Capítulo 8

1008 Palavras
Steven Preciso de ar antes de fazer algo que vai sair nos jornais de amanhã. Vou para a sacada, passando por um bando de socialites risonhas. A brisa fresca da noite é uma mudança bem-vinda do ar sufocante lá de dentro — exatamente o que preciso agora. Agarro o corrimão e olho para o mar de lanternas traseiras rastejando por Kensington. Tirando um charuto do bolso do meu casaco, acendo e dou uma tragada profunda e firme, saboreando a queimação em meus pulmões. Se alguma vez houve uma noite para se entregar a um vício ou dois, é esta. Esse Nathaniel do c*****o, ainda me irritando. Patético. Encostado no corrimão da sacada, exalo uma espessa nuvem de fumaça e tento aliviar minha raiva. O zumbido distante do trânsito cria um ruído branco. Soprando outra nuvem de fumaça, volto minha atenção para a rua abaixo, apenas para ser interrompido pelo zumbido insistente do meu telefone com uma notificação de e-mail. Pego meu telefone. Estou meio tentado a ignorá-lo, a chafurdar em meu uísque e na névoa nicotina sem interrupção. Mas o nome do arquivo que aparece — Diário de Terapia de Savannah — chama minha atenção. — Que diabos é isso? As primeiras linhas me atingem como um chute nas bolas. Engasgo com meu charuto, tossindo uma nuvem de fumaça. Querido diário, A maioria das pessoas não precisa eliminar todos os motivos pelos quais seus chefes as irritam. E elas certamente não inventam novos motivos para fazer isso todos os dias. Há algo muito errado com este homem. Sabe o que me faria sentir melhor? Enrolar a gravata i****a do Campbell em volta do seu pescoço grosso e musculoso e apertar até que aquela boca irritantemente presunçosa dele esteja me implorando por misericórdia. — Que diabos? — murmuro, meu charuto quase caindo sobre o corrimão enquanto minha mente grita. Pisco, meio convencido de que devo estar vendo coisas. Não tem como essas palavras estarem na minha tela agora. De jeito nenhum. Isso deve ser algum tipo de pegadinha. Uma pegadinha totalmente inapropriada, mas uma p***a de pegadinha. Porque não há a mínima possibilidade, neste universo ou em qualquer outro, de que minha recatada gerente de RH deixaria tais insultos imundos saírem daqueles lábios fortemente franzidos dela — muito menos colocar essa merda por escrito sobre mim. Nem em um milhão de anos. ...um tirano, controlador, um p*u grande que balança em suas calças... Eu aplaudiria a criatividade dela se eu não fosse o alvo do seu veneno literário. E ela não está totalmente errada em alguns desses pontos. A noite toda foi a mesma merda de sempre: pessoas fazendo fila para beijar minha b***a, me dizendo que sou um grande homem por doar dinheiro para suas causas favoritas, concordando com cada palavra que sai da minha boca. E agora, em meio a todos os sorrisos falsos e elogios vazios, finalmente recebo uma dose de verdade não filtrada. De Savannah Jones, de todas as pessoas. Agora estou tentando decidir se gosto dessa novidade. Certamente não estou acostumado a isso. Savannah nunca me bajulou antes, mas ela sempre foi rigidamente profissional e respeitosa na minha frente. Esses insultos parecem ter sido escritos por uma pessoa completamente diferente. Sua irmã gêmea furiosa e má. ...um i****a indo para seu evento chique ... Eu me pego puxando minha gravata borboleta, talvez a mesma maldita gravata que Savannah tem sonhado em usar para me sufocar. Quem essa mulher pensa que é para me desrespeitar desse jeito? Ela esqueceu que sou eu quem assina os cheques de pagamento dela? Aquele cujos prazos e exigências não são sugestões educadas, mas a maldita lei a ser seguida à risca, sem questionamentos ou resistências de qualquer tipo. Ela devia estar bêbada quando salvou essas barbaridades na nossa pasta compartilhada. Não há outra explicação para esse nível de suicídio profissional da minha gerente de RH certinha. Eu marcharia até ele, olharia bem naqueles olhos irritantes e diria: — Escute, Campbell. Tenho uma equipe de fazendeiros da Ilha de Wight trabalhando duro em um fogão quente para criar os petiscos mais caros conhecidos pelo homem. Então você pode pegar a sua invenção de reagendar a reunião e enfiá-la na sua b***a perfeitamente tonificada e vestida de Armani. Foda-se. Não consigo descobrir se estou me divertindo ou furioso. Empurro o corrimão enquanto uma imagem passa pela minha mente. Savannah Jones. Minha gerente de RH certinha. Só que agora ela é tudo menos certinha. Ela está me xingando com tanta raiva, que deixa meu p*u duro. Essa Savannah tem garras. Com aquele olhos verdes brilhando com fúria profana enquanto aquela boca sem limites dela, que está sempre jorrando regras e regulamentos, agora vomita as palavras mais sujas que já ouvi. Aquelas mãos minúsculas envolvendo minha garganta, unhas cravando em minha pele enquanto ela sibila exatamente o que pensa das minhas demandas. Porra. Foda-se. Eu gosto muito disso. Engulo em seco, horrorizado com a onda de calor percorrendo minhas veias. Isso deve ser um erro. Não tem como... Eu verifico a pasta duas vezes. Esta é a nossa pasta particular. Só eu e ela. Cristo, ela está tendo um colapso? Esta mulher trabalhou para mim durante cinco longos anos e tenho quase certeza de que nunca a ouvi dizer um "droga" ou "diabos", muito menos os palavrões que ela digitou aqui. Savannah Jones, a garota-propaganda da minha empresa é uma garota atrevida e feroz. Com alguns toques agressivos, abro a conversa e envio um convite, chamando-a para meu escritório ao amanhecer. A senhorita Jones cometeu o maior pecado do ambiente de trabalho hoje à noite. Esta não é uma rebelião comum no ambiente de trabalho — um prazo perdido ou uma cadeira jogada em um momento de fúria. Não, isto é um motim descarado. Savannah me desrespeitou em um nível que m*l consigo compreender. Infelizmente para ela, eu não sou apenas um "tirano, controlador e um babaca maníaco". Eu sou o tirano, o controlador, o pauzão que balança nas calças e que pode destruir sua carreira. Bons sonhos, Srta. Jones. Aproveite-os enquanto pode.
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