Nada. Nenhum som, nenhuma sombra, nenhum vestígio de que alguém estivera ali. Apenas o silêncio opressor da mansão, estendendo-se como um segredo prestes a ser descoberto. Minha garganta estava seca. Meu coração martelava dolorosamente no peito. Alguém estava tentando me avisar. Engoli em seco. Alguém estava tentando me avisar. Mas quem? E, mais importante… Por quê?...
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