Capítulo 12

1112 Palavras
Helena demorou para dormir naquela noite. O silêncio do quarto era confortável, mas a mente dela estava longe de descansar. A imagem de Alexander no hall da mansão voltava repetidamente, o olhar intenso, a proximidade, a forma como ele havia segurado o rosto dela com uma calma que parecia esconder um furacão. Ela se virou na cama. Talvez fosse um erro continuar ali. Talvez estivesse entrando em algo grande demais. Mas havia outra verdade que ela não podia ignorar: algo dentro dela queria descobrir até onde aquilo iria. Quando finalmente adormeceu, o relógio já passava das duas da manhã. *** O sol da manhã atravessava as cortinas quando Helena abriu os olhos. Por um momento, esqueceu onde estava. O quarto era amplo, elegante, decorado com tons claros e móveis sofisticados. A cama era grande demais para uma única pessoa. Então as lembranças voltaram. O jantar. Os olhares. A conversa no hall. Alexander. Ela suspirou e se levantou, caminhando até a janela. Do alto da mansão, era possível ver parte da cidade ainda despertando. O jardim abaixo estava impecável, como se cada folha tivesse sido posicionada com cuidado. Assim como tudo na vida de Alexander ou quase tudo. Helena tomou um banho rápido e se vestiu com roupas simples, mas elegantes. Ao sair do quarto, o corredor estava silencioso, mas o cheiro de café fresco já preenchia o ar. Seguindo o aroma, ela chegou até a cozinha. Alexander estava ali. De camisa branca com as mangas dobradas até os antebraços, ele parecia completamente à vontade enquanto preparava café. O contraste entre o empresário poderoso da noite anterior e o homem tranquilo daquela manhã era quase desconcertante. Ele levantou os olhos quando percebeu a presença dela. — Dormiu bem? Helena se apoiou na bancada. — Depois de um tempo. Ele serviu duas xícaras de café. — No meu mundo, noites tranquilas são raras. Ela pegou a xícara, observando-o. — Isso explica muita coisa. Alexander arqueou uma sobrancelha. — Como o quê? — Como você parecer sempre preparado para um ataque. Um leve sorriso surgiu nos lábios dele. — Hábito profissional. Helena tomou um gole do café. — E hoje? Vamos esperar mais reações ao jantar? Ele assentiu. — Algumas pessoas já começaram a se movimentar. — Contra você? — Contra nós. A palavra novamente. Helena percebeu que ele não a estava afastando daquele cenário. Pelo contrário, estava incluindo-a. — Eu deveria me preocupar? Alexander apoiou as mãos na bancada, olhando diretamente para ela. — Eu não permitiria que algo acontecesse com você. A segurança na voz dele não parecia arrogância, parecia promessa. Helena sustentou o olhar por alguns segundos antes de desviar. — Você fala como se tivesse controle de tudo. — Eu tento. — E quando não consegue? Ele demorou um pouco para responder. — Eu me adapto. O silêncio entre eles não era desconfortável, porém havia algo diferente naquela manhã. Mais suave e íntimo. Helena percebeu quando Alexander se aproximou ligeiramente. Não era invasivo, mas diminuía a distância que ainda existia entre eles. — Você está pensando demais — ele comentou. — Talvez porque estou no meio de algo que ainda não entendo. — Então pergunte. Ela o encarou. — O que exatamente você quer comigo, Alexander? A pergunta ficou no ar. Ele não respondeu imediatamente. Em vez disso, observou cada detalhe da expressão dela, como se quisesse ter certeza de que estava preparado para a resposta que daria. — Honestamente? — Sempre. Ele respirou fundo. — No começo, eu precisava de você por motivos estratégicos. Helena não se surpreendeu. — Eu imaginei. — Mas isso mudou. Ela sentiu o coração acelerar. — Mudou como? Alexander estendeu a mão lentamente e tocou a dela sobre a bancada. O gesto foi simples, mas carregado de intenção — Eu gosto de estar perto de você. Helena não afastou a mão. — Isso pode complicar as coisas. — Já complicou. Os dedos dele deslizaram levemente pelos dela. Um gesto quase distraído, mas que enviou um arrepio pela pele dela. Helena percebeu a proximidade. O calor. A respiração dele. — Alexander… — ela começou. Ele inclinou levemente a cabeça. — Sim? — Você sempre faz isso? — Isso o quê? — Diz coisas perigosas com tanta calma. Ele sorriu. — Só quando são verdade. Helena sentiu o estômago revirar levemente. Havia algo entre eles que estava crescendo rápido demais. E ignorar aquilo estava se tornando impossível. Ela deu um passo à frente sem perceber. Agora estavam muito próximos. Alexander levantou a mão e afastou uma mecha de cabelo do rosto dela. O toque foi lento, quase cuidadoso. Helena prendeu a respiração. — Você está tremendo — ele disse em voz baixa. — Não estou. — Está sim. Ela percebeu que ele tinha razão. Mas não era medo. Era expectativa. Alexander parecia sentir o mesmo conflito. A forma como ele a observava indicava que estava tentando manter o controle — algo que não era fácil naquele momento. — Ainda podemos parar — ele murmurou. Helena sabia disso. Mas também sabia que não queria. — Você sempre para quando quer algo? — ela perguntou suavemente. O olhar dele escureceu um pouco. — Nem sempre. A tensão voltou a crescer entre eles. Alexander aproximou-se mais um pouco. Agora os corpos quase se tocavam. Ele ergueu a mão novamente, desta vez segurando delicadamente o rosto dela. Helena fechou os olhos por um segundo. Quando os abriu, ele estava ainda mais perto. — Helena — ele disse, quase como um aviso. Mas ela não respondeu. Apenas segurou a camisa dele com leveza. O gesto foi suficiente. Alexander se inclinou e finalmente encostou os lábios nos dela. O beijo foi lento e cuidadoso como se ambos estivessem explorando um território novo. Helena sentiu um calor subir pelo corpo inteiro. As mãos dela deslizaram pelos ombros dele, enquanto Alexander a puxava mais para perto. O beijo aprofundou-se aos poucos, carregado de uma tensão que vinha sendo construída desde o primeiro momento entre eles. Mas antes que aquilo se tornasse intenso demais, Alexander se afastou ligeiramente. As testas ainda encostadas. As respirações misturadas. — Isso foi um erro? — ele perguntou. Helena ainda estava tentando recuperar o fôlego. — Não. Ele sorriu levemente. — Então estamos com problemas. Ela riu baixo. — Acho que já estávamos. Alexander observou o rosto dela por alguns segundos. — Isso foi só o começo. Helena sentiu o coração acelerar novamente. Porque, pela forma como ele disse aquilo, havia uma promessa implícita. Uma promessa de algo muito maior. Muito mais profundo e talvez muito mais perigoso. Mas, naquele momento, ela percebeu que não queria fugir disso. Queria descobrir cada parte desse caminho. Mesmo que o final ainda fosse desconhecido.
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