Capítulo 15 : Sombras da Traição

1266 Palavras
Draco Assim que entramos em casa, o ambiente parecia tão carregado quanto o ar lá fora. A noite estava abafada, e o calor do dia ainda pairava sobre nós como um peso invisível, intensificando a tensão. Dante estava ferido, mas não era nada grave — ele já havia passado por coisa pior, mas isso não aliviava a sensação de que tudo tinha dado errado. E a única coisa que eu odiava mais do que falhas era a incerteza. O que havia acontecido lá fora não fazia sentido. Souza estava preparado demais. Não foi um golpe de sorte dele, isso era certo. Assim que passamos pela porta, Damon começou a falar, sua raiva evidente em cada palavra. — Isso foi uma armadilha, Draco. — Ele falou, cruzando os braços e andando de um lado para o outro no salão da casa. — Camille armou isso. Ela sabia. Desde o início, essa mulher estava jogando com a gente, e você... — Damon olhou para mim com uma mistura de frustração e incredulidade. — Você tá deixando ela se aproximar demais. Eu fiquei em silêncio, observando meus irmãos, absorvendo cada palavra. Dante, com um curativo improvisado no braço, estava sentado no sofá, a testa franzida, claramente desconfortável com o rumo da conversa. Damon, por outro lado, estava agitado, a frustração crescendo a cada segundo. — E você tem alguma prova disso, Damon? — perguntei, minha voz calma, mas carregada de uma autoridade que exigia uma resposta clara. Eu nunca fui do tipo que tomava decisões precipitadas, e Damon sabia disso. — Prova? — Ele quase cuspiu a palavra. — A única prova que você precisa é o fato de que Souza sabia de tudo. Ele estava esperando a gente, Draco. Ele sabia os nossos movimentos. Isso não foi coincidência. Alguém o avisou, e quem mais pode ter feito isso além da Camille? Eu olhei para ele, impassível, enquanto ele continuava a andar de um lado para o outro. Damon sempre foi desconfiado, e com razão. Ele era metódico, o cérebro frio por trás de muitas das nossas operações mais bem-sucedidas, mas às vezes sua cautela roçava a paranoia. — Por que Camille faria isso? — A voz de Dante cortou o ar, mais firme do que eu esperava. — Se ela quer entrar no nosso mundo, por que diabos armaria uma armadilha contra a gente? Isso não faz sentido, Damon. Dante sempre foi mais impulsivo, mais dado a seguir suas emoções do que sua lógica. E agora, ele estava claramente inclinado a defender Camille. Seu argumento não era sem mérito, no entanto. Se Camille realmente queria se infiltrar em nossa organização, trair-nos tão cedo seria um erro fatal para ela. Damon parou, virando-se para Dante com uma expressão de desprezo. — Não seja ingênuo, Dante. — Sua voz era fria. — Nós não sabemos nada sobre ela. Ela apareceu do nada, e agora você tá querendo confiar nela? Não sabemos de onde veio, não sabemos quais são suas verdadeiras intenções. E você tá disposto a correr esse risco por causa de um rosto bonito? Dante levantou-se do sofá, sua expressão se fechando. Ele sempre odiou quando Damon o tratava como se fosse ingênuo, e eu podia ver que aquilo estava prestes a explodir em outra briga entre eles. — Eu não tô dizendo que confio nela cegamente, Damon, mas você tá acusando ela sem prova nenhuma. Camille tem nos ajudado. A estratégia que ela sugeriu funcionou, pelo menos no início. E você sabe tão bem quanto eu que o Souza tem contatos em todo lugar. Ele pode ter descoberto sobre o ataque de qualquer jeito. — Dante estava fervendo, mas tentava manter a razão. Damon riu com desdém, balançando a cabeça. — A estratégia dela funcionou? Funcionou pra quê? Pra enfiar a gente numa armadilha? Draco, você não pode ser cego a isso. — Ele se virou para mim agora, sua expressão séria, os olhos queimando de frustração. — Eu sei que você sente alguma coisa por ela, e isso tá te deixando mole. A Camille não é confiável. Não podemos nos dar ao luxo de confiar em alguém de fora. Eu continuei em silêncio, processando as palavras de Damon. Ele estava certo em uma coisa: eu sentia algo por Camille. Não era algo que eu pudesse controlar ou ignorar. Ela mexia comigo de uma forma que ninguém mais conseguia. Mas isso significava que eu estava sendo cego para o perigo que ela poderia representar? Eu sempre fui racional, sempre soube manter a cabeça fria mesmo nas situações mais complicadas. Não podia deixar meus sentimentos interferirem na segurança da nossa organização. Mas, ao mesmo tempo, eu sabia que Damon estava sendo extremista. Ele era sempre o mais desconfiado, sempre enxergava conspirações onde talvez não houvesse nenhuma. E Dante tinha um ponto. Se Camille queria se infiltrar e destruir o que construímos, trair-nos dessa forma não fazia sentido. Era um movimento arriscado demais, até para alguém tão misteriosa quanto ela. Eu suspirei, finalmente quebrando o silêncio. — Eu entendo a preocupação, Damon. E você sabe que não vou deixar isso passar em branco. — Olhei diretamente nos olhos dele, deixando claro que eu estava levando sua suspeita a sério. — Mas acusar alguém sem prova não nos leva a lugar nenhum. Vamos investigar. Se Camille estiver por trás disso, ela vai pagar o preço. Mas não vamos agir por impulso. Damon rangeu os dentes, claramente insatisfeito com minha resposta. Ele queria uma ação imediata, queria que eu eliminasse Camille antes que ela pudesse fazer mais estragos — se fosse realmente ela. Mas eu não era esse tipo de líder. Eu precisava de certeza antes de agir. Sempre precisei. — Draco, eu te respeito, mas essa mulher... ela não é o que parece. — Damon falou, sua voz um pouco mais baixa agora, quase como um aviso. — E você sabe disso. Eu olhei para ele por um longo momento, sentindo o peso daquelas palavras. Sim, eu sabia que Camille não era o que parecia. Havia algo de sombrio em seu passado, algo que ela não estava contando. Mas isso não significava que ela era nossa inimiga. Pelo menos, não ainda. — Vamos descobrir a verdade. — Eu finalmente disse, me afastando deles e indo até a janela. Olhei para as luzes da favela mais uma vez, como se elas pudessem me dar uma resposta. — E quando soubermos quem nos traiu, não haverá piedade. Seja Camille, seja qualquer outra pessoa. Eles vão pagar com a vida. Dante assentiu, se sentando de volta no sofá, aparentemente mais tranquilo. Ele ainda acreditava que Camille não estava envolvida, e talvez estivesse certo. Mas Damon não parecia satisfeito. Eu podia ver em seus olhos que ele não confiava em mim quando se tratava de Camille. E isso era um problema. — Só não demora muito, Draco. — Damon disse antes de sair da sala, deixando um rastro de frustração no ar. Fiquei ali, sozinho com meus pensamentos, olhando para a escuridão lá fora. Camille tinha mudado muitas coisas desde que apareceu em nossas vidas. E agora, a dúvida começava a se infiltrar no meu julgamento. Eu sabia que precisava ser racional, sabia que não podia me deixar levar por qualquer sentimento que tivesse por ela. Mas havia algo nela, algo que me puxava, algo que me fazia hesitar em acreditar que ela poderia ser a traidora. E essa hesitação podia me custar tudo. No fundo, eu sabia que Damon estava certo em uma coisa: não sabíamos nada sobre Camille. E até descobrir quem ela realmente era, eu precisaria manter meus olhos bem abertos. .
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR