A porta do escritório se fechou com um som suave, mas o silêncio que se seguiu parecia muito mais pesado do que o ruído da cidade do outro lado das janelas.
Helena ficou parada por um momento, absorvendo o espaço.
O escritório de Alexander era exatamente como ela imaginava: elegante, amplo, minimalista, mas com uma presença forte. Uma grande mesa de madeira escura dominava o centro da sala, enquanto estantes discretas ocupavam uma das paredes. As janelas do chão ao teto revelavam a cidade inteira abaixo deles.
Alexander caminhou até a mesa, pousando o tablet com calma.
— Fique à vontade — ele disse.
Helena caminhou lentamente pelo ambiente, passando os dedos pela superfície polida de uma estante.
— Este lugar parece exatamente com você.
Ele levantou uma sobrancelha.
— Isso é um elogio ou uma crítica?
— Ainda estou decidindo.
Alexander observava cada movimento dela com atenção silenciosa. Havia algo quase hipnotizante na forma como Helena explorava o espaço, completamente à vontade apesar de estar no centro do território dele.
— Você disse que íamos continuar a conversa — ela lembrou.
Ele apoiou as mãos na mesa.
— Disse.
— Então?
Alexander não respondeu imediatamente.
Em vez disso, contornou a mesa devagar, aproximando-se dela. Cada passo parecia deliberado, calculado, mas não havia frieza naquele gesto.
Havia expectativa.
Helena percebeu quando ele parou a poucos passos de distância.
O ar entre eles mudou novamente.
— Eu estou tentando ser responsável — ele disse.
— Responsável?
— Com você.
Helena cruzou os braços.
— Isso não parece muito com o homem que me beijou na cozinha.
Um leve sorriso surgiu nos lábios dele.
— Você está reclamando?
— Estou observando.
Alexander aproximou-se mais um pouco.
Agora estavam perto o suficiente para que Helena sentisse o calor do corpo dele.
— Se eu agir por impulso — ele continuou — Posso complicar as coisas.
— E se você não agir?
— Também complico.
Helena não conseguiu evitar um pequeno riso.
— Parece que você finalmente encontrou um problema que não consegue resolver com estratégia.
Ele inclinou a cabeça.
— Talvez.
O olhar dele desceu brevemente para os lábios dela antes de voltar aos olhos.
Helena percebeu e sentiu o coração acelerar.
— Isso não ajuda — ela murmurou.
— O quê?
— O jeito que você me olha.
— Como eu olho?
Ela hesitou.
— Como se estivesse pensando em algo perigoso.
Alexander deu mais um passo.
Agora havia menos de um palmo entre eles.
— Talvez eu esteja.
Helena engoliu em seco.
— No escritório?
— Você trouxe o assunto para cá.
— Eu não trouxe nada.
— Trouxe sim.
A mão dele subiu lentamente até tocar o braço dela. O contato foi leve, mas suficiente para provocar um arrepio imediato.
Helena sentiu a própria respiração mudar.
— Alexander…
— Eu sei.
Ele deslizou a mão do braço até a cintura dela, segurando-a com firmeza suave.
Não havia pressa. Não havia hesitação.
A tensão que vinha crescendo entre eles finalmente parecia pronta para explodir.
— Você ainda pode me mandar parar — ele disse em voz baixa.
Helena olhou diretamente nos olhos dele.
— E você obedeceria?
— Sim.
Ela ficou em silêncio por alguns segundos.
Depois disse:
— Então não pare.
Foi tudo o que ele precisava ouvir.
Alexander segurou o rosto dela com uma das mãos e a puxou para um beijo.
Desta vez não foi lento como o da cozinha.
Foi intenso. Quente. Carregado de toda a tensão acumulada entre eles desde o primeiro encontro.
Helena respondeu imediatamente, passando os braços pelo pescoço dele enquanto o puxava para mais perto. O mundo ao redor desapareceu. Havia apenas o calor do corpo dele contra o dela, o ritmo acelerado das respirações e a sensação eletrizante de finalmente ceder ao que ambos estavam tentando controlar.
Alexander a guiou alguns passos para trás até que ela encostasse levemente na mesa.
O beijo diminuiu de intensidade por um momento, transformando-se em algo mais explorador, mais profundo.
A mão dele deslizou pelas costas dela, firme e segura.
Helena sentiu um arrepio subir pela pele quando ele aproximou os lábios do pescoço dela.
— Isso definitivamente complica as coisas — ela murmurou.
Alexander soltou um pequeno riso contra a pele dela.
— Muito.
Ela segurou a camisa dele, puxando-o de volta para outro beijo.
Por alguns minutos, o mundo foi apenas aquilo. Proximidade. Calor. Desejo crescente. Mas então o telefone da mesa tocou.
O som cortou o momento como uma lâmina.
Alexander parou imediatamente, fechando os olhos por um segundo como se estivesse lutando contra a frustração.
Helena soltou uma pequena risada sem fôlego.
— Parece que o mundo real ainda existe.
Ele respirou fundo antes de se afastar um pouco.
O telefone continuava tocando.
— Eu deveria atender — ele disse.
— Provavelmente.
Mas ele ainda não se moveu. Em vez disso, observou o rosto dela por alguns segundos.
— Você percebe o que está acontecendo aqui, não percebe?
— Percebo.
— Isso não vai ser simples.
Helena apoiou as mãos na mesa atrás dela.
— Eu nunca gostei de coisas simples.
O telefone tocou novamente.
Alexander finalmente pegou o aparelho.
— Wolf.
A expressão dele mudou enquanto ouvia a pessoa do outro lado da linha. A tensão voltou ao rosto dele.
Quando desligou, Helena já sabia que algo havia mudado.
— O que aconteceu?
Alexander colocou o telefone lentamente sobre a mesa.
— Alguém decidiu reagir mais rápido do que eu esperava.
Helena franziu a testa.
— Quem?
O olhar dele ficou mais frio.
Mais calculado.
— A mesma pessoa que não gostou de ver você ao meu lado ontem à noite.
Helena sentiu um pequeno frio na espinha.
— E o que isso significa?
Alexander caminhou até a janela, observando a cidade lá embaixo.
— Significa que o jogo começou de verdade.
Helena cruzou os braços.
— E nós?
Ele se virou lentamente.
— Nós acabamos de nos tornar a peça central.