Respiro fundo, tentando manter o tom calmo, não quero me estressar uma hora dessa. — Porque era só o que faltava! — Foi só um gole, Ana. — Ergo o copo. — É pra esquentar o sangüe. — Pra esquentar o sangüe? — Ela repete, indignada. — Caio, olha pra você! — Tá com o olho vermelho, o rosto abatido, e vem me dizer que é — Só um gole? — Tu não entende — Murmuro, desviando o olhar. — E outra não sei o porquê desse chilique todo? — Entendo sim! — Ela rebate, firme, e vejo preocupação em seus olhos. — Eu entendo o suficiente pra saber que o que tá te matandö não é o líquido — É o que você tenta esquecer com ele. Olho rapidamente pra cara dela, sem dizer nada. Sinto a raiva crescer em mim, o silêncio fica pesado entre nós. A bicha é desaforada. Ela se aproxima devagar, o olhar cravado em mim

