Clarice piscou, uma, duas, três vezes encarando o teto branco, sentia um vento frio no rosto, mas seu corpo estava aquecido, então...ela se lembrou do ocorrido e se sobresaltou da cama. Olhou a para baixo, estava vestida, puxou o vestido a calcinha estava lá e isso foi motivo de alívio imediato.
Olhou ao redor e viu um espelho, correu pra olhar para seu corpo, não tinha nenhuma marca, nenhum machucado, nada arranhado ou vermelho e isso a aliviou por completo. Viu a porta, correu, trancada.
Só aí que Clarice olhou ao redor, um quarto amplo, cama aconchegante, televisão, frigobar. Aquilo não parecia um cativeiro. Ela se sentou na cama pedida, o que tinha acontecido ? Por que estava ali? Por que não haviam a machucado?
Clarice voltou a mente para Henry. Só podia ser ele, mas... por que ele não estava ali ?.
Clarice sentia o corpo pesado e foi tirada dos seus pensamentos pelo ronco alto do seu estômago. Estava faminta. Ela pensou em ir até o frigobar ver se tinha algo, mas não sabia se a pessoa que a tinha preso ali ficaria bravo, talvez ela sofresse consequências. Então, se deitou encarando o teto e rezando para que ficasse bem.
Oliver via tudo pelas imagens da câmera que tinha no quarto, ele sabia que tinha que alimenta-la.
Oliver coçou a cabeça impaciente, ele não queria que ela o temesse, sabia que ela o reconhecia pela voz. Ele decidiu dar tempo.
Pegou uma bandeja, encheu com frutas, arroz, bife, batata fritas e duas caixinhas de suco natural de uva. Subiu as escadas devagar, colocou a bandeja no chão e abriu somente uma fresta da porta.
Clarice se assustou.
— Por favor... por favor não me machuca, eu não fiz nada. Por que isso ?
Aquilo doeu em Oliver, ele não a queria assim, ela já tinha passado por um trauma e ele não queria ser o causador de outro. Assim, ele só empurrou a bandeja sem dizer nada e fechou a porta. Clarice ouviu a porta trancar e correu até lá, bateu várias vezes.
— Ei...me tira daqui, por favor, Eiii, por favor.
Nada. Silêncio absoluto. Oliver escutou os gritos enquanto descia as escadas, apertou os olhos.
— Calma, meu bem, você vai me entender, na hora certa.— Murmurou para si mesmo.
Clarice percebeu que era inútil aquilo, parou. Se abaixou e chorou, chorou muito, ela não merecia tudo aqui, sofrer de novo. Outro trauma.
Ela olhou para a comida, tentou se recusar a comer, até mesmo por medo de ter algo, mas... Ela já estava presa mesmo, quem sabe não morreria envenenada e acaba de uma vez com todo o sofrimento que lhe causam. Sendo assim, se sentou no chão, pegou a bandeja e comeu, o arroz, o bife, as batatas, bebeu um suco e guardou o outro no frigobar. Quando abriu viu que lá tinha, água e mais alguns sucos e refrigerantes sem açúcar.
— Pelo menos de sede eu não morro.
Se deitou esperando sentir algum efeito da comida. Nada. Ela estava bem e percebeu que a comida não tinha nada.
Chorou mais.
— Por quê meu Deus. — Clarice repetia isso inúmeras vezes, chorou tanto que dormiu de novo, e já eram 15h da tarde.