Capítulo 17 : Prova de Fogo

1113 Palavras
Camille Eu respirei fundo, tentando manter a calma. Meu instinto me dizia para lutar, para reagir, mas eu sabia que isso seria inútil. Eu precisava ser inteligente. Precisava sair dessa de um jeito que não só me livrasse do aperto, mas também me colocasse de volta no jogo. — Eu não estou armando nada — respondi com firmeza, sem hesitar. — Se você quiser, eu posso te provar. Por um momento, Draco não disse nada. Ele continuou me encarando, os olhos estreitados, como se estivesse tentando decidir se eu estava mentindo. A tensão entre nós era palpável, quase sufocante, mas eu sabia que não podia fraquejar. — Provar? — Ele repetiu, soltando um riso curto e sem humor, finalmente afrouxando o aperto no meu pescoço. — E como você pretende fazer isso, Camille? Eu respirei fundo, aliviada por poder respirar melhor, mas ainda consciente de que a situação estava longe de ser segura. Draco se afastou um pouco, caminhando até a mesa, seus passos pesados ecoando no silêncio do escritório. Ele estava nervoso, confuso. Era a primeira vez que o via assim, sem o controle total de si mesmo. E eu sabia que precisava usar isso a meu favor. — Diga o que quer que eu faça — sugeri, arriscando um movimento ousado. — E eu farei. Não estou aqui para trair. Estou aqui por algo maior. As palavras saíram da minha boca com uma confiança que eu não sabia que tinha, mas por dentro eu estava tensa, medindo cada palavra com cuidado. Draco parou, suas costas ainda viradas para mim, os ombros tensos. Eu sabia que ele estava considerando o que eu disse, lutando entre a desconfiança e a necessidade de manter o controle. Ele se virou lentamente, os olhos ainda cheios de suspeita, mas também com algo mais. Curiosidade, talvez? Interesse? Ele não podia negar que havia algo entre nós. Algo que ia além da simples desconfiança ou desejo de controle. Eu sabia que ele se sentia atraído por mim, e talvez, só talvez, isso pudesse jogar a meu favor. — O que exatamente você está fazendo aqui, Camille? — perguntou ele, sua voz agora mais controlada, mas ainda carregada de desconfiança. — Não me venha com essa de "algo maior". Quero respostas. Quero a verdade. Eu sabia que esse momento chegaria. O momento em que ele exigiria algo mais concreto de mim. O problema era que a verdade completa poderia me condenar, mas omiti-la também era arriscado demais. Eu precisava encontrar o equilíbrio certo entre o que dizer e o que esconder. — Você tem razão em desconfiar — admiti, dando um passo à frente, aproximando-me dele sem parecer ameaçadora. — Eu não vim até vocês à toa. Há algo no meu passado que me trouxe até aqui, algo que preciso corrigir. Mas não é contra vocês que estou lutando. Meu interesse é fazer parte disso, Draco. Sou valiosa, e você sabe disso. Se não fosse, você já teria me eliminado. Draco me encarou por um longo momento, seus olhos avaliando cada palavra que saía da minha boca. Eu podia ver a batalha interna que ele estava travando. Ele queria acreditar em mim, mas ao mesmo tempo, sabia que confiar cegamente em alguém era o caminho mais rápido para a destruição. — E por que eu deveria acreditar em você? — A pergunta dele veio fria, direta, como uma faca cortando o ar entre nós. Eu segurei o olhar dele, sem piscar. Era agora ou nunca. — Porque eu posso te dar o Souza — disse, minha voz baixa, mas carregada de significado. Os olhos de Draco se estreitaram levemente. Eu sabia que aquela oferta mudaria a dinâmica entre nós. O Souza era um dos rivais mais perigosos da Rocinha, e se eu realmente tivesse uma forma de derrubá-lo, Draco teria que reconsiderar suas suspeitas. — Você acha que já não pensei nisso? — ele disse, cruzando os braços, a voz carregada de desprezo. — Acha que sou burro o suficiente para não saber o que fazer com Souza? — Não, você não é burro — retruquei com firmeza, mantendo meu tom controlado. — Mas a informação que você tem não é suficiente. Eu conheço os pontos fracos dele, as rotas que ele usa para movimentar drogas. Sei quem são seus contatos fora da favela. Eu posso te ajudar a derrubá-lo, mas só se você confiar em mim. A sala ficou em silêncio. Draco me olhava como se estivesse tentando me decifrar, buscando sinais de fraqueza ou mentira. Eu sabia que ele estava no limite da decisão. Ou ele me usaria para destruir Souza, ou me descartaria ali mesmo, sem pensar duas vezes. — E por que você me daria Souza assim, de bandeja? — Draco deu um passo em minha direção, sua presença imponente me fazendo sentir o peso da decisão que eu estava prestes a tomar. Eu sabia que essa pergunta viria, mas eu já estava preparada. Precisava ser inteligente, dar a ele o suficiente para ganhar sua confiança, mas sem entregar meus verdadeiros motivos. — Porque ele também é meu inimigo — confessei, mantendo o olhar fixo nos olhos dele. — Há uma história antiga entre nós, algo pessoal. Se eu puder destruí-lo, vou me vingar de um passado que ainda me assombra. Draco não disse nada por um longo momento. Eu podia ver as engrenagens em sua mente girando, ponderando cada palavra que eu dissera. A tensão entre nós era quase palpável, e eu sabia que esse era o momento decisivo. Se ele acreditasse em mim, eu teria uma chance de me manter viva e continuar meu plano. Se não, seria o fim. Finalmente, ele soltou um suspiro, esfregando a mão no queixo enquanto me observava. — Muito bem — ele disse, a voz baixa e controlada. — Vou te dar uma chance. Mas saiba disso, Camille… Se você estiver mentindo, se isso for uma armadilha, eu mesmo vou acabar com você. Entendeu? Eu assenti lentamente, sabendo que aquelas palavras eram mais do que uma ameaça vazia. Draco era implacável, e eu precisava andar na linha fina entre confiança e traição. Mas, por agora, eu havia ganhado mais tempo. — Você não vai se arrepender — respondi, sentindo um peso sair de meus ombros. Mas por dentro, eu sabia que essa era apenas uma pequena vitória em um jogo muito maior. O problema era que, quanto mais tempo eu passava perto de Draco e seus irmãos, mais difícil ficava manter meus segredos intactos. Porque, por mais que eu quisesse vingança, havia algo entre nós que eu não podia ignorar. E isso complicava tudo. Eu estava jogando um jogo perigoso. E agora, eu tinha que ser perfeita.
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