Savannah
As portas do elevador se abrem para o bar na cobertura da Financeira Campbell, e sou atacada por uma parede ensurdecedora de sons — risadas estrondosas, conversas gritadas e uma linha de baixo que faz minhas obturações vibrarem no ritmo.
Foi uma semana longa e ainda é quinta-feira. Sinto como se tivesse trabalhado oitenta dias em quatro.
Os olhos de Charlotte saltam das órbitas.
— p**a merda. É como o Lobo de Wall Street aqui em cima. Uma festa de salsicha financeira!
Quero dizer a ela que ela está exagerando, mas não está. Essa suposta festa de escritório de luxo se transformou em devassidão em apenas uma hora. Os caras estão estourando garrafas de champanhe premium de mil libras selvagemente, alheios ao fato de que estão encharcando seus ternos sob medida com preços igualmente obscenos. É um pesadelo de saúde e segurança.
— Calma, Charlotte — murmuro enquanto abrimos caminho pela multidão. Você pensaria que alguém misturou álcool com cocaína, do jeito que esses caras estão agindo.
— Olá, bonitão — ela ronrona, abrindo um sorriso para um analista que a fode com os olhos de volta.
— Calma, tarado — eu sibilo, puxando-a para trás antes que ela possa atacar. — Fique longe dos caras de finanças, tá? Eles não são nada além de problemas, acredite em mim.
— Estou apenas sendo amigável. Você não pode simplesmente colocar fita adesiva na minha boca. Embora… — Ela faz uma pausa, olhando para um grupo barulhento de ternos.
Dou um pequeno e estranho aceno para os membros sóbrios da equipe financeira.
— Certo, você pode flertar com Dennis, da Contabilidade, se realmente precisar disso. Aceno para o pobre Dennis, que toma sua bebida timidamente no canto, parecendo que preferiria estar em qualquer outro lugar. — Mas vou dispensá-lo depois de quatro drinques. Lembre-se, você também representa o RH hoje à noite .
Charlotte responde levantando descaradamente a bainha da saia alguns centímetros no ritmo da música.
— Caramba, o que você acha que eu vou fazer, subir no bar e tirar a roupa até ficar de calcinha?
— Não seria a primeira vez — murmuro, tendo flashbacks vividos dos nossos dias de universidade.
— Pare de mexer no seu vestido, mulher — Charlotte repreende, afastando minhas mãos enquanto eu tento inutilmente puxar o material colante para baixo sobre minhas coxas nuas. — Você está fabulosa. Você está me deixando ansiosa.
O vestido é mais curto do que eu costumo usar, com um decote mais profundo que mostra meus atributos. E acredite em mim, ninguém pode me acusar de ser magra demais para preencher um vestido.
— Estou gorda — resmungo, encolhendo a barriga.
— Você parece uma fada sexy. O verde realmente realça seu cabelo ruivo. — Ótimo, eu sou uma Sininho ruiva. Não era essa a vibe que eu queria.
— A minha b***a está tão grande nisso que vou precisar de um desses alarmes de ré para caminhões — eu gemo, me imaginando dando ré.
Ela solta um suspiro dramático e me puxa junto.
— Pare com isso, tá? Você é uma gostosa .
Pego duas taças de champanhe de um garçom que passa e coloco uma na mão de Charlotte quando vejo Robbie, um dos poucos caras decentes do setor financeiro, conversando com um grupo.
— Vamos lá. Eu cutuco Charlotte .
— Vamos dizer oi para Robbie.
Seus olhos se arregalam quando ele me vê, um sorriso se espalhando por seu rosto.
— p**a merda, Savannah, eu m*l reconheci você sem seus trajes poderosos.
Charlotte se agita ao meu lado.
— De nada — ela sussurra presunçosamente.
Faço uma careta, puxando conscientemente a bainha do meu vestido mais uma vez. Talvez Charlotte tenha razão.
— Obrigada — digo secamente. — Esta é Charlotte. Charlotte, Robbie.
— Prazer em conhecê-la, Charlotte. Ele aperta a mão dela, sorrindo.
Outro do grupo, um babaca bajulador chamado Brad, decide entrar na conversa com um assobio de lobo lascivo. — Droga, Srta. Jones. Você está gostosa pra c*****o esta noite. Quem diria que você estava escondendo tudo isso sob aqueles blazers desleixados?
Eu arqueio uma sobrancelha, nada impressionada.
— Por que você está me chamando de Srta. Jones? Eu não sou sua professora.
Seu olhar não vacila.
— Mas você pode me ensinar uma coisa ou duas a qualquer hora.
Eu o encaro com meu olhar mortal de RH mais fulminante, geralmente reservado para o bate-papo Enviar recibos falsos não é brincadeira. — Por mais lisonjeada que eu esteja com sua oferta charmosa, Brad, acho que vou recusar. Prefiro que meus alunos tenham um mínimo de inteligência e respeito pelas mulheres.
Os Caras das finanças soltou um — Ooh coletivo para a cortada e até Brad teve a decência de parecer envergonhado. Ótimo.
Robbie sorri e levanta o copo em saudação para mim.
— Acho que a diversão acabou agora que o RH está aqui — murmura Brad.
— Tenho certeza de que isso nunca o impediu antes — digo a ele friamente, arqueando uma sobrancelha.
— Mas tentem evitar que sua diversão se torne uma ofensa passível de demissão, ok?
Ele revira os olhos, resmungando algo que soa suspeitosamente como — desmancha-prazeres. Eu escolho ignorar, porque honestamente, eu não tenho paciência para lidar com essa merda dele hoje à noite. Não quando eu estou muito ocupada tentando não aparecer para a festa inteira com esse vestido.
Robbie sorri para mim, seus olhos calorosos.
— Ignore-os. É ótimo ver você em um desses.
— Do jeito que algumas pessoas agem em relação ao RH, você pode pensar que acabamos de invadir um ponto de drogas — murmuro, tomando um gole de champanhe.
Ele ri e então se vira para Charlotte.
— Você também trabalha em RH?
— Oh Deus, não! Ela estremece dramaticamente. — Vendo o estresse que Savannah está passando? Não, obrigada. Estou pensando em fazer teatro.
— Legal! Algo que eu possa ter visto?
Os olhos de Charlotte se iluminam.
— Eu ainda estou tentando alguns papéis.
Robbie parece devidamente impressionado.
— Uau, sério? Isso é um grande negócio.
— Sim. — Seu sorriso fica um pouco envergonhado. Ela franze o nariz.
— Ok, tudo bem. Eu fiz um gato uma vez em uma peça, mas p***a, eu fui o melhor gato melhor que aquele palco já viu.
Robbie ri, claramente encantado com suas palhaçadas.
— Eu não duvido nem por um segundo.
Um dos gerentes de conta aparece, batendo a mão no ombro de Robbie. — Desculpe, moças, preciso pegar ele emprestado por um minuto.
— Claro — eu digo despreocupadamente, mesmo com meu coração afundando. Lá se vai meu único aliado.
Charlotte agarra meu braço, suas unhas cravando em minha pele.
— p**a merda, Sah. Quem é aquele show de Homem ali?
Sigo sua linha de visão e meus olhos pousam em uma figura alta e morena do outro lado do bar barulhento.
Engulo em seco. Lá está ele. De colete. Com aquela p***a de peça de roupa que deveria ser proibida por quão pecaminosamente incrível faz ele ficar.
Ele está conversando com alguns executivos senior, parecendo um grande babaca no comando.
— É o Campbell — murmuro, minha voz tensa. — Pare de olhar na p***a dos olhos dele, pelo amor de Deus.
— Esse é o Campbell? — ela grita, seus olhos quase saltando das órbitas. — Esse é o chefe monstro sobre o qual você está sempre reclamando? Eu não acredito. O homem é incrivelmente lindo.
— Você poderia falar mais baixo? Eu sussuro, dando uma cotovelada nas costelas dela.
— Savannah, do jeito que você fala sobre ele, eu pensei que ele seria um sujeito meio ogro envelhecido com uma cara de b***a espancada.
— Ele tem 33 anos.
Ela solta um longo suspiro, abanando-se dramaticamente.
— Que pena. Esse tipo de beleza desperdiçada em um babaca.
Arrisco um olhar em sua direção e imediatamente me arrependo. Porque ele está olhando diretamente para nós.
Por um segundo, juro que vejo um lampejo de surpresa dançar em seu rosto enquanto ele observa minha roupa. Mas logo ele substitui por aquela máscara irritantemente vazia dele.
Dou um leve aceno de reconhecimento antes de desviar os olhos, minhas bochechas traidoras ficando quentes. A última coisa que preciso é que meu chefe me pegue olhando para ele em uma festa da empresa. Especialmente depois de todo o fiasco do gato.
— Ele está olhando para cá! — Charlotte grita.
Ah, pelo amor de Deus.
Tento guiar Charlotte na direção oposta, mas é tarde demais. Posso sentir os olhos de Campbell me perfurando.