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Os seus olhos verdes brilhavam enquanto seu sorriso gigante me recebia com ternura.
- Oi Z, eu voltei. - seus braços abertos indicavam que ali não havia limites para o possível.
Eu sem pensar duas vezes, voei em seus braços e em um ato impensado, baleei meus lábios nos seus. Meus olhos cheios de lágrimas se fecharam fortemente, meu coração sem acreditar, acelerava feliz.
Ele está aqui, ele está aqui!!! - era a única coisa que eu conseguia pensar com muito intensidade, tudo ao redor parecia não importar mais.
Ao me afastar de seus braços rígidos, pude ver seus olhos surpresos e um sorriso maroto se formando em seus lábios. Eu não sabia ao certo, mas com certeza as pessoas ao redor estavam tão surpresas quanto ele. Nem eu mesmo acreditava que eu havia tido a coragem. Mas lá estava eu. Meu rosto estava em chamas - claro, não literalmente -, mas eu podia sentir que eu estava tão vermelha quanto um pimentão, por ser muito clara. Eu sorri, desviando meus olhos para meus pés.
- Me desculpe por isso.
-Está tudo bem. Eu sempre quis fazer isso, de qualquer forma. - disse ele, que não conseguia esconder a alegria em sua voz. Eu o olhei novamente e seu sorriso ia de orelha a orelha. - Isso quer dizer que é recíproco? - eu podia ver seus olhos brilharem, mesmo na escuridão da noite em que nós adentrávamos.
- Sim, Rick. Sempre foi recíproco. - ele estendeu sua mão esquerda e me puxou para mais perto.
- Nós precisamos sair daqui. Eu posso ouvir que eles já estão vasculhando o poço.
Eu olhei para trás e frangi o cenho. - Como você conseguiu ouvir algo? Eu não ouço nada.
- Essa é uma habilidade que eu tenho.
- Digamos que é bem útil para nós, vamos. - se apressou meu pai com uma expressão preocupada. - Assim que entrarmos nos portões dos Intothis estaremos longe o suficiente.
Nós fizemos o resto do caminho em silêncio. Eu me sentia extremamente aliviada, eu não havia perdido ninguém. Nunca havia me sentido tão feliz na vida, embora agora eu fosse uma criminosa em uma cidade sem porta de saída, uma hora ou outra eu seria encurralada, mas eu não queria pensar nos mínimos detalhes agora. Eu só queria viver o momento mais uma vez. Khali guiou o caminho e quando finalmente chegamos no limite do aceitável por qualquer outra raça, meu corpo travou.
- Está tudo bem, Zahra. - me acalmava ela. - Aqui estará segura.
Eu olhava a entrada do clã dela e tudo o que me passava pela cabeça era terror, eu estava com medo. Era um lugar tribal, os portões eram feitos de madeira e trepadeiras. As vestimentas das pessoas que rodeavam o lugar eram feitas de plantas, folhas e tintura. Eu nunca os tinha visto tão de perto. Eu voltei meus olhos para Khali e me senti confusa.
- Você não usa folhas no lugar das roupas. Por que? - a menina deu risada.
- É por que para sair da vila podemos nos vestir com tecidos, para não assustar as pessoas que possamos encontrar no caminho, como se nossos olhos brancos já não fossem suficientes.
Ela soltou o laço que prendia dia imensa juba cacheada e aos poucos se despiu em nossa frente, em branco do pano, haviam suas tatuagens, pinturas e roupas feitas de folhas. Era como se ela fosse uma ninfa da floresta, voltando pra casa.
- Venham, vamos entrando.
Richard apertou meus dedos e me puxou, me obrigando a ficar um pouco mais relaxada, enquanto adentrávamos a fronteira do desconhecido.
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