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Os dias que se passaram foram puro treinamento e alinhamento do que seria feito. Richard se juntou há mim no treinamento, aprimorando sua força braçal e aumento, consideravelmente, o seu tamanho de massa muscular. Eu o olhava com admiração enquanto o via dar duro e aprender tudo o que podia dos Intothis.
- Tinha uma época... - começou a dizer Khali ao se sentar ao meu lado para observar o treino dos rapaz. - em que as pessoas com poderes e dons era visto como algo além da imaginação, super heróis que as pessoas liam em revistas e viam na televisão.
- Acho que já ouvi algo assim.
- Hoje em dia as pessoas com dons são raras, mas elas existem. De forma tão natural que ninguém percebe. A guerra fez isso com a gente.
- A última guerra, você quer dizer?
- Sim... a Coreia do Norte tinha que atacar a Alemanha? - ele estava pensativa. - Isso acabou com o mundo que conhecíamos e tudo pra que..? Nada se resolveu a maior parte dos seres humanos morreram. Os poucos que sobreviveram se refugiaram das mutações causadas pela radiação.
- Você lê bastante, não?
- É meu passa tempo favorito, como sabia? - ela me perguntou sarcasticamente, todos sabiam que ela praticamente morava na biblioteca.
- Eu sinto falta do conforto que era antigamente antes dos meus poderes. Antes eu era apenas uma aberração por causa da minha aparência, agora eu sou responsável pela vida de milhares de pessoas.
- Não se iluda tanto, você sempre foi quem você é, Zahra. Afinal, o seu nascimento foi um evento que entrou para a história e transformou um imenso comércio em uma masmorra amaldiçoada. Muitos Intothis que entrevam a colheita morreram naquele dia, mas você vê que ninguém te crucifica aqui. Alta Lena vem amaciando o coração deles há anos, pois sabe que somente você salvará a todos.
- Eu não entendo por que Deus me deu o dom do fogo, de todos os outros. Isso me torna destrutiva, não salvadora.
- Ah, bom... isso depende de quem olha! - ela se levantou dando risadas e olhou para Richard, que me encarava bobamente do outro lado. - Te vejo no jantar! - gritou ela já longe.
Rick não demorou para vir em minha direção com aqueles olhões verdes e seu sorriso mais sexy do mundo. O que Deus estava pensando ao criar um homem tão perfeito? Os músculos de seus braços saltavam para fora da caminha e deixavam evidente o tamanho de seu esforço.
- O que vocês estavam sussurrando? - perguntou animadamente.
- Ah, estávamos falando como os homens estão dando duro no treinamento. - eu passei meus olhos por seus braços e ele sorriu bobamente. - Sabe que eu fico grade rápido por causa da habilidade da minha família.
- Eu sei. Eu sei. Mas não deixa de ser lindo.
- Eu... vou tomar um banho agora para o jantar.
- Certo. - ele me olhou convidativamente, mas eu apenas sorri. - Eu vou estar no meu quarto... aguardando você vir me buscar.
Eu não me demorei demais depois que ele partiu. Eu me direcionei ao meu quarto, com as bochechas rosadas e borboletas no estômago. Eu entrei em meu quarto e bati a porta atrás de mim, me demorando e mordiscando os lábios. Eu sabia o que viria a seguir e queria me sentir preparada para aquilo. Eu fui até o pequeno armário e peguei um vestido branco longo que da coxa para baixo era cortado em três partes iguais, deixando minhas pernas à mostra. Coloquei um short preto por debaixo e soltei meus longos cabelos negros, que fizeram um espetacular contraste de cores. Eu estava com as bochechas ainda rosadas, eu realmente estava perdidamente apaixonada por aquele homem.
O que sempre, nossas vidas inteiras, foi proibido, agora Deus dizia que devíamos fazer. Misturas as raças, entrelaçar os clãs, formar uma só sociedade. Uma só raça humana.
Nos fazer... Humanos. Novamente.
A batida suave na porta fazia meu coração palpitar. Ele estava ali. Era aquele momento.
Eu corri para abrir a porta com um sorriso no rosto, mas a pessoa que me esperava do outro lado não era Richard. O sorriso me sumir do rosto no mesmo instante e uma sensação de temor me tomou por completo.
- Estava esperando outra pessoa? O Richard talvez?
- Mãe.
Dois homens apareceram e colocaram um saco em minha cabeça, me dando uma cotovelada na face que acabou por me desacordar.
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Richard Fire.
Eu ainda estava no banho quando notei toda a movimentação que acontecia do lado de fora. Eu não esperei muito, eu já sai e me vesti rapidamente. O vilarejo estava sendo atacado. A Ordem estava lá. Ao ver as pessoas correndo para se esconder e os homens de meu pai entrarem com armas, intimidado as pessoas... eu só consegui pensar em correr e procurar por Zahra. Nós precisávamos sair dali. O corredor que dava para o seu quarto estava movimentado e barulhento. Muitas pessoas corriam enquanto fugiam dos guardas Autothis. O vislumbre de dois guardas nocauteando alguém encapuzada e a jogando em seus ombros...
- Zahra! - eu gritei. Eu tentei chegar até ela, mas... a mãe dela me viu e sorriu gentilmente.
- Oh, Richard! Seu pai estava te procurando. Que bom que o encontramos. - disse sarcasticamente. - Prendam-no.
Eu analisei bem a situação em que eu me encontrava. Zahra já estava sendo carregada para longe e dois ou três guardas vinham para cima de mim com três vezes o meu tamanho de massa muscular. Se eu fosse capturado eu não conseguiria salvá-la depois. Eu fiz o que eu consegui pensar no momento. Eu entrei no primeiro quarto e me joguei pela janela para conseguir uma distancia segura deles, que não conseguiriam passar pelo mesmo lugar que eu havia passado. De relance eu ouvia o choro amargurado das pessoas, ao verem que Alta Lena estava sendo levada.
- Por favor, ela é uma mulher muito idosa, ela não pode sair do vilarejo.
- Isso é traição, ninguém pode pisar no solo dos intocáveis! - gritava um jovem.
Um caminhão chegou e foram colocados três prisioneiros na parte de trás. A mãe de Zahra acionou um megafone.
- Estou levando sob custódia da Ordem três traidores. A audiência acontecerá em dois dias na grande metrópole, onde todos os anúncios são dados, todos estão convidados à comparecer.
Ela simplesmente disse essas palavras e entrou no caminhão, como se nada demais houvesse acontecido.
- Ela quer que os intothis se reúnam com as outras raças para ouvir um julgamento sem cabimento contra uma senhora de idade? Esse mulher é louca. - disse alguém atrás de mim.
- Eles levaram a escolhida também, pelo que eu soube.
- A Zahra também foi levada?
- Sim. Ela e seu pai.
- Oh, quem irá nos libertar desta cidade agora? Ela com certeza vai ser declarada culpada e vão matá-la na frente de toda a cidade.
- Assassinos. - disse outra pessoa.
Seria possível que tudo pudesse dar errado? Alguns dos guerreiros que ficavam na entrada patrulhando voltavam para dentro da aldeia desnorteados, os invasores aparentemente havia usado gás para entrar e todos que protegiam os portões adormeceram. Mas como eles sabiam onde encontrar cada pessoa específica? Como foram tão rápidos?
- Alguém de dentro nos traiu. - eu conclui. Era a verdade mais óbvia, mas que ninguém era capaz de admitir. Alguém não queria sair da muralha, alguém não acreditava o suficiente para arriscar.
Alguém egoísta havia colocado a vida de todos em risco por medo. E eu sabia bem quem poderia ser.
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