Pré-visualização gratuita Capítulo 01 - Ana
Eu sou Ana Lins, tenho 19 anos, loira, com olhos verdes que refletem tanto a esperança quanto a dor de uma vida cheia de desafios. Meu corpo é motivo de inveja para muitas, mas por trás dessa aparência está uma história que poucos conhecem.
Desde o início da minha vida, foi marcada por circunstâncias que fogem ao controle de uma criança. Sou filha de viciados, pessoas que deixaram suas próprias batalhas internas definirem nosso destino. Em um ato desesperado e cruël, meus pais me entregaram à família do Sr. Afonso como pagamento de uma dívida. Para eles, eu era apenas mais um fardo que não podia carregar.
Porém não sei, se é isso mesmo: foi isso que me foi passado, Acredito que nenhum pai venderia, ou trocaria sua filha por causa de dívida de drogäs, principalmente para ser uma escrava. Não importa quão pobre sua família seja, você tem que ser amado, e detalhe eu era apenas uma criança de 7 anos, quando tudo aconteceu. Vejo algumas criança vizinha que também é pobre, mas é amada por seus pais.
Fui acolhida por Ester, uma senhora de idade que, apesar das limitações da vida, se tornou meu porto seguro. A senhora que carinhosamente chamo de tia, mesmo sem nenhuma ligação sanguínea, Ela me ofereceu o que meus pais nunca puderam: proteção e carinho incondicional. Com ela, aprendi sobre o amor verdadeiro. Tia Ester me ensinou tudo o que sei hoje — Desde como cozinhar pratos simples até a importância de valorizar cada pequeno momento da vida.
Através dela, descobri minha força interior e a capacidade de sonhar em meio a tanta adversidade. Embora meu passado seja repleto de dor e abandono, estou determinada a moldar meu futuro com esperança e coragem. Minha jornada está apenas começando, e estou pronta para enfrentar o mundo e escrever minha própria história.
Com apenas 10 anos, comecei a ser assediada por Kevin, o filho mais novo do Sr. Afonso. Sou a faz-tudo da casa. Com o passar do tempo e as mudanças no meu corpo, minha vida começou a se complicar ainda mais.
Minha rotina se resume a lavar, passar, cozinhar e, principalmente, me esquivar das investidas dele. Cada dia é uma batalha silenciosa para manter minha dignidade intacta em um ambiente que se tornou opressivo. Um episódio que jamais esquecerei ocorreu quando peguei Kevin me espionando enquanto tomava banho. Naquele momento, a sensação de vulnerabilidade tomou conta de mim.
Decidi fazer queixa a Dona Suzana, acreditando que ela me apoiaria. Para minha surpresa, sua reação foi brutal: ela simplesmente disse que seu anjinho não poderia ter feito algo tão horrível. Em vez de proteção, recebi um tapa e fui punida com um dia inteiro sem refeição. Essa experiência me ensinou que, na casa do Sr. Afonso, minha voz não tinha valor algum.
Com o passar dos anos, muitas coisas aconteceram que prefiro não lembrar. Cada lembrança é como uma ferida aberta que nunca cicatriza completamente. Mas uma coisa é certa: essas experiências moldaram quem eu sou e me deram uma força que eu nunca soube que possuía.
Kevin nunca desistiu de me perseguir. Suas intenções, cada vez mais claras, não passaram despercebidas pelos pais e pelo irmão dele. Essa situação se tornou um campo de batalha dentro da mansão, gerando inúmeras brigas entre eles. E adivinha quem sempre acaba pagando o pato? Eu. Parece que ele se alimenta do meu sofrimento, do desespero estampado em meu rosto.
Um dia, enquanto eu juntava as roupas para lavar, o mundo ao meu redor simplesmente escureceu. Não tenho memória do que aconteceu, nem de quanto tempo fiquei desacordada. Quando comecei a recobrar a consciência, o que ouvia era um turbilhão de vozes, um coro caótico que me deixava ainda mais atordoada. No meio daquela confusão, a voz de Dona Suzana ecoou, carregada de fúria e nojo:
— Você tá louco? — Como pode engravidar essa empregadinha? — Ela vai tirar! — Não quero o meu sangue misturado com o sangue dessa sem classe nojentä!
E então, a voz de Kevin, com uma possessividade arrepiante, retrucou: — Ela não vai tirar o meu filho!
Aquele momento foi a gota d'água. A gravidez, resultado da violência e do assédio implacável de Kevin, se tornou o novo palco do meu tormento, expondo a crueldadë e o desprezo da família para a qual fui entregue. Meus pensamentos estavam um turbilhão de medo e incerteza, mas fui abruptamente arrancada deles pela voz de Dona Suzana, que ecoava numa fúria contida:
— Kevin, eu não quero um neto bastardo! — O que a família da Soraia vai pensar quando descobrirem isso? — Pense, meu filho, essa imundä não é digna de carregar um herdeiro dos Rodrigues!
Aquelas palavras, carregadas de preconceito e desprezo, me atingiram como um golpe. Ser chamada de Imundä e ter meu valor questionado por causa de uma gravidez indesejada era insuportável.
Eu nunca sequer imaginei ter algo com esse infelïz de livre e espontânea vontade. Talvez se tivessem tomado alguma providência quando eu falei a primeira vez não estaria passando por isso agora.
Kevin, no entanto, não cedeu. Sua voz, firme e desafiadora, respondeu à mãe:
— Mãe, isso não é motivo para discussão. Ela não vai tirar o meu filho, e pronto! — E outra, que se dane a família da Soraia! — Por que você não casa ela com o Diego, que é o mais velho?
A sugestão de Kevin apenas jogou mais lenha na fogueira. Dona Suzana, com um plano ardiloso em mente, revelou seus verdadeiros objetivos:
— Porque o Diego já está prometido a outra família. E você vai casar com a Soraia para unir nossos poderes, meu filho! — Vamos nos tornar a família mais poderosa aqui na Venezuela! — Depois que você e Diego se casarem, ninguém mais segura o poder da família Rodrigues!
O plano era claro: usar os filhos como peças em um jogo de poder e alianças.
Kevin, em um rompante de teimosia, reafirmou sua decisão:
— Já disse que meu filho, ela não vai tirar.
As lágrimas escorriam pelo meu rosto enquanto eu tentava reunir coragem para encará-lo. — Você não devia ter feito isso comigo, — Eu disse, a voz embargada pela dor. — Já não bastava o que você fez? — Você é um miserável, Kevin! — Mäl terminei de falar e senti um tapa forte em meu rosto, fazendo com que o gosto de sanguë invadisse minha boca.
— Quem você pensa que é, sua imundä, para dizer isso do meu filho? — Sua Oportunista! — Gritou Dona Suzana.
Mas antes que ela pudesse se aprofundar em sua raiva, — Ouvi a voz do kevin: — Chega, mãe! — Ele se colocou ao meu lado, como se tentasse me proteger.
— Sai de perto de mim, seu monstro! — Eu gritei, a revolta transbordando em cada sílaba.
— Eu não vou sair! — Ana, você é minha e eu quem dou as ordens aqui, — Ele respondeu com uma possessividade doentia que me fez sentir ainda mais Raiva.