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Uma reunião foi solicitada e todo o conselho se reuniu atrás do prédio de coleta. Nos sentamos nos bancos à marquem do rio e uma vasta gama de árvores nos circulava. Me coloquei no centro enquanto todos os 4 anciões do clã se sentavam e me encaravam com seriedade. Meu pai e Richard estava mais distantes, mas participando de toda a oportunidade de fazerem parte de algo maior. Khali estava atrás no banco de seu pai, Khatu, o líder da guarda Intothi. Fashia, filha de Gunthu - líder da colheita, ficava atrás de seu pai. Kayin, filho de Babafemi - líder e professor da unidade de ensino do clã, estava à direita de seu pai. E por último, Dan, neto de Alta Lena, a única mulher do conselho e a de maior influência no clã, ele estava segurando a mão de sua avó, a consolando por algum motivo.
Eu pigarreei e sorri brevemente, em sinal de que não seria uma reunião longa e tão pouco deveriam temer, mas logo voltei à minha expressão preocupada e cheia de expectativas vazias.
- Primeiramente, eu gostaria de agradecer a presença de todos esta noite. - eu pausei e olhei nervosamente para Rick, que me deu um sinal de encorajamento. Minhas mãos suavam frios e minha vontade era de sumir. - Esta manhã eu tinha um sonho. E neste sonho, senhores, Deus enviou um anjo para falar comigo, anjo este que já estão habituados, pois seu nome é Koboa, esse anjo ama vocês.
Eu respirava profundamente a cada parada e troca de olhares entre os líderes.
- Ele me confiou algo grande que acontecerá e nos deixou uma mensagem de alerta. Devemos deixar a cidade em poucos dias, pois algo terrível acontecerá aqui, algo que de forma alguma poderemos evitar.
Todos naquele momento pareciam ter prendido a respiração, estavam pálidos com a informação recebida. Alguém teve coragem de se pronunciar após uns minutos de silêncio.
- O que temos que fazer? Vamos partir e deixar os outros clãs para trás? - era Gunthu que falava.
- Esta não é a vontade de nosso Deus. - revelei.
- É necessário que todos saiam juntos da cidade fechada, para o novo mundo lá fora.
- Há um lugar seguro para onde iremos? - perguntou Babafemi.
- Não, precisaremos criar um mundo seguro para nós mesmos. Não há nada com o nome seguro lá fora, vamos ter que redescobrir o mundo e as novas coisas que a ele pertencem, vamos precisar nos adaptar.
- Isso não causará muitas mortes? - perguntou Khatu.
- Mortes são inevitáveis no processo, mas não serão mais dos que as vidas que perderemos ao escolher ficar. Precisamos nos fortalecer e somente lá fora vamos conseguir.
- É uma escolha arriscada, porém não devemos duvidar dos planos de Deus. - disse Alta lena, seriamente. - Devemos sempre confiar que tudo o que acontece é o melhor para nós.
- O melhor não seria Deus impedir o que há de vir? - indagou Babafemi.
- Deus não quer que fiquemos confinados na cidade. A taxa de natalidade está bem menor que a de mortalidade, nossa população está diminuindo por conta desta divisão que fizemos. Algumas crianças já nascem inférteis. É necessário que o nosso povo saia das muralhas, saia desta reclusão desnecessária e se misture com os povos que hoje se encontram da mesma forma do lado de fora, em outras colônias humanas. - Alta Lena falava com sua voz grave e deixava todos um pouco intimidados e desconfortáveis.
- Está confirmado então que essas pessoas existem e estão lá fora? -perguntou Gunther com um tom de curiosidade, mas sem deixar de ficar sério. Ele se inclinou para a frente na cadeira e entrelaçou os dedos das mãos, em uma pose inquisitiva e pensativa.
- Sim. - eu disse. - Eu os vi, cada um deles e seus nomes. Os outros como eu. Cada um deles está em uma colônia, um lugar seguro como o nosso. Posso ter certeza de que há muitos outros deles por aí.
- Eu vi dizer que há selvagens do lado de fora, é verdade? - Khatu era o que menos falava, mas era o mais preocupado com a segurança.
- O que há lá fora é desconhecido, mas o que quer que encontremos, nos fortalecerá para que retomemos o mundo novamente, isso com certeza é necessário. - disse num tom severo. Eu queria que eles soubessem que eu estava tão assustada quanto eles e que eu faria o que fosse necessário para salvar a todos.
A nossa reunião acabou se arrastando por mais tempo que eu imaginava. O conselho me convidou a sentar em um dos bancos e discutimos diversas formas de concluir o desafio que nos foi incumbido com maestria e com uma taxa de fracasso perto de 0%. Richard no meio da reunião se aproximou de mim e começou a fazer massagens leves em meus ombros tensos, me enviando uma careta engraçada.
- Você está bem? - sussurrou.
- Estou tentando. - sussurrei de volta.
- E quanto ao menino Autothi? Não podemos usá-lo? - perguntou Babafemi.
- Baba! - exclamou alguém. - Ele é só uma criança. - era Khali que se manifestava.
- Fique quieta, Khali. - respondeu seu pai, severamente. - Ele seria um bom método de transmitir nossa mensagem. - Khatu o olhou com brilho nos olhos. - Menino, você conseguiria chegar até a Ordem e plantar um vídeo?
Richard me olhou e deu aquele meio sorriso dele, me dizendo que ele não podia evitar que aquilo acontecesse, todos sabíamos que ele seria útil, uma vez que seu pai é uma liderança da Ordem.
- Sim, eu creio que serei capaz de entrar pelos túneis na base deles e entrar sem ser notado, pelo menos os primeiros passos eu consigo assegurar, se eu esbarrar em alguém que me conhece isso seria desastroso, uma vez que fui considerado morto.
- Sabemos dos riscos. Ainda mais com seu pai louco atrás de você. Você aceita a tarefa?
- Aceito.
- Você. - Khatu apontou seu dedo em minha direção. - Trate de fazer um vídeo encorajador para que o povo entenda o que está em jogo e se volte contra a Ordem, que não vai ter escolha a não ser abrir os portões.
- Eu farei o meu melhor.
A reunião se encerrou e cada m****o foi se dissipando para suas moradias. Alta Lena permanecia sentada, me encarando e sorrindo.
- Fez um ótimo trabalho hoje, menina.
- Obrigada, Alta Lena.
- Pode me chamar só de Lena, isso não é nenhum crime.
- Perdão. Isso tudo é muito novo para mim ainda.
- Nós sabemos. - ela acenou com sua cabeça e sorriu, sem desviar seus olhos afiados. - Eu tive uma visão. Uma do futuro que nos aguarda.
Eu arregalei meus olhos e a encarei, com expectativa.
- Nós teremos sucesso?
- Em parte sim, mas muito não acreditarão e escolherão ficar na cidade, que será atacada por um verme gigante.
- Um verme gigante?
- A cidade nem mesmo o sentirá chegando, ele virá por debaixo de nossos pés, atrás de comida. É o ultimo de sua espécie que ainda vive.
- Esta missão não será fácil.
- Ninguém disse que seria.
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