O sol invadia o quarto devagar, desenhando retângulos dourados sobre o lençol branco. Brany acordou com a boca seca, a cabeça pesada, o peito oco. As lembranças da noite anterior voltavam aos poucos — o bar, a dor, a fuga, o colo dela. Catarina. Ela dormia na poltrona, ao lado da cama, com os braços cruzados sobre o estômago e os cabelos soltos caindo sobre o rosto. Ainda vestia o mesmo vestido da noite anterior, amassado, o corpo levemente encolhido, como se quisesse se proteger até nos sonhos. Brany ficou olhando por longos minutos. Aquele rosto que já o fizera perder o rumo, que agora só causava culpa e arrependimento. Ele a quis. Ele ainda queria. Mas o que sentia ali, naquele instante, era outra coisa: um nó na garganta. Uma dor de saber que não poderia protegê-la, por mais que qu

