Capítulo 41. Decisões

565 Palavras
Corvo desceu dois lances de escada para se afastar do apartamento, a respiração ainda acelerada pela cena que acabara de testemunhar. O corredor estava vazio, silencioso, exceto pela vibração fraca da lâmpada fluorescente. Ele puxou o celular do bolso, encontrou o contato marcado apenas como OF e apertou o botão de ligação. A chamada foi atendida no primeiro toque. — Corvo? — a voz de Oliver veio tensa, urgente. —Ela está bem ? Como está minha Clarice? Minha Clarice? Corvo inspirou fundo. Era tanta coisa e tão pior do que ele esperava que por um instante ele teve que organizar o caos na cabeça. — FrankWood… — começou, o tom sério. — A situação é feia. Bem feia. Silêncio do outro lado. Daqueles que falam mais do que qualquer palavra. — Fala agora, ela está bem ou não p***a. Corvo encostou na parede, ainda atento aos sons do corredor. — Eu vi Henry com a Clarice hoje. O cara perdeu completamente a linha… de um jeito complicado, Oliver.Ele encurralou ela na sala. Falou do casamento de novo. Disse que ia prender o pai dela se ela não aceitasse, ameaçou o cara até de morte. Do outro lado da linha, Oliver prendeu a respiração. Corvo ouviu. — Ele encostou nela? — perguntou, num fio de voz muito mais perigoso do que preocupado. — Sabe que eu não deixaria.Jogou o pai dela na mesa como chantagem. Outro silêncio. Corvo continuou: — Quando Clarice se recusou, ele tentou virar o jogo. Se ajoelhou. Fez um espetáculo patético, dizendo que a ama, que está “desesperado”.Mas, Oliver… a máscara dele caiu. Eu vi.Vi a mudança no tom de voz, a raiva por trás das lágrimas falsas. O sujeito tá desequilibrado. Obcecado até o talo. — Corvo… — Oliver falou mais baixo, mais grave — ela tá em perigo? Corvo respondeu sem hesitar. — Sim.E não é pouca coisa, não. Esse cara… é daqueles que não aceitam perder. De jeito nenhum. Oliver demorou três segundos para responder, e Corvo reconheceu imediatamente aquele silêncio, era um silêncio denso de um predador decidido a atacar. — Tem ordens, doutor ? — Tenho, só me dê uma semana, vou resolver isso. E você continue de olho até lá. Onde ela está agora ? — No apartamento. Sozinha. Ele acabou de sair, fingindo choro, mas saiu.Eu fiquei por perto até ter certeza. Oliver soltou o ar lentamente, algo entre frustração, medo e uma fúria crescente. — Se Henry voltar, me liga imediatamente.E se ele encostar nela de novo… não espera por mim. Entendeu? O tom era frio. E pesado de significado. — Entendido, doutor. — Corvo respondeu, já recolocando o capacete. — Vou mudar de prédio e ficar de olho até ela dormir. — Corvo… uma última coisa. — Fala. A voz de Oliver virou um sussurro mas um sussurro que parecia aço. — Não deixa nada acontecer com ela. Nada. Daqui uma semana ela estará protegida de tudo. Corvo assentiu, mesmo sabendo que Oliver não podia vê-lo. — Nem que eu tenha que quebrar o pescoço desse noivo de merda.Fica tranquilo, FrankWood. Tô com de olho na ruiva. E a ligação foi desligada. Corvo guardou o celular, subiu na moto e se posicionou num ponto estratégico do outro lado da rua. Henry podia voltar. Podia tentar algo. Podia achar que Clarice ainda era presa fácil. Mas não estava mais sozinha
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