Capítulo 48. Henry fora de si

605 Palavras
Clarice sai do bar um pouco corada pela bebida e pela noite fria. A rua está silenciosa e iluminada por postes antigos. Ela ergue a mão e chama um táxi o movimento é rápido, quase apressado, como quem teme mudar de ideia se ficar mais um segundo ali. Oliver observa o carro partir. Ele liga o motor imediatamente, mantendo distância. Corvo vem detrás, em uma moto, quase invisível nas sombras. O táxi para diante do prédio simples onde Clarice mora. Ela paga, agradece e desce com cuidado, ajeitando a bolsa no ombro. O táxi vai embora, deixando a rua ainda mais quieta. E então Ele surge. Da lateral do prédio, como se estivesse apenas esperando o momento exato. Henry. O rosto está tenso, os olhos vermelhos, respiração acelerada. Ele parece ter corrido. Parece fora de si. — Clarice! — ele dispara, caminhando rápido até ela. Clarice dá um passo para trás, surpresa, o corpo imediatamente enrijecido. — Henry? … O que você está fazendo aqui? — O que eu estou fazendo aqui? — ele ri, um riso agressivo, quase maníaco. — Eu vi. Eu vi tudo, Clarice. Suas fotos. No bar. Sozinha. Bebendo. Fingindo que não me deve satisfações. Ela franze a testa, confusa. — Que fotos? Eu não postei nada. Nem tenho redes sociais. Henry aproxima-se mais. Clarice recua novamente. — Ah, claro, Clarice. — Ele sorri de um jeito distorcido. — Alguém me mandou. Acha que eu sou i****a? Acha que não vão me avisar quando minha… noiva… está vagando por bares sozinha, fingindo que não tem responsabilidades? Ela respira fundo. — Eu não tenho nada com você, Henry. E não devo explicações a você. Eu estava apenas jantando. Henry aperta o maxilar. — Você acha isso certo? — a voz dele sobe — Depois de tudo que eu fiz por você? Ainda indo contra mim? Contra sua família? Clarice tenta passar ao lado dele para entrar no prédio. Mas Henry bloqueia o caminho com o braço. — Você só vai entrar quando a gente terminar de conversar. Clarice endurece o olhar. — Henry… tira o braço. Agora. Henry inspira fundo, o peito subindo e descendo rápido. O tom dele muda como sempre muda como se houvesse uma chave emocional escondida dentro dele que gira sem aviso. — Clarice… — ele diz mais baixo, os olhos marejando de um jeito teatral — eu só… eu só fiquei preocupado. Você não me atende. Não quer falar comigo. Eu te vi naquele hospital… tão frágil… eu achei que a gente tinha se entendido. Ela aperta a bolsa entre os dedos. — Não. A gente não se entendeu. O silêncio pesa. Henry engole seco. Então, mais uma vez, a máscara quebra. — Você está diferente — diz ele, frio. — E eu sei muito bem o motivo. Clarice se afasta mais um passo. O coração dela dispara. Ela sente que ele está prestes a explodir. E é nesse instante que, na sombra da rua, dentro do carro estacionado a poucos metros… Oliver fecha a mão no volante com tanta força que os nós dos dedos ficam brancos. Corvo, alguns metros atrás, já coloca a mão no bolso da jaqueta, onde guarda um canivete discreto. Eles esperam. Calculam. Analisam. Clarice inspira para tentar manter o controle da própria voz. — Henry… me deixa entrar. Eu estou cansada. Só isso , por favor. Ele não move o braço. E Oliver já está prestes a abrir a porta do carro. Só mais um segundo. Só mais um passo em falso de Henry. E Oliver vai agir. Sem pensar. Sem hesitar. Sem se importar com o que isso vai significar
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