Capítulo 15

1004 Palavras
O silêncio que tomou conta do escritório depois das palavras de Alexander parecia mais pesado que antes. Helena ainda estava apoiada na mesa, sentindo o coração bater rápido demais e não era apenas por causa do beijo que tinham acabado de trocar. — Peça central? — ela repetiu. Alexander passou a mão pelo cabelo, um gesto raro de tensão. — Sim. — Isso deveria me preocupar? Ele a observou por alguns segundos, como se estivesse medindo a resposta mais honesta possível. — Um pouco. Helena soltou um pequeno suspiro e se afastou da mesa, caminhando lentamente pelo escritório. — Você tem um talento impressionante para colocar minha vida em situações perigosas. — Eu não pretendia que fosse assim. — Mas foi. Alexander não discutiu. Ele sabia que ela estava certa. Helena parou diante da janela, olhando a cidade abaixo deles. — Quem é essa pessoa que reagiu? Alexander caminhou até ela, mas manteve certa distância dessa vez. — Viktor Sokolov. O nome não significava nada para Helena, mas o tom de voz dele dizia tudo. — Um rival? — Algo pior. Ela virou o rosto. — Explique. Alexander apoiou as mãos nos bolsos do terno. — Anos atrás, nossas empresas fizeram um acordo para dividir certos mercados. Era uma forma de evitar conflitos diretos. — E agora? — Agora ele acredita que eu estou quebrando esse acordo. Helena franziu a testa. — Por causa de mim? — Em parte. — Isso não faz sentido. — No mundo dele, faz. Alexander se aproximou um pouco mais. — Ele acredita que qualquer mudança no meu círculo de confiança significa uma mudança estratégica. Helena cruzou os braços. — Então aparecer ao seu lado em público virou uma declaração de guerra? — Algo próximo disso. Ela soltou uma pequena risada incrédula. — Eu não sabia que minha presença tinha tanto poder. Alexander olhou diretamente para ela. — Nem eu. O silêncio voltou, mas agora havia algo diferente nele. Mais intenso. Helena percebeu quando ele se aproximou novamente. — Você ainda pode sair disso — ele disse. Ela arqueou uma sobrancelha. — Sair? — Eu posso resolver tudo sozinho. — E me mandar embora da sua vida? A pergunta saiu mais carregada do que ela pretendia. Alexander ficou em silêncio por um momento. — Não foi isso que eu disse. — Foi o que pareceu. Ele passou a mão pela nuca, pensativo. — Helena… meu mundo é complicado. — Eu já percebi. — Pessoas como Sokolov não jogam limpo. Ela se aproximou dele novamente. — Você está tentando me proteger ou me afastar? Alexander segurou o olhar dela. — Os dois. Helena ficou alguns segundos em silêncio. Então balançou a cabeça levemente. — Tarde demais. Ele franziu a testa. — O que quer dizer? — Eu já estou dentro disso. Ela gesticulou em direção ao escritório, à cidade, a tudo ao redor. — Já apareci ao seu lado. Já fui vista. Já estou envolvida. Alexander sabia que ela estava certa. Helena deu mais um passo à frente. Agora estavam novamente próximos. — Então não tente me tratar como alguém frágil — ela continuou. — Porque não sou. Ele observou o rosto dela com uma mistura de admiração e preocupação. — Eu sei que não é. — Então pare de agir como se fosse. Alexander soltou um pequeno suspiro. — Você tem uma habilidade irritante de desmontar meus argumentos. Helena sorriu levemente. — Talvez porque você esteja acostumado a mandar em todo mundo. — Talvez. O clima entre eles começou a mudar novamente. A tensão perigosa ainda estava ali, mas agora misturada com algo mais íntimo. Alexander estendeu a mão e segurou o rosto dela novamente e Helena não recuou. — Você entende que isso pode ficar pior? — ele perguntou. — Eu entendo. — E mesmo assim quer continuar? Ela sustentou o olhar dele. — Quero. A resposta foi simples. Firme e completamente sincera. Alexander ficou em silêncio por alguns segundos. Então um pequeno sorriso surgiu nos lábios dele. — Você realmente é um problema. Helena ergueu o queixo. — E você gosta disso. Ele não negou. A mão dele deslizou lentamente pelo pescoço dela, provocando um arrepio imediato. — Muito. Helena sentiu o corpo responder automaticamente à proximidade dele. — Nós precisamos trabalhar — ela murmurou, embora não parecesse muito convencida disso. — Provavelmente. — E sua reunião? — Em vinte minutos. Ela riu baixo. — Então talvez devêssemos agir como adultos responsáveis. Alexander inclinou a cabeça. — Ou aproveitar mais alguns minutos. Helena tentou manter a expressão séria. Falhou. — Você é impossível. — Eu avisei. Ele puxou Helena suavemente pela cintura e a beijou novamente. Dessa vez o beijo foi mais lento. Mais profundo. Como se ambos estivessem saboreando o momento em vez de apenas reagir ao impulso. Helena passou as mãos pelos ombros dele, sentindo a tensão nos músculos dele sob a camisa. Alexander a segurava com firmeza, mas havia cuidado em cada movimento. Quando finalmente se afastaram, Helena ainda estava sem fôlego. — Isso definitivamente não ajuda na concentração — ela disse. Alexander sorriu. — Nunca prometi ajudar. O interfone da mesa apitou. — Senhor Wolf. — disse a voz da secretária — Os diretores já chegaram para a reunião. Alexander fechou os olhos por um segundo. — Claro que chegaram. Helena deu um pequeno passo para trás, tentando recuperar a postura. — Hora de voltar ao trabalho. Alexander ajeitou a camisa e pegou o paletó. Mas antes de sair do escritório, ele parou diante dela novamente. — Helena. — Sim? Ele hesitou por um momento. — Quando essa reunião acabar… precisamos conversar sobre o próximo passo. Ela inclinou a cabeça. — Próximo passo em qual sentido? O olhar dele escureceu levemente. — Em todos. Helena sentiu um frio agradável percorrer o corpo. — Parece importante. Alexander abriu a porta do escritório. — Muito. Antes de sair, ele olhou para ela uma última vez. E pela intensidade daquele olhar, Helena teve a forte sensação de que o próximo passo entre eles poderia mudar tudo.
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