Corvo entrou no escritório silencioso, as mãos nos bolsos da jaqueta de couro, a expressão meio divertida, meio cansada. Encontrou FrankWood de pé, parado diante da janela como se o vidro pudesse dar alguma resposta para o que estava sentindo.
— Então… onde ela está? — o corvo perguntou, encostando-se na parede.
FrankWood soltou um suspiro longo, passou a mão pelo cabelo grisalho.
— Dormindo. Tranquei ela no quarto de hóspedes. — Ele disse isso num tom que misturava preocupação e incredulidade consigo mesmo.
O corvo arqueou uma sobrancelha, abrindo um sorriso de canto.
— Trancou ela? — deu uma risadinha curta. — Doutor… o senhor enlouqueceu de vez.
FrankWood virou-se para ele, sério, mas com os olhos ainda tomados por aquele nó interno.
— Eu não queria que Henry aparecesse de novo. Ela estava vulnerável. E… — engoliu em seco — eu precisava garantir que ela estivesse segura, e se pra isso ela precisar ficar trancada, ficará.
O corvo cruzou os braços, observando-o como quem já esperava exatamente esse comportamento.
— Segura ela está, mas você? — provocou. — O senhor está pálido desde que pegou a ruiva nos braços.
FrankWood não respondeu, apenas apoiou as mãos na mesa, respirando fundo.
O corvo riu baixinho outra vez.
— Admito, chefe… ver o senhor perder o controle por causa de uma mulher? Isso eu não esperava. Mas… — ele ficou sério, direto — o que aconteceu ali foi grave. Se Henry tivesse encostado nela…
FrankWood fechou os olhos por um instante, o maxilar travando.
— Por isso eu agi. E agiria de novo — respondeu, firme, apesar do cansaço. — Vou… vou ter que encontrar um jeito de explicar tudo para ela.
O corvo esfregou o rosto, como se até ele estivesse exausto.
— Boa sorte. Porque, do jeito que está, acho que quem mais vai precisar de proteção é a sua sanidade , doutor.
FrankWood nem conseguiu desmentir.
Ficou apenas em silêncio, encarando o chão, finalmente percebendo o tamanho da linha que acabara de cruzar