Capítulo 14

991 Palavras
A porta do escritório se fechou com um som suave, mas o silêncio que se seguiu parecia muito mais pesado do que o ruído da cidade do outro lado das janelas. Helena ficou parada por um momento, absorvendo o espaço. O escritório de Alexander era exatamente como ela imaginava: elegante, amplo, minimalista, mas com uma presença forte. Uma grande mesa de madeira escura dominava o centro da sala, enquanto estantes discretas ocupavam uma das paredes. As janelas do chão ao teto revelavam a cidade inteira abaixo deles. Alexander caminhou até a mesa, pousando o tablet com calma. — Fique à vontade — ele disse. Helena caminhou lentamente pelo ambiente, passando os dedos pela superfície polida de uma estante. — Este lugar parece exatamente com você. Ele levantou uma sobrancelha. — Isso é um elogio ou uma crítica? — Ainda estou decidindo. Alexander observava cada movimento dela com atenção silenciosa. Havia algo quase hipnotizante na forma como Helena explorava o espaço, completamente à vontade apesar de estar no centro do território dele. — Você disse que íamos continuar a conversa — ela lembrou. Ele apoiou as mãos na mesa. — Disse. — Então? Alexander não respondeu imediatamente. Em vez disso, contornou a mesa devagar, aproximando-se dela. Cada passo parecia deliberado, calculado, mas não havia frieza naquele gesto. Havia expectativa. Helena percebeu quando ele parou a poucos passos de distância. O ar entre eles mudou novamente. — Eu estou tentando ser responsável — ele disse. — Responsável? — Com você. Helena cruzou os braços. — Isso não parece muito com o homem que me beijou na cozinha. Um leve sorriso surgiu nos lábios dele. — Você está reclamando? — Estou observando. Alexander aproximou-se mais um pouco. Agora estavam perto o suficiente para que Helena sentisse o calor do corpo dele. — Se eu agir por impulso — ele continuou — Posso complicar as coisas. — E se você não agir? — Também complico. Helena não conseguiu evitar um pequeno riso. — Parece que você finalmente encontrou um problema que não consegue resolver com estratégia. Ele inclinou a cabeça. — Talvez. O olhar dele desceu brevemente para os lábios dela antes de voltar aos olhos. Helena percebeu e sentiu o coração acelerar. — Isso não ajuda — ela murmurou. — O quê? — O jeito que você me olha. — Como eu olho? Ela hesitou. — Como se estivesse pensando em algo perigoso. Alexander deu mais um passo. Agora havia menos de um palmo entre eles. — Talvez eu esteja. Helena engoliu em seco. — No escritório? — Você trouxe o assunto para cá. — Eu não trouxe nada. — Trouxe sim. A mão dele subiu lentamente até tocar o braço dela. O contato foi leve, mas suficiente para provocar um arrepio imediato. Helena sentiu a própria respiração mudar. — Alexander… — Eu sei. Ele deslizou a mão do braço até a cintura dela, segurando-a com firmeza suave. Não havia pressa. Não havia hesitação. A tensão que vinha crescendo entre eles finalmente parecia pronta para explodir. — Você ainda pode me mandar parar — ele disse em voz baixa. Helena olhou diretamente nos olhos dele. — E você obedeceria? — Sim. Ela ficou em silêncio por alguns segundos. Depois disse: — Então não pare. Foi tudo o que ele precisava ouvir. Alexander segurou o rosto dela com uma das mãos e a puxou para um beijo. Desta vez não foi lento como o da cozinha. Foi intenso. Quente. Carregado de toda a tensão acumulada entre eles desde o primeiro encontro. Helena respondeu imediatamente, passando os braços pelo pescoço dele enquanto o puxava para mais perto. O mundo ao redor desapareceu. Havia apenas o calor do corpo dele contra o dela, o ritmo acelerado das respirações e a sensação eletrizante de finalmente ceder ao que ambos estavam tentando controlar. Alexander a guiou alguns passos para trás até que ela encostasse levemente na mesa. O beijo diminuiu de intensidade por um momento, transformando-se em algo mais explorador, mais profundo. A mão dele deslizou pelas costas dela, firme e segura. Helena sentiu um arrepio subir pela pele quando ele aproximou os lábios do pescoço dela. — Isso definitivamente complica as coisas — ela murmurou. Alexander soltou um pequeno riso contra a pele dela. — Muito. Ela segurou a camisa dele, puxando-o de volta para outro beijo. Por alguns minutos, o mundo foi apenas aquilo. Proximidade. Calor. Desejo crescente. Mas então o telefone da mesa tocou. O som cortou o momento como uma lâmina. Alexander parou imediatamente, fechando os olhos por um segundo como se estivesse lutando contra a frustração. Helena soltou uma pequena risada sem fôlego. — Parece que o mundo real ainda existe. Ele respirou fundo antes de se afastar um pouco. O telefone continuava tocando. — Eu deveria atender — ele disse. — Provavelmente. Mas ele ainda não se moveu. Em vez disso, observou o rosto dela por alguns segundos. — Você percebe o que está acontecendo aqui, não percebe? — Percebo. — Isso não vai ser simples. Helena apoiou as mãos na mesa atrás dela. — Eu nunca gostei de coisas simples. O telefone tocou novamente. Alexander finalmente pegou o aparelho. — Wolf. A expressão dele mudou enquanto ouvia a pessoa do outro lado da linha. A tensão voltou ao rosto dele. Quando desligou, Helena já sabia que algo havia mudado. — O que aconteceu? Alexander colocou o telefone lentamente sobre a mesa. — Alguém decidiu reagir mais rápido do que eu esperava. Helena franziu a testa. — Quem? O olhar dele ficou mais frio. Mais calculado. — A mesma pessoa que não gostou de ver você ao meu lado ontem à noite. Helena sentiu um pequeno frio na espinha. — E o que isso significa? Alexander caminhou até a janela, observando a cidade lá embaixo. — Significa que o jogo começou de verdade. Helena cruzou os braços. — E nós? Ele se virou lentamente. — Nós acabamos de nos tornar a peça central.
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