Capítulo 12

1810 Palavras
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Uma senhora muito idosa estava sentado com uma veste engraçada, que me lembrava aos tapetes de minha antiga casa, era como um manto felpudo e macio de cor acinzentada. Khali se colocou de joelhos e me puxou para que eu fizesse o mesmo. - Analwe Daka Fulita, mama. - disse ela. - Está é Zarah Vlayer, a princesa de fogo de suas visões. - Analwe Daka Fulita, Khali querida. - respondeu a senhora com sua voz bem rouca por conta da idade. Ela tinha seus cabelos trançados num misto de n***o e branco e seus olhos sorriram em minha direção, embora sua expressão não parecesse feliz. - Então ela finalmente está aqui...- ela estendeu sua mão, me chamando para perto de si. - Venha criança, não tenha medo. Eu me levantei, de vagar. Olhei para trás e vi Richard e meu pai me encorajando a seguir em frente, ambos com um sorriso caloroso em seus rostos. - Está tudo bem, Z. - o ouvi sussurrar. Eu me adiantei e pousei minha mão esquerda na mão estendida da velha mulher. No mesmo instante eu senti um formigamento por todo o meu corpo e tudo começou a ficar quente. Assustada eu puxei minha mão, mas a mulher rapidamente a pegou de volta. - Por favor, é perigoso. - eu disse baixinho. - Eu disse que não precisa ter medo. - ela afagou minha mão, que agora estava tensa e suspirou. - Relaxe menina... você sabe meu nome? A pergunta na hora me pareceu i****a, já que não havia como eu saber o nome de uma pessoa que eu havia acabado de conhecer. - Eu não... - eu comecei a negar a pergunta, mas por um estalo seguinte, eu simplesmente sabia o que dizer. - Você é chamada de Feyre Lane, a sábia que viaja nos sonhos. Não havia uma única pessoa além de mim e a senhora que ainda respiravam, todos surpresos ficaram imóveis e pálidos. - Esse não é... - começou Khali, mas a mulher começou a gargalhar alto, a interrompendo de pronto. - Oh, está certo, eu não uso este nome há uns cem anos! - eu a olhei com os olhos arregalados. Ela era tão velha? - Sim criança, tenho exatos 122 anos, a pessoa mais antiga desta cidade e a unica que ainda vive desde a construção deste belo espaço. - A senhora esteve presente na construção da cidade? - Dos muros, sim. Eu estava lá. Atualmente eu sou a chefe desta aldeia e me chamam de Alta Lane. Sou a única na vila que ainda possuí o poder da visão. A visão do futuro é claro. E eu vi muito sobre você e os outros 4. Eu olhei para trás e verifiquei que eu só viaja com outras três pessoas. - Os outros 4? - Oh, Koboa não te falou sobre as outras crianças? - Você conhece Koboa? - Digamos que ele já me visitou vez ou outra. Eu assenti e engoli em seco, ao me lembrar da profecia. - Você está falando das outras crianças como eu. - Sim. - O que viu sobre nós? - Bom, este não vai ser um caminho fácil, minha cara. Vão aparecer muitas coisas que vão te impedir de continuar, mas é preciso que nunca perca do caminho de vista. Nunca se afaste demais dele. - Do caminho? - Sim, de seu objetivo principal. Salvar a humanidade. Eu não sei se já percebeu mas cada vez mais as escolas tem estado mais vazias, poucos mulheres têm conseguido conceber um filho. Estamos ficando estéreis por estarmos isolados, o dna não está evoluindo, ele está morrendo muito rápido. - Está acontecendo em todos os lugares? - Em cada lugar tem seus próprios erros e desafios, mas enfrentam da mesma dor, filhos são raros. É como se fosse um aviso de Deus, para que retornemos ao que éramos antes, se é que é possível. Tudo dependerá de você. - De nós. - corrigiu Rick. - Ela não estará sozinha. - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - Depois de uma longa conversa com Alta Lane eu pude entender o real motivo de tudo estar acontecendo tão rapidamente. Uma invasão estava próxima de acontecer. Por isso era necessário que saíssemos da cidade, para preservar a espécie humana. Embora todos esperassem que estivéssemos super protegidos, na verdade depois de tantos anos, as muralhas estavam enfraquecendo. - Que tipo de ataque você acha que está por vir? - perguntei ao meu pai em uma certa tarde. - Eu não sei, mas pelo proporções em que as coisas estão neste momento, imagino que coisa boa não é. - Definitivamente. - Você viu a pele cinza que a mama esta usando? - perguntou Khali entrando na conversa. - Sim. - Aquilo é de um animal que os antigos chamavam de lobos, são animais selvagens, parentes distantes dos cachorros. - De onde ela conseguiu isso? Vocês saem da muralha? - Os nossos melhores caçadores, em tempo de colheita escassa, saem para caçar e em uma dessas ocasiões voltaram com um presente para aquecer Mama no inverno. - Isso não é perigoso? - perguntei curiosa e surpresa. - É, mas é necessário. Sem isso teríamos passado por situação de fome, toda a cidade. Eu estava muito espantada com a coragem. - Isso que quer dizer que o governo sabe o que há atrás da muralha. - Sempre souberam. Eles só preferem manter a população calma e sobre controle. - Isso é h******l. - Sim, mas é para a nossa própria p******o. Não íamos querer ter que lidar com a morte acidental de algum adolescente que decidiu explorar o mundo exterior por conta própria, isso não deixa de ser um lugar perigoso. Por isso você e as outras crianças foram convocadas. - Para travar a batalha que os outros não conseguem. - Sim. - Você está pronta? - Eu não faço ideia, Khali, mas espero que sim. Muita coisa está em jogo agora. - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -
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