Lina despertou sentindo um braço envolvendo suavemente o seu corpo. Ao abrir os olhos, viu-se deitada sobre o peito de um estranho. Instantaneamente, flashes da noite anterior vieram à tona, como fragmentos de uma memória nebulosa.
Num esforço para juntar as lembranças, ela recordou ter procurado por sua mochila, encontrando-se ainda vestida com as roupas que carregava, enquanto uma toalha descansava desordenadamente no chão.
Dominik Wolfgang repousava ao seu lado, exibindo um semblante relaxado após o que parecia ter sido a melhor noite de sua vida. O ambiente denotava os vestígios de uma noite intensa e repleta de significados para ambos.
Um turbilhão de emoções a invadiu; a vergonha se misturou com a sensação dolorosa que surgia do seu interior. Era um misto de incredulidade e confusão diante do que acontecera: ela havia dormido com alguém e esse alguém era Dominik Wolfgang, um nome que parecia ecoar em sua mente como um redemoinho de interrogações.
A percepção de ter compartilhado a i********e com um estranho, mesmo que fosse alguém tão enigmático quanto Dominik Wolfgang, a deixou atordoada. Ela m*l conseguia recordar como havia adormecido tão rapidamente, ou mesmo como ele a acolhera naquela noite.
Lina se viu diante de um misto de sentimentos e questionamentos, tentando juntar os fragmentos de sua memória para entender como tinham chegado àquela situação. A confusão reinava em sua mente, enquanto tentava lidar com as repercussões e a imprevisibilidade daquela inesperada conexão.
O silêncio pairava no ambiente, rompido apenas pelos questionamentos que martelavam em sua mente. Sentia-se dividida entre a curiosidade e o desconforto, entre a estranheza da situação e a atração que aquele homem misterioso e sedutor havia despertado nela.
Dominik exibia um corpo marcado por inúmeras tatuagens, algumas das quais Lina conseguiu reconhecer como símbolos que representavam a matilha, um sinal claro do poder e da identidade intrínseca dele.
O dia seguinte revelava-se como um desafio para Lina. Ela se esquivou do corpo imponente de Dominik, sentindo um misto de receio e desconforto ao encará-lo. O impacto da noite anterior ainda reverberava em seu interior, desencadeando uma inesperada sensação de timidez.
Pela primeira vez, Lina sentiu-se desajeitada e insegura, receando a reação dele ao descobrir sua verdadeira condição. Vinda de uma família humilde e órfã, o peso da sua história acometia-lhe o coração, tornando ainda mais pesada a situação em que se encontrava.
Com um peso no peito, Lina moveu-se delicadamente, libertando-se dos braços protetores de Dominik, enquanto juntava suas coisas. A noite passada, sua primeira experiência como lobo, havia sido inesperadamente surpreendente. Sentia o animal interior em quietude, como se repousasse em um sono profundo.
Enquanto Dominik dormia, exibindo uma expressão serena e tranquila, Lina se sentia desconcertada diante da paz que parecia dominá-lo. Ela não sabia se deveria aguardar o despertar dele ou simplesmente partir, mas a percepção de que o dia já havia clareado sobre a montanha deixava-a hesitante.
A incerteza pairava sobre ela, assim como a dúvida sobre como deveria proceder naquela situação delicada. Enquanto observava o homem adormecido, questionamentos sobre seu futuro imediato permeavam sua mente. A necessidade de tomar uma decisão pairava sobre seus ombros, carregada com a inquietude de quem carregava um segredo em um momento de fragilidade e vulnerabilidade.
Como uma gata boralheira, ela decidiu fugir.
Lina desceu a montanha com uma pressa que ia além do habitual, seus passos ágeis buscando rapidamente o caminho de volta para casa.
Quando finalmente adentrou o pequeno bairro, um suspiro profundo escapou de seus lábios ao passar pelo portão de casa e percorrer o pequeno gramado onde as flores floresciam.
Ao cruzar a soleira da porta, avistou sua tia de pé, encarando a mesa. O olhar de cumplicidade entre as duas preencheu o ambiente, mas o peso da noite anterior pesava sobre Lina, como se o eco da experiência ainda ressoasse em sua mente.
"Finalmente, estava preocupada, querida. Onde estava?", questionou a tia, preocupada com o sumiço de Lina.
A jovem se aproximou em silêncio, mas foi somente ao se encontrar mais próxima que a ficha caiu. Uma sensação estranha, uma presença dentro dela, fez suas pernas enfraquecerem. Era como se ela sentisse a presença de Dominik em seu íntimo, algo perturbador e inesperado.
Era quase inapropriado, quase impensável, pensar na i********e compartilhada na noite passada. No entanto, o evento tinha acontecido e não podia ser ignorado.
"Passei a noite na floresta", respondeu Lina, tentando encontrar as palavras certas.
A tia se aproximou, curiosa para ouvir sobre a experiência de Lina na floresta e a transformação em loba. Estava fazendo o café pra poder ir para o trabalho.
"Como foi correr livre por aí? Gostou de se transformar em uma loba?", questionou a tia, num tom de incentivo.
"Sim, eu me senti livre e liberta. Sinto isso dentro de mim, titia. Foi uma noite... diferente. Mas não foi apenas isso", confessou Lina, tentando transmitir a complexidade dos sentimentos e sensações que a invadiam.
A tia, atenta aos detalhes, deslizou uma caneca para Lina, permitindo que observasse as roupas largas da sobrinha, o cabelo desalinhado e um semblante incomum, repleto de expressões novas.
"O que aconteceu, querida?", perguntou a tia Mary, erguendo a mão e puxando a de Lina, oferecendo-lhe apoio.
Os olhos de Lina se encheram de lágrimas, incapazes de conter a mistura de emoções e desafios que a noite anterior havia trazido à tona. Era um misto de confusão, vulnerabilidade e um novo capítulo em sua vida que ela ainda não sabia como lidar.
"O que foi?"
"Eu dormi com um homem essa noite. Eu não faço ideia do que eu fiz, tia. O nome dele é... O nome dele é... Dominik, Dominik Wolfgang!"
As palavras saíram como um sussurro.
As duas não tinham segredos.
Mary permanecia ali, imóvel, segurando a mão de Lina, processando as revelações da jovem.
A conexão entre elas era tão forte que segredos entre elas eram raros, mas as palavras proferidas por Lina naquele momento eram perturbadoras. Mary reconhecia a sinceridade inerente à personalidade de Lina. Sabia que a jovem não mentiria.
"Você passou a noite com Dominik Wolfgang, querida?", indagou Mary, estudando os olhos assustados da garota, em busca de alguma confirmação ou esclarecimento.
Lina não pôde evitar a inquietação em sua postura. Ela confirmou com um nó na garganta: "Sim, eu passei a noite com um estranho".
Erguendo-se, Lina começou a andar de um lado para o outro, a agitação nervosa tomando conta de seu ser, contrastando com a energia anterior que transparecera após sua experiência na floresta.
"Como isso aconteceu?", questionou Mary, tentando entender os detalhes do encontro e a mudança repentina na postura de Lina.
Lina suspirou profundamente antes de compartilhar:
"Eu estava correndo e ele apareceu, de alguma forma me fez voltar a ser humana. Ele falou comigo, mas aquela energia... Titia, juro que nunca vi nada igual. As palavras, o toque. Ele disse que foi levado lá, eu... Eu... Eu fiquei com ele".
A pergunta seguinte de Mary foi direta e surpreendente: "Você beijou o alfa, Lina?"
O espanto na voz da tia ecoava pela sala. Mary havia escutado rumores e a ideia de um alfa beijando Lina era algo que a intrigava profundamente.
O choque e a surpresa dominavam as expressões de ambas. Para Lina, a noite havia sido um turbilhão de sensações, um misto de confusão, admiração e um contato humano que ultrapassava as barreiras de sua compreensão. Para Mary, aquelas revelações criavam um cenário inesperado e repleto de interrogações.
"Beijar? Fizemos mais que beijar."
Então a ficha de Mary caiu, ela levou a mão na boca. Soube então que a luz da lua brilhava realmente pra ela.
"Você se entregou pra ele?"
"Não foi apenas eu, entende? Parecia que havia duas de mim."
"Você libertou a sua loba interior, Lina. Isso despertou ele. Você não sabe, mas era pra o nosso alfa ter indo no aniversário da filha dos Colin, rumores disseram que ele correu pra montanha sem se explicar. Entende isso?"
Lina desabou na cadeira, seus ombros rebaixados pela decepção e incerteza.
"Eu sabia que era o alfa. Mas não consegui fazer nada. Ele tinha um olhar, uma maneira de ser. A energia que vinha dele, céus, titia, era incrível", murmurou Lina, compartilhando sua experiência com a tia Mary.
"Ele abusou de você, Lina? Ele a forçou a fazer algo?" Mary indagou, ansiosa, em busca de garantias de segurança para sua sobrinha.
"Não, ele não me forçou", respondeu Lina, aliviando Mary e amenizando suas preocupações.
"Como você está se sentindo?" perguntou Mary, buscando entender a complexidade das emoções que Lina estava enfrentando.
"Deixei-o para trás. Corri até sair da floresta", disse Lina, revelando sua reação imediata após o encontro.
"Dormiram juntos?", indagou Mary, tocando num assunto delicado, e Lina admitiu: "Dormir não foi bem o que fizemos".
Mary ficou surpresa e um tanto preocupada: "Lina?"
"Eu disse que foi diferente. Ele é bonito. Tem tatuagens e um olhar cativante. Ele me tratou tão bem, foi tão gentil", defendeu-se Lina, tentando expressar o lado positivo da experiência.
"Ele disse alguma coisa?", Mary tentou entender mais sobre o encontro.
"Não sei se ele sabe o meu nome. Mas isso já passou. Foi uma noite diferente, algo que talvez fosse necessário fazer", disse Lina, tentando encontrar um significado na experiência.
Mary riu levemente antes de trazer uma informação surpreendente.
"Já ouviu falar sobre as escolhidas da lua, Lina?"
"O que é isso?", indagou Lina, perplexa com a novidade.
"São mulheres destinadas a serem companheiras dos alfas. Dizem que são predestinadas desde pequenas e, quando completam a maioridade e são puras, têm um encontro com o alfa. Ele pode aceitar ou negar. Mas, uma vez escolhida, essa posição faz com que a companheira seja desejada por todos os lobos da matilha. Elas possuem um poder interno, entende?", explicou Mary, revelando um aspecto misterioso e significativo que poderia estar envolvido na experiência de Lina.
As palavras de Mary abriram um mundo novo de possibilidades e mistérios para Lina, aumentando a complexidade da experiência vivida na noite anterior e deixando-a com perguntas e interrogações que preenchiam sua mente.
Mas não demorou a ficha dela cair naquilo.
"Eu não acho que isso seja possível. Veja, somos de uma família inferior. Já viu como os grandes da matilha andam? Ele não me conhecia, acho que isso ajudou ele a ficar comigo."
"Onde quer chegar, Lina?"
"Titia, eu sou uma empregada, alguém desconhecida na matilha. Acha mesmo que alguém como aquele homem vai se interessar por alguém como eu?"
Mary ficou triste com as palavras.
Ela não estava errada, havia critérios sobre as escolhidas.
Elas geralmente não vinham de famílias como aquela.
Lina talvez tivesse razão, mas Mary não queria essa inferioridade dentro da garota. Era triste.
Mary ficou de pé e puxou a mão dela.
Naquele instante, Lina sentiu sua tia acariciando sua alma, oferecendo-lhe conforto e um vislumbre de esperança. Mary era o porto seguro de Lina, alguém em quem confiava para enfrentar os desafios e incertezas da vida.
"Vem."
"Titia?!"
As duas se encontraram diante do pequeno espelho na sala, permitindo que vissem o reflexo de seus rostos. Mary gentilmente afastou o cabelo de Lina para o lado, como um gesto de apoio e carinho.
"Não importa de onde você venha", Mary começou, escolhendo suas palavras com cuidado, "você vai se tornar uma mulher linda. Alguém que merece o melhor pretendente. Alguém que vai olhar quem você é, não o que você tem."
Aquelas palavras carregavam um poder reconfortante, e a expressão no rosto de Lina se suavizou enquanto suas lágrimas se misturavam com um sorriso tímido. O apoio incondicional de sua tia a lembrava de que ela era muito mais do que suas origens ou circunstâncias. Mary a via como uma jovem de valor e potencial, alguém que poderia alcançar a plenitude de sua identidade, independente do que o futuro reservava.
"Titia, você sempre encontra as palavras certas", Lina sussurrou com gratidão, segurando a mão de sua tia. A sensação de esperança começou a brotar em seu coração, e ela estava determinada a abraçar seu próprio potencial, mesmo nas circunstâncias desafiadoras que a vida lhe impunha.
Mary sorriu com ternura para sua sobrinha, sentindo-se satisfeita por ter conseguido transmitir a mensagem de empoderamento e autoaceitação. Ela sabia que Lina enfrentaria desafios, mas também estava ciente da força e da resiliência que a jovem possuía.
"Você é especial, Lina", Mary disse com convicção, "e não importa de onde você veio. O que importa é quem você é e o que está destinada a ser."
Lina riu, sentindo-se maravilhosa.
"Mas hoje, eu ainda estou destinada a trabalhar. Me deixe tomar um banho, tudo bem? Ainda sou a nova Cinderela!"
"Eu queria ter dado uma vida melhor e com mais oportunidade."
Lina se virou e beijou o rosto dela.
"Você me deu a oportunidade de viver."
"Você me fez sorrir."
Sem falar mais nada a garota saiu. Aquela era Lina.
Ao adentrar o quarto, Lina permitiu-se afundar na cama, um suspiro escapando de seus lábios. Seu corpo exibia uma sensação peculiar. Na noite anterior, não se limitara a sentir a transformação em uma loba ágil e ávida, mas também experimentara a sensação de ser uma mulher.
O toque de Wolfgang ainda reverberava em sua pele, como se seu corpo guardasse uma memória vívida daquele encontro. A aura que emanava dele, repleta de vigor e magnetismo, a deixava em um estado de estranheza.
Ela se viu mergulhada em pensamentos incomuns. A atração e a força que ele transmitia a deixaram em um estado de vulnerabilidade emocional, questionando-se sobre a intensidade da conexão estabelecida naquela noite. Era um território desconhecido, e Lina se sentia envolta em uma aura de perplexidade diante da influência marcante que aquele homem misterioso exercia sobre ela.
"Ele não é homem ou lobo pra você, Lina."