Catarina ficou sentada na cama por mais de uma hora, a carta entre os dedos, a respiração presa no peito. Tentou ler de novo, como se as palavras pudessem mudar. Mas não mudavam. Continuavam lá, frias, mentirosas, devastadoras. O silêncio na casa parecia gritar. E, quando a dor transbordou, ela chorou mesmo não querendo e mesmo tentando ser forte. Chorou como não chorava há tempos. O tipo de choro que não sai com elegância, que vem rasgado, com soluços, com tremores. Um choro que dizia: "é ele. Sempre foi ele." Desde aquela noite, anos atrás. Desde o primeiro toque, o primeiro erro, o primeiro abandono. Mesmo depois de tudo, Brany era o que restava. O que sobrava entre os cacos. O homem que ela queria — por mais que ele se recusasse a aceitar. E agora ele tinha ido embora. Não por co

