Henry se inclina ainda mais para Clarice, a voz baixa, porém carregada de ameaça.
Ela dá um passo atrás… mas não tem mais para onde ir.
Dentro do carro, Oliver sente o corpo inteiro entrar em estado cirúrgico aquela calma absoluta que ele só experimenta em operações difíceis.
A mente dele afunila.
Foco total.
Ele olha pelo retrovisor, encontra a silhueta de Corvo parado na moto, pronto.
Um gesto mínimo.
Quase imperceptível.
Sinal.
Corvo entende imediatamente.
Ele desce da moto com passos silenciosos e firmes, sombra pura, aproximando-se de Henry por trás.
Oliver então que sempre andava com uma maleta de primeiros socorros no banco de trás do carro, pega a maleta a abre, lá dentro tem tudo que ele precisa agora. Uma seringa e um calmante.
Oliver enche a seringa e espera corvo agir.
— Ei, parceiro — Corvo diz com uma calma provocativa. — Acho que a moça deixou claro que não quer conversar.
Henry gira, irritado pela interrupção.
— Quem diabos é você? Sai daqui. Isso não é da sua conta.
Corvo estende os braços, como quem tenta mediar mas seu corpo se inclina entre Henry e Clarice, afastando-o sutilmente.
— Tô só dizendo pra aliviar. É uma rua pública, né?
O tom é leve, mas a postura…
Fixa. Inabalável.
Henry percebe tarde demais que não vai passar daquele homem.
Clarice respira fundo, aproveitando o segundo de distração.
E é nesse exato instante que Oliver age.
Ele sai do carro silenciosamente, dá a volta rápida pela calçada e alcança Clarice com uma firmeza controlada.
Ele a pega por trás, tampando sua boca, Clarice tenta lutar, mas a única coisa que escuta antes de apagar é:
— Calma, vai ficar tudo bem.
Oliver pega Clarice no colo com urgência.
Passos rápidos, coloca ela deitada no banco de trás.
Henry percebe algo errado.
— CLARICE! — ele grita, tentando empurrar Corvo para o lado.
Mas corvo age, e Henry recebe um soco forte e certeiro no queixo o que o faz cair, desmaiado.
Oliver fecha a porta em um movimento único, calculado.
Os olhos dele encontam os de Corvo por um segundo.
Outro sinal curto, rápido.
Corvo entende.
Ele arrasta o corpo de Henry para trás de latões de lixo que ficavam na rua. Em seguida pega sua arma e atira na única câmera que tinha na rua, a destruindo por completo.
Oliver já está dentro do carro.
Liga o motor.
Engata.
E arranca.
Rápido.
Silencioso.
Clarice dormia no banco de trás, nem sem imaginar o que acontecia.
Oliver mantém o olhar na rua, mas a voz dele vem baixa, firme:
— Você está segura agora.
E Oliver acelera mais, determinado a colocar quilômetros entre Clarice Beck e qualquer ameaça inclusive a que ela não sabe que ele próprio representa