"Ahm, desculpa, o quê?"
Ela devia ter ouvido errado. Enfiou o dedo no ouvido, mexeu um pouco e inclinou a cabeça para o lado, se perguntando se por acaso não tinha entrado água no ouvido durante o banho naquela manhã. Ele tinha realmente dito que iam fazer baldes de p***a?
Olhou ao redor da sala de novo, esperando alguém pular de algum canto gritando que era uma pegadinha.
Seguiu Nick de perto, perplexa. Não havia possibilidade alguma de Nick, O rabugento Santos estar sorrindo como um maníaco diabólico, esfregando as mãos e caminhando em direção às cozinhas do laboratório com a intenção de fazer doces de p***a. Mas ele estava. Eufórico.
Ele parou tão abruptamente que ela quase bateu nas costas dele. "Precisamos das latinhas pequenas."
"Que latinhas pequenas?" Confusa não era suficiente para descrever como ela se sentia.
"As que usamos para os doces efervescentes. Aquelas latinhas pequenas de refrigerante que usamos quando estávamos testando novos sabores, fizemos um monte delas aqui na cozinha." Ele mostrou com os dedos uma medida de alguns centímetros. "Tenho certeza que ainda temos algumas por aqui."
Começou a vasculhar um dos armários e logo puxou uma caixa de papelão. "Sim!" Ele ergueu o punho no ar, satisfeito. Pequenas latas prateadas, seguras para alimentos e sem rótulos, chacoalharam dentro da caixa sobre o balcão.
Ela estava em um universo alternativo. Só podia ser isso. Ou talvez ainda estivesse dormindo e tudo isso fosse um sonho. Ele estava até assobiando enquanto procurava pelos ingredientes.
Grier beliscou sua coxa. Não. Ela estava definitivamente acordada. Muito acordada. Esfregou o lugar onde havia se beliscado e continuou observando Nick.
"Faz tempo que eu não me sentia tão inspirado assim." Ele piscou para ela. "Desde a vez em que meu pai me colocou de castigo por eu ter moído anis-estrelado e misturado na caixa de canela da minha mãe. Todos os bonequinhos de gengibre dela ficaram extra picantes."
"Sua mãe tem uma caixa de canela?"
"Ela leva os biscoitos de gengibre muito a sério. Fez mais de dois mil bonequinhos e todos tinham gosto de alcaçuz. Ela ficou furiosa e chorou." Ele parou por um instante, pensativo. "Cara, minha b***a doeu por uma semana por ter feito ela chorar. Eu realmente me senti m*l, porque ela é minha mãe e não era minha intenção deixá-la triste."
Ele deu de ombros e continuou mexendo nos armários. "Por outro lado, como eu adoro alcaçuz, acabei ficando com todos os biscoitos só para mim. Fingi que estavam horríveis, mas minha mãe poderia assar um cocô de cachorro e ainda assim ficaria gostoso. Comi todos em menos de um mês."
Ele suspirou, satisfeito, e voltou à busca por ingredientes.
"Por que você colocou anis-estrelado no gengibre da sua mãe?"
"Acho que eu só queria que ela me visse e prestasse atenção em mim. E bom, consegui a atenção deles. O sapato tamanho 44 do meu pai na minha bunda."
Ele congelou por um momento, percebendo que suas palavras eram verdadeiras, e então pegou uma panela gigante antes de soltar um suspiro. "Você já se sentiu deixada de lado quando era criança?"
"Sim. Acho que quando minha prima Candy nasceu, mas não durou muito. Normalmente, nós éramos o centro do mundo de todo mundo lá em casa."
"Você tem uma prima chamada Candy?" Ele interrompeu a história dela segurando seu antebraço.
"Sim. Acredite se quiser, o nome dela é Candilicious, mas chamamos de Candy para encurtar."
"O quê?" Ele arregalou os olhos, incrédulo. "Por quê?"
"Meu pai tem alguns negócios na nossa cidade natal, todos passados de geração em geração. Nosso sobrenome é Bush. Ele administra a fazenda de árvores de Natal e tem um rancho, então, crescendo, todo mundo zoava a gente porque nosso sobrenome era Bush e a gente cultivava árvores, que aparentemente são apenas arbustos altos." Ela resmungou.
"Minha mãe administra a padaria, que se chama Bush’s Bakery. Eles também têm uma pousada, e a padaria fica junto, chamada Big Bush B&B. A gente foi ridicularizado a vida toda por causa do nosso sobrenome, mas como ele é muito conhecido na cidade, minha tia, que é irmã do meu pai, sempre teve muito orgulho dele. Quando ela se casou, teve que abrir mão do nome de solteira e, como não queria que os filhos perdessem a conexão com a cidade, decidiu dar nomes marcantes para que eles se destacassem na comunidade."
"Ela deu à filha dela um nome de dançarina de boate. Se fosse Candace, beleza, mas Candilicious?"
"O sobrenome do meu tio é Sugarloaf."
"Mentira! Você tá de brincadeira comigo. Candilicious Sugarloaf?"
"O irmão mais velho dela se chama Cain Sugarloaf."
"Não." Ele largou uma colher de metal grande no balcão. "Eu não acredito em você."
Grier pegou o celular no bolso da calça e abriu suas redes sociais. "Aqui, olha. Minha tia, meu tio e os dois filhos deles na frente do restaurante da família em Coldreach."
Nick pegou o celular dela e deu zoom na foto, analisando a placa acima da loja. "O que é esse lugar? Sugar and Loaf?"
"Sim. É um…" Ela coçou a nuca. "É um restaurante que se especializa em bolo de carne."
"Bolo de carne?"
"Sim. O prato principal deles é um bolo de carne agridoce com molho de abacaxi e tomate. Minha tia queria algo que combinasse com o nome da família." Grier sabia o quão bizarro aquilo soava.
"Eles fazem um bolo de carne doce?"
"Não é muito minha praia, mas muita gente adora."
“Você tem um bolo de carne favorito?” Ele está rindo agora enquanto pergunta, murmurando algo sobre carnes doces.
“Ela faz um bolo de carne de peru que é recheado com uma farofa no meio, e é coberto com um molho rico. Surpreendentemente, é bom. Minha tia não é uma cozinheira r**m, mas, de todas as coisas para usar como truque, bolo de carne me parece estranho. De qualquer forma, quando eles estavam começando o negócio, ela queria nomes que combinassem com o Sugar de Sugar and o Loaf de Loaf, e voilà. Ela continuou a tradição com Cain e Candy.” Ela está maravilhada com a mudança de humor dele. Ela continua se perguntando se vai acordar desse sonho e se encontrar dormindo na sua mesa com ele em pé em cima dela cuspindo fogo e enxofre.
“Os filhos dela se chamam Candy Cane.” Ele joga a cabeça para trás e ri, “meu pai ficaria muito feliz com isso. É tão i****a que chega a ser engraçado.”
“Ei!” Ela faz uma careta para ele.
“Desculpa.” Dá para ver pelo sorriso dele que ele não está nem um pouco arrependido.
“Quais são os nomes das suas irmãs?” Grier muda de assunto.
“Elas são gêmeas. Noelle e Star.”
“Nick, Noelle e Star. Seus pais gostam do Natal?”