— Yeollie, por que isso está acontecendo? Eu me sinto um louco que criou outra vida!
Estávamos sentados no sofá da sala, Baekhyun estava agarrado em mim em prantos há horas, andamos por toda a cidade, falamos com os advogados dos meus pais, tentamos outras escolas e até mesmo a internet, mas nada, nenhum sinal de vida dele. Já era dia vinte e quatro de dezembro e não conseguimos nada.
— Calma neném, a gente vai conseguir encontrá-lo. Mas eu peço que tenha um pouco de paciência. A gente vai ter que esperar até o depois do natal para fazer qualquer outra coisa. Eu conheço um bom detetive, se ele não encontrar ninguém mais encontra.
— Tudo bem. – sussurrou.
Ouvimos um barulho da porta sendo aberta.
— Oh! Meu filho, você está aqui desde quando?
— Desde ontem mamãe! Chegamos cedo. Esqueceu que eu viria?
— Eu estava tão atarefada com as papeladas do hospital. Eu já nem sabia mais quem não viria, se era você ou Yoora, e achei que eram os dois.
— Eu disse antes mesmo de ir para Londres que voltaria no natal mamãe.
— Tudo bem, tudo bem! É que não sei se sabe, mas seu pai comprou o hospital, agora estamos ainda mais atarefados e -
— Isso não me surpreende. Eu estou indo embora dia vinte e cinco à tarde, não se preocupe, eu só queria que conhecesse o meu namorado.
Acho que só agora ela notou que não estávamos sozinhos na sala.
— Oh! Você deve ser o Bae... Bae...
— Baekhyun. – o menor deu um sorriso gentil e se curvou cumprimentando a minha mãe. – Prazer senhora Park.
— Não precisa dessas formalidades. Pode me Chamar de JiHee. Você é tão lindo! – apertou as bochechas do menor e puxou para um abraço. – Espero que cuide do meu bebê e dê a ele todo o carinho que eu não consegui dar. – sussurrou no ouvido do meu pequeno, alto o suficiente para que eu ouvisse também. – Eu vou descansar um pouco, daqui a pouco Jongsoo está em casa, eu farei a comida para que façamos uma refeição todos juntos.
— Por que o papai já não veio com a senhora?
— Teve uma consulta agendada em cima da hora, mas logo ele chega. – ela deu um beijo na cabeça de cada um e se encaminhou para seu quarto.
(...)
Ainda bem que conhecia a família que tinha, se eu fosse ainda aquela criança que criava esperanças a cada promessa que era feita, nesse momento estaria no chão do meu quarto chorando.
Meu pai não voltou para casa naquela noite, e minha mãe voltou para o hospital para ajudá-lo em uma cirurgia.
Baekhyun e eu jantamos em silêncio e depois fomos para sala ver um filme, eu fiquei com a cabeça deitada em seu colo enquanto ele acariciava meus cabelos. Baekhyun sabia o quanto eu me sentia quebrado por dentro, e palavras não me colariam de novo, mas seu amor sim.
Ouvi a campainha tocando, Baekhyun colocou uma almofada embaixo da minha cabeça e foi abrir a porta. Nem precisava ver quem era. Eu podia ouvir as vozes de Sehun e Luhan.
— Yeollito! Deixa de tristeza! Vamos nos divertir.
— Não to afim de sair hoje! – respondi manhoso.
— Quem falou em sair? Eu Trouxe jogos!
(•••)
Da última vez que decidimos fazer jogos foi um tremendo desastre, mas ao mesmo tempo bom, pois foi naquela noite que meu namoro com o Baekkie começou.
Mas ao contrário da última vez, ficamos apenas jogando banco imobiliário.
— Então como descobriram o meu endereço? – disse andando duas casinhas e contando o dinheiro para comprar a propriedade.
— O Baek mandou uma mensagem dizendo que o clima aqui tava meio pra baixo. – disse Luhan jogando o dado.
— É, se eu soubesse teria vindo só no dia vinte e cinco mesmo e ido direto para Jeju.
— Ah Channie, acontece. Toda família às vezes fica um pouco desunida.
— Mas o que você não entende Lu é que minha família sempre foi assim. Se vocês não estivessem aqui hoje, eu estaria sozinho, como já aconteceu muitas vezes. Meus pais nunca foram bons pais e acaba que com isso eu me apego muito fácil as pessoas e isso sempre acaba me magoando no fim.
— A gente não vai te magoar Yeollie. – os três pularam em cima de mim me dando um abraço de urso.
— Mesmo com o pouco tempo que passamos juntos eu amo vocês. – disse sorrindo.
(...)
— Pena que vocês já têm que ir embora! – disse meio triste.
— A gente prometeu passar a meia noite com a minha família. Mas nos vemos amanhã à tarde. Vamos pegar o mesmo voo. E só vamos dar os presentes amanhã também. Compramos lembrancinhas para agradar a todos. – disse Sehun sorrindo.
— Tá, até amanhã. – fechei a porta e voltei para a sala me jogando no sofá.
— Está melhor?
— Muito. Mesmo eles não podendo passar a noite aqui eles fizeram meu natal bem mais feliz.
— Que bom. E... Agora a gente pode curtir um pouco.
Baekhyun me puxou pela nuca para um beijo feroz, logo ele estava rebolando no meu colo intensificando ainda mais aquele beijo ardente que fazia meu corpo pegar fogo.
O peguei no colo e fui em direção ao meu quarto.
Nossas roupas rapidamente foram parar no chão, nossos corpos estavam unidos. Seus gemidos me deixavam cada vez mais louco.
Eu gostava do seu cheiro, do seu toque e do som da sua voz. Eu o amava!
Aquela noite não tinha como terminar melhor. Enquanto o mundo comemorava aquela noite em família entre risos e brincadeiras, eu estava concentrando apenas em sentir o corpo do meu pequeno sobre o meu.
(•••)
Já estávamos no aeroporto rumo a Jeju, era um voo de 45min até a ilha. Estava muito frio e ameaçando nevar, eu fiquei com muito medo de cancelarem os voos, mas deu tudo certo, já era 17h00 da tarde e estávamos indo para o chalé da minha família.
Jongin disse que já estava tudo preparado, ele chegou hoje cedo, Baekhyun, Luhan, Sehun e eu chegaremos à tarde, mas o resto do pessoal só chegará à noite.
(...)
Já eram 18h30 quando chegamos em casa.
— Hyung... Eu estava com muita saudade. – disse Jongin me abraçando assim que passei pela porta.
Como sempre, Kyungsoo estava com a cara fechada sentado no sofá, sua atenção estava totalmente voltada para algo que fazia no celular, apenas acenou para nós sem nem ao menos desviar os olhos do aparelho.
— Bom, Baekkie e eu vamos fazer o jantar para estar tudo pronto quando os outros chegarem.
— Chen te disse que o Suho vai vir com eles?
— Não, na verdade eles só disseram que ia trazer um amigo. Não acha que vai ter problema né?
— Não, o Lay estava bêbado, acho que já deve ter esquecido aquilo tudo. Nossa, aquele fim de ano foi inesquecível. – disse Jongin rindo. – Seus amigos não iam vir contigo?
— Eles vieram, param no mercado da esquina para comprar uns doces, Luhan ta com abstinência de açúcar.
— Não é só isso, o Luhan tem medo de altura e já teve que suportar dois voos nos últimos dias. – disse Baekhyun, sua voz saía quase como um sussurro, suas bochechas estavam rubras e de longe era notado à vergonha que sentia de estar com meus amigos.
— Ah... – dissemos em uníssono.
Depois desse assunto fomos para a cozinha preparar o jantar, Baekhyun picava alguns temperos e legumes enquanto eu preparava a carne.
"AH! NÃO ACREDITO!" pude ouvir Jongin gritar, deixei Baek na cozinha e fui ver o que estava acontecendo.
Jongin e Sehun estavam abraçados como se conhecessem a décadas e Luhan estava com os braços cruzados olhando a cena com uma cara de poucos amigos.
— Vocês se conhecem? – perguntei.
— Claro! Estudamos juntos, e até...
— Éramos amigos quando criança. – cortou Sehun, pela atitude dele eu percebi o que Jongin ia dizer... E Luhan também.
— Hm, tá... Jongin mostra o quarto deles. Eu vou voltar para a cozinha. Cadê o Kyung?
— Foi fazer um trabalho da faculdade.
— Nas férias?
— É um trabalho para quando voltar, ele tem tipo que escrever um script... Ninguém mandou ele querer fazer faculdade de cinema. Enfim, vou mostrar os quarto.
Eu voltei para a cozinha para terminar o jantar.
(•••)
Baekhyun POV
Quando faltava pouco para a comida ficar pronta, Chanyeol me deixou ficar na cozinha cuidando de tudo e foi ficar na sala com quem tinha acabado de chegar.
Eu estava colocando a comida em travessas, já estava tudo pronto, eu pude ouvir altas risadas vindas da sala, era bom se sentir em casa e em família. Fiquei muito triste de não ter notícias do meu irmão, eu achei que depois de vir para Coreia eu iria o encontrar, mas parece que ele nunca existiu, é tudo tão estranho.
Mas não vou desanimar, eu sei que meu Yeollie vai fazer de tudo para me ver feliz, ele disse que ia conseguir encontrar e ele vai.
Deixei tudo pronto na cozinha e peguei aos pratos na cozinha para colocar a mesa.
Mas quando cheguei à sala minhas mãos tremeram e eu não acreditei no que meus olhos viram. Os pratos caíram no chão fazendo um barulho alto e parando com a conversa.
Chanyeol veio até mim para me ajudar.
— Está tudo bem? – sussurrou.
— Yeollie, ele está aqui.
— Eu sei, eu não queria que ele viesse mas eu não pude evitar.
— Como assim? Desde quando você sabe?
— Desde hoje cedo, nunca que eu ia imaginar que ele conhecia o Tao e que estavam namorando. A vida surpreende né?
— Espera, do que tu tá falando?
— Do Kris. Não era dele que tu tava falando?
— Não! Yeollie... Meu irmão está aqui! – sussurrei.
— JUNDAE! – gritou Chanyeol chamando a atenção de todos que tinham voltado a conversar.
— O quê? – eles responderam em uníssimo.
Agora eu estava realmente confuso!