Capítulo 13

948 Palavras
Helena passou o restante da manhã tentando agir como se nada tivesse mudado. Mas tudo havia mudado. O beijo ainda parecia vivo em sua memória, como se o calor dos lábios de Alexander ainda estivesse ali, gravado na pele. Ela caminhava pela sala da mansão observando os detalhes do ambiente, tentando se distrair, mas seus pensamentos insistiam em voltar ao mesmo momento. O toque das mãos dele. A forma como ele havia dito o nome dela. E o fato de que ele também parecia afetado. Isso era o que mais a confundia. Alexander era um homem acostumado a controlar tudo, negócios, pessoas, situações. Ainda assim, naquele instante na cozinha, ele havia parecido tão vulnerável quanto ela. Helena estava parada diante de uma das grandes janelas da sala quando ouviu passos atrás de si. Ela não precisou se virar para saber quem era. — Você sempre fica pensativa depois de me beijar? — Alexander perguntou, a voz calma, mas carregada de um leve tom provocador. Helena soltou um pequeno suspiro e finalmente se virou. — Não tenho muita experiência com isso. Ele cruzou os braços, apoiando-se casualmente contra a parede. — Com beijos? — Com homens complicados. Um sorriso discreto surgiu nos lábios dele. — Eu não sou complicado. — Você é literalmente o homem mais complicado que eu já conheci. Alexander riu baixo. O som era raro — e surpreendentemente agradável. — Justo — ele admitiu. Helena caminhou alguns passos pela sala, tentando manter uma distância segura. O problema era que, desde aquela manhã, a presença dele parecia ter um efeito ainda mais forte sobre ela. — Então — ela disse — qual é o plano para hoje? O olhar dele mudou um pouco. Mais sério. — Eu preciso ir ao escritório. — Claro. — Mas você vem comigo. Helena arqueou uma sobrancelha. — Isso faz parte do seu “posicionamento estratégico”? — Em parte. Ela inclinou a cabeça. — E a outra parte? Alexander se aproximou devagar. — Eu prefiro ter você por perto. Helena sentiu um leve calor subir pelo rosto, mas tentou manter a postura firme. — Você sabe que dizer coisas assim não ajuda a manter as coisas profissionais. — Talvez eu não queira manter. O silêncio entre eles se tornou carregado novamente. Helena percebeu que, se continuasse ali, o risco de outro beijo seria grande demais. — Vou pegar minha bolsa — disse rapidamente. Alexander apenas observou enquanto ela se afastava pelo corredor. Mas havia um brilho curioso no olhar dele. Uma hora depois, o carro de Alexander cruzava as avenidas movimentadas da cidade. Helena observava a paisagem pela janela enquanto tentava organizar os pensamentos. O motorista mantinha o olhar fixo na estrada, enquanto Alexander lia algo no tablet ao lado dela. Ele parecia concentrado. Frio. Quase distante. Era difícil conciliar aquele homem com o mesmo que havia beijado ela na cozinha poucas horas antes. — Você muda rápido — Helena comentou. Alexander levantou os olhos. — Como assim? — Agora você parece completamente focado nos negócios de novo. Ele desligou o tablet. — Isso te incomoda? — Não. Só é curioso. — Eu aprendi cedo que sentimentos não podem interferir nas decisões. Helena o observou com atenção. — E eles estão interferindo agora? Por um segundo, Alexander não respondeu. Então um pequeno sorriso apareceu. — Um pouco. Helena desviou o olhar para a janela novamente, tentando esconder o quanto aquilo a afetava. O carro finalmente parou diante de um prédio imponente de vidro e aço. A sede da empresa. Helena saiu do carro e olhou para o edifício alto diante deles. — Impressionante. Alexander caminhou ao lado dela. — Eu passei metade da minha vida aqui dentro. — Espero que hoje você consiga sair antes da meia-noite. — Vou tentar. Assim que entraram no prédio, a atmosfera mudou. Funcionários cumprimentavam Alexander com respeito imediato. Alguns olhares curiosos recaíram sobre Helena, mas ninguém fez perguntas. Eles entraram no elevador privativo. Quando as portas se fecharam, o silêncio voltou. Helena percebeu o olhar de Alexander sobre ela. — O quê? — perguntou. — Você parece diferente aqui. — Diferente como? — Mais confiante. Ela sorriu de leve. — Talvez porque ninguém aqui me conhece. Alexander deu um passo mais perto. — Eles vão conhecer. O elevador continuava subindo lentamente. Helena percebeu algo no olhar dele. Algo que estava voltando. A mesma intensidade da manhã. — Alexander… — ela começou. Ele ergueu uma mão e apoiou-a suavemente na cintura dela. O gesto foi rápido, mas firme. — Você sabe que ainda não terminamos aquela conversa — ele disse em voz baixa. O coração dela acelerou. — Qual delas? — A que começou com um beijo. O espaço do elevador parecia pequeno demais de repente. Helena apoiou a mão no peito dele sem perceber. — Você escolhe lugares interessantes para continuar conversas. Alexander sorriu de lado. — Improviso. O elevador parou. As portas se abriram. Eles se afastaram imediatamente, retomando uma distância profissional. Do lado de fora, uma secretária aguardava. — Senhor Alexander, a reunião foi adiada para daqui a uma hora. Ele assentiu. — Obrigado, Laura. A mulher lançou um olhar rápido para Helena, curiosa, mas educada. Quando ficaram sozinhos novamente no corredor, Helena cruzou os braços. — Parece que temos tempo livre. Alexander a observou por alguns segundos. — Temos. — Então? Ele abriu a porta de seu escritório. Um espaço amplo, com janelas enormes e vista para a cidade inteira. — Então vamos continuar aquela conversa. Helena entrou lentamente. A porta se fechou atrás deles. E, pela forma como Alexander a olhava agora, Helena teve a nítida sensação de que aquele capítulo entre eles estava apenas começando a ficar realmente intenso.
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