Rick Dawson
Ela inclinou a cabeça, o olhar desafiador cintilando sob a luz fraca. Um sorriso brincava em seus lábios, carregado de uma audácia que me irritava e fascinava na mesma medida.
— E quem disse que eu quero sair dele?
Meu sangue ferveu. Ousada. Provocante. Cada palavra dela era um convite para um jogo que ela claramente não temia jogar.
Inclinei-me, aproximando-me até meu rosto pairar a centímetros do dela. O cheiro de sua pele invadiu meus sentidos, um misto de doçura e perigo.
— Boa resposta. Mas tome cuidado, Ayla — rosnei, minha voz saindo mais baixa, carregada de algo primitivo. — Porque no momento em que entrou no meu mundo, você se tornou minha.
A tensão pairava entre nós, densa e eletrizante. Mas ela não recuou. Não desviou o olhar.
Eu franzi o cenho. Meu instinto gritava que havia algo errado com essa garota. Ou talvez... algo assustadoramente certo.
Ela não se parecia com ninguém que eu já havia encontrado. Nenhuma mulher ousava me encarar daquela forma. Havia uma calma nela, uma confiança que não fazia sentido — não diante de mim.
Meus olhos percorreram seu rosto, analisando cada detalhe, tentando decifrá-la. Mas Ayla não era um livro que se lia com facilidade.
— Você não tem medo de mim? — perguntei, minha voz saindo baixa, carregada de algo próximo à descrença.
Parte de mim esperava que ela hesitasse. Que demonstrasse algum vestígio de incerteza. Algo que me provasse que eu ainda tinha o controle da situação.
Mas ela simplesmente ergueu o queixo, o olhar fixo no meu, desafiando-me como se não enxergasse o perigo que eu representava.
— Não. — Sua resposta foi simples, direta. Como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. — E por que eu teria? Se quisesse me machucar, já teria feito isso.
Meu maxilar se contraiu. Meu lobo rosnou, inquieto.
Ela não estava errada. Mas ouvir isso da boca dela me incomodou.
Dei um passo à frente, encurtando ainda mais o espaço entre nós. Meu corpo exalava a energia de um predador. Eu sabia o efeito que causava nas pessoas. O medo. O desejo. A submissão.
Mas Ayla?
Ela não se mexeu.
— Você acha que me conhece? — desafiei, minha voz gotejando um veneno sutil.
Ela inclinou a cabeça, aquele maldito olhar estudando-me como se eu fosse um quebra-cabeça a ser resolvido.
— Não. Mas acho que você quer se conhecer.
As palavras dela foram como um soco direto no estômago.
Meus olhos se estreitaram, a irritação crescendo dentro de mim. Como diabos alguém que m*l me conhecia podia enxergar algo que eu nem sequer admitia para mim mesmo?
Passei anos me fechando. Construindo muralhas. E ela...
Ela atravessava cada uma delas como se fossem feitas de vidro.
Minha mão se moveu antes que eu percebesse, segurando seu queixo com firmeza, forçando-a a manter o olhar no meu.
— O que você está fazendo aqui? — perguntei, minha voz soando mais áspera do que eu pretendia.
Ela deu um passo à frente, e dessa vez, foi minha vez de sentir a pressão da presença dela.
— E se eu dissesse que estava te procurando?
Minhas sobrancelhas se ergueram, a surpresa me atingindo antes que eu pudesse esconder.
— Por quê?
O sorriso dela se alargou, uma promessa não dita dançando em seus lábios.
E naquele instante, soube que Ayla não era apenas um desafio.
Ela era o tipo de perigo que eu não sabia se queria afastar...
Ou me afundar por completo.
Ayla sorriu, e naquele sorriso havia algo que me incomodava. Um segredo. Uma certeza perigosa.
Eu não sabia o que era, mas sentia no fundo dos ossos que não estava pronto para entender.
— Porque, Rick, você não é o único com um destino amarrado a essa floresta.
Meu corpo se enrijeceu no instante em que vi o que ela carregava.
Ayla ergueu a mão, e minha respiração travou.
Na palma dela, o símbolo pulsava como se tivesse vida própria. Uma luz dourada emanava dele, vibrante e hipnotizante, mas não havia nada de reconfortante ali.
Era intensa. Quase sufocante.
Recuei instintivamente, cada fibra do meu ser gritando em alerta.
— O que é isso? — minha voz saiu mais áspera do que eu pretendia.
Ela não respondeu de imediato. Apenas sorriu, e dessa vez havia algo diferente em seu olhar. Algo sombrio.
Ela sabia.
Ela sabia mais do que deixava transparecer.
— Algo que você precisa entender. — Sua voz era um sussurro carregado de mistério. Mas, então, seus lábios se curvaram em um meio sorriso. — Mas eu não sou do tipo que entrega respostas de graça, Rick.
Minha paciência estava no limite.
Ayla brincava com minhas emoções. Desafiava meus instintos. E, de alguma forma maldita, eu não conseguia me afastar.
Ela era perigosa.
E eu odiava o quanto isso me atraía.
Meu olhar escureceu, minha voz se transformando em um rosnado baixo.
— Você está brincando com fogo, Ayla.
Ela inclinou a cabeça, um brilho provocador reluzindo em seus olhos.
— Talvez. Mas você sabe tão bem quanto eu que não tem como apagar esse fogo agora.
A maldita estava certa.
E esse era o problema.
Eu não sabia o que ela era.
Mas sabia que, seja o que fosse, ela estava entrelaçada ao meu destino.
E agora...
Não havia como voltar atrás.
O vento sussurrou entre as árvores, trazendo consigo o cheiro de terra molhada e algo mais. Algo que não pertencia à floresta. Um aroma metálico e denso.
Sangue.
Minha mandíbula se contraiu.
— O que você fez, Ayla?
Ela não desviou o olhar.
— O necessário.
Meus músculos se retesaram. A resposta dela não me dizia nada, e ainda assim dizia tudo.
Algo dentro de mim rugiu, exigindo que eu agisse. Que a forçasse a me contar o que sabia. Mas uma parte ainda maior, uma parte que eu não queria admitir, hesitou.
Ayla não era apenas um enigma.
Ela era um perigo.
E perigos assim costumam arrastar aqueles ao seu redor para o abismo.
— Você está se metendo em algo grande demais para você.
— Ou talvez você esteja subestimando o que eu sou capaz de fazer.
Meus olhos a analisaram mais uma vez, como se tentassem encontrar uma rachadura, um sinal de hesitação.
Mas ela estava sólida.
Ayla estava no controle.
E isso...
Isso me assustava mais do que qualquer coisa.