Capítulo 49. O sequestro de Clarice

461 Palavras
Henry se inclina ainda mais para Clarice, a voz baixa, porém carregada de ameaça. Ela dá um passo atrás… mas não tem mais para onde ir. Dentro do carro, Oliver sente o corpo inteiro entrar em estado cirúrgico aquela calma absoluta que ele só experimenta em operações difíceis. A mente dele afunila. Foco total. Ele olha pelo retrovisor, encontra a silhueta de Corvo parado na moto, pronto. Um gesto mínimo. Quase imperceptível. Sinal. Corvo entende imediatamente. Ele desce da moto com passos silenciosos e firmes, sombra pura, aproximando-se de Henry por trás. Oliver então que sempre andava com uma maleta de primeiros socorros no banco de trás do carro, pega a maleta a abre, lá dentro tem tudo que ele precisa agora. Uma seringa e um calmante. Oliver enche a seringa e espera corvo agir. — Ei, parceiro — Corvo diz com uma calma provocativa. — Acho que a moça deixou claro que não quer conversar. Henry gira, irritado pela interrupção. — Quem diabos é você? Sai daqui. Isso não é da sua conta. Corvo estende os braços, como quem tenta mediar mas seu corpo se inclina entre Henry e Clarice, afastando-o sutilmente. — Tô só dizendo pra aliviar. É uma rua pública, né? O tom é leve, mas a postura… Fixa. Inabalável. Henry percebe tarde demais que não vai passar daquele homem. Clarice respira fundo, aproveitando o segundo de distração. E é nesse exato instante que Oliver age. Ele sai do carro silenciosamente, dá a volta rápida pela calçada e alcança Clarice com uma firmeza controlada. Ele a pega por trás, tampando sua boca, Clarice tenta lutar, mas a única coisa que escuta antes de apagar é: — Calma, vai ficar tudo bem. Oliver pega Clarice no colo com urgência. Passos rápidos, coloca ela deitada no banco de trás. Henry percebe algo errado. — CLARICE! — ele grita, tentando empurrar Corvo para o lado. Mas corvo age, e Henry recebe um soco forte e certeiro no queixo o que o faz cair, desmaiado. Oliver fecha a porta em um movimento único, calculado. Os olhos dele encontam os de Corvo por um segundo. Outro sinal curto, rápido. Corvo entende. Ele arrasta o corpo de Henry para trás de latões de lixo que ficavam na rua. Em seguida pega sua arma e atira na única câmera que tinha na rua, a destruindo por completo. Oliver já está dentro do carro. Liga o motor. Engata. E arranca. Rápido. Silencioso. Clarice dormia no banco de trás, nem sem imaginar o que acontecia. Oliver mantém o olhar na rua, mas a voz dele vem baixa, firme: — Você está segura agora. E Oliver acelera mais, determinado a colocar quilômetros entre Clarice Beck e qualquer ameaça inclusive a que ela não sabe que ele próprio representa
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