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Cartas para você - Livro 2

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Sinopse

Ivy sempre foi conhecida como a alegria das festas, uma garota sempre animada e cheia de energia, mas após se envolver com o bad boy Diogo, sua vida vai por água abaixo e ela se vê envolvida em um mundo de drogas e um amor bandido.

Mas após conseguir se libertar, Ivy recebe a chance de começar de novo. Uma carta vinda de longe vai mudar sua vida e lhe dar forças para ajudá-la a se reencontrar, provando que o amor verdadeiro ainda existe, só estava esperando o momento certo para agir.

Cartas para você é uma história de cura, redenção e prova que nunca é tarde para aprender a amar e principalmente, a se amar.

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A carta
Mais um dia. Na verdade é uma pintura que fiz na minha primeira semana aqui na clínica. Confesso que achei ridículo tirar o dia para pintar, como se eu estivesse com dez anos novamente. Fomos induzidos a pintar algo que nos transmitisse segurança. Como não sou boa com pinturas, resolvi escrever. Fiz a frase de uma maneira que pudesse deixar colorida como um arco-íris. Eu sei que você deve estar pensando agora o quanto estou parecendo patética, mas sempre gostei do arco-íris. Sempre tive a ilusão que encontraria um tesouro no final dele. Lembro que quando tinha nove anos escrevi uma poesia falando como seria chegar do outro lado. Sempre adorei escrever, mas com o passar dos anos, acabei deixando um pouco de lado. Logo por que Belinda e Jessye estavam sempre comigo me induzindo a trocar a caneta por um batom e rímel. Minhas melhores amigas desde sempre. Não lembro como nos tornamos amigas, mas quem se importa em lembrar? Eu as amo. Essa era eu quando não estava sendo submissa dos meus pais que desde que nasci ditaram todos os meus passos. Para eles eu tinha que ser perfeita, e nunca, jamais tirar notas baixas. Se isso acontecesse, pode ter certeza que aconteceria a terceira guerra mundial. A Ivy verdadeira só aparecia quando conseguia fugir da marcação deles, nem que fosse apenas por uma hora. Isso sempre acontecia quando Belinda inventava uma tarefa extra da escola e eu fugia para sua casa. Passávamos cada minuto planejando como nossas vidas mudariam quando entrássemos para a mesa faculdade. No final, saiu exatamente como combinado. Foi difícil convencer meus pais a me deixarem morar longe deles, mas como eu sempre podia contar com minhas amigas, elas apresentaram uma defesa tão bem planejada que até eu mesma acreditei. Nosso primeiro ano foi maravilhoso. Logo na primeira semana, fomos apresentadas às festas, bebidas, garotos e tudo que acompanhava a vida de uma universitária que estava curtindo sua liberdade longe dos pais. Lembro-me que fiquei com um veterano que fazia engenharia e que estava sendo disputado por metade das garotas da faculdade. Senti-me como a Rainha da Inglaterra. Pena que durou menos do que eu esperava. Na semana seguinte ele me deu um pé na b***a e me trocou por uma estudante de bioquímica. Foi minha primeira fossa que curei com mais festas, bebidas e mais garotos. Foi em uma dessas festas que perdi minha virgindade. Nossa, agora nem consigo lembrar seu nome. Como pode tantas coisas mudar em um ano? Agora sou outra pessoa. Perdi a minha inocência de criança. Perdi o medo do escuro e do bicho papão. Sou uma adulta, com algumas cicatrizes e lições que aprendi da maneira mais difícil. Eu busquei atenção, amor e dedicação. E encontrei tudo de uma só vez. Mas encontrei na pessoa errada. Agora percebo meu erro. Achei que o que eu estava vivendo era amor. Mas agora, depois de dois meses, eu percebo que tudo o que eu consegui foi me perder ainda mais. Eu me deixei levar por um sentimento que me tirou meu amor próprio. Apeguei-me a alguém esperando que ela fosse meu bote salva-vidas. No final, ela foi minha destruição. Não quis enxergar o que estava na minha cara o tempo todo, ele me tinha, mas eu não o tinha. Eu era apenas usada como um troféu e que a qualquer momento perderia espaço na prateleira. Diogo foi minha ruína. Mesmo nas vezes em que ele me machucava, sempre em lugares onde ninguém veria, eu não tinha forças para deixá-lo, por que acreditava cegamente que ele era o único que me amava. Só percebi quando foi tarde demais. Mas acho que devo agradecer a Deus todos os dias por ter amigos que nunca me deixaram cair sozinha. Por muita insistência de Belinda e pela perspicácia de Nanda, eu não tive um fim como o de Diogo. Quando soube de sua morte, confesso que senti um pouco de alívio. De certa forma, eu teria minha liberdade de novo. E quando penso que por causa dele, Nick quase morreu... Nem quero pensar em como eu sentiria se isso tivesse acontecido. Um terço da culpa seria minha, se não a metade. Nanda, com certeza me odiaria... Eu me odiaria. Sou arrancada dos meus pensamentos por uma batida leve na porta. - Ivy? Está acordada? É André, um dos enfermeiros, nem sei se essa é a definição correta, que faz com que os meus dias aqui sejam menos solitários. - Estou sim, pode entrar. - Temos uma reunião em meia hora. Seus amigos estão no refeitório tomando café. Por que não se junta com eles? – Disse assim que entrou, deixando a porta entreaberta. André fala que tem idade para ser meu pai, mas duvido muito disso. Parece ser bem mais novo do que aparenta. Chuto uns trinta e cinco, no máximo. Está sempre de bom humor, e sempre consegue roubar um doce depois do horário de refeição. É ótimo conversar com ele, parece que encontro uma figura paterna nele, apesar de gostar muito do meu pai. - Eu já ia fazer isso. Estava aqui... - Olhando para sua obra prima na porta? - Como sabe? - Até parece que não te conheço. – Ele ri. – Sei que adora a sua arte. E insisto em dizer que você deveria voltar a escrever. Uma vez confessei para ele que gostava de escrever poemas, nada parecido com Carlos Drummond, mas eu rabisco alguma coisa. Não cheguei a comentar com minhas amigas, parecia meio patético na época. - Eu não sei André. - Pelo menos deveria fazer um diário... - Um diário André? É sério? – Falei me levantando da cama. – Não acha que já passei da idade para isso? - Já vi muitos adultos escrevendo diários. Nele você pode contar seus segredos mais obscuros, como onde escondeu aquele pedaço de torta de banana tão rápido quando ouviu os passos da Vanessa... Eu ri. -... Ou quando misteriosamente meu bloco de anotações foi parar debaixo do seu colchão. Caímos na gargalhada. Foi depois desse minha proeza que nos tornamos grandes amigos. Isso aconteceu na primeira semana, eu estava louca para saber o que ele tanto escrevia ao meu respeito. No final, ele só falou o que eu já sabia, eu estava com meu psicológico abatido e que só precisava conversar, se abrir com alguém. - Vou sair para que possa trocar de roupa. Não demore muito, ouviu? - Sou uma garota, impossível me arrumar tão rápido. - Falo revirando os olhos enquanto corro para o banheiro. Olhando de fora, parece que deve ser h******l ficar aqui "trancada", mesmo ficando afastada das pessoas que eu amo, gosto daqui. Meus dias são bem movimentados. Acordo um pouco depois das oito, um pouco cedo demais, mas até que já me acostumei. Tomamos café todos juntos no refeitório. Rimos como loucos, por que sempre tem um exibido que adora ser o centro das atenções. Convivo com pessoas de todas as idades, todos os graus de dependências. Sou a novata, como eles gostam de me chamar. Quando cheguei, me senti sozinha e completamente perdida, mas logo fui me enturmando e quando me dei conta, já nem sentia tanta falta de casa. Depois do café, fazemos uma reunião para compartilhar com todos como foi nosso dia. Parece chato, mas é bem legal. Trocamos ideias e fazemos planos para quando voltar par o convívio com a sociedade. A melhor parte do dia é quando nos reunimos no pátio. Não chega a ser muito grande, mas tem o tamanho suficiente para fazer uma roda de amigos e cantar as músicas que todos gostamos. É como um luau sem a praia e sempre no final da tarde para agradecer por mais um dia de vitória. Visto rapidamente uma bermuda jeans e camiseta roxa. Aqui não ligamos muito para a aparência, quer dizer, só um pouco. Não queremos parecer que ficamos relaxados só por que estamos enclausurados. Um pouco de gloss e estou pronta. Prendo meus cabelos que aderi ao liso, não por que era como Diogo gostava, mas por queria ver se eu me amaria assim. Depois de alguns dias internada, comecei a me olhar mais no espelho, procurando minha identidade de volta. No começo foi difícil, mas agora me aceito assim e até gosto do meu novo cabelo. Até fiz uma franja longa, mas está sempre presa com uma presilha. Pego meu caderno de música, aderi à mania de ficar escrevendo as músicas que cantamos quando estamos em grupo. É um ótimo passatempo e viajo sempre que estou escrevendo. Quando entro no refeitório, vejo que eu era a única que faltava. Roberta como sempre está guardando um lugar ao seu lado. Ela tem quase a minha idade, um ano mais velha e o corpo coberto de tatuagem. É uma morena espetacular, diga-se de passagem. Não a considero grande amiga, mas é sempre legal comigo e nunca a vi triste. - Ei. – Ela acena quando me vê passar pela porta. - Oi. – Eu devolvo o aceno e me encaminho para a mesa. – O que temos para o café? – Pergunto quando me jogo no banco. O barulho está ensurdecedor hoje. Somos no total de cem pessoas. Parece pouco, mas imagine todos falando ao mesmo tempo? É de tirar o juízo de qualquer um. Gustavo, o garoto mais lindo daqui, está falando como um tagarela, e tem a atenção de todos. Tem longos cabelos castanhos e lisos q passa um pouco dos ombros, e estão sempre presos com um elástico. Trocamos um sorriso, mas é só. Sei que ele tenta se aproximar às vezes, mas no momento estou correndo de relacionamentos e de homens. Foi por causa de um cara que vim parar aqui. - Sobre o que Gustavo está falando agora? – Pergunto para Roberta enquanto fujo do olhar dele. - Nada em especial, apenas contando mais uma de suas histórias de pescador. – Fala rindo. - Pessoal, silêncio, por favor! – Gustavo fica de pé sobre o banco e fala quase gritando. Demora alguns segundos, mas aos poucos, o silêncio começa a tomar conta do ambiente. Quando tem total atenção, Gustavo desce do banco e começa a falar. - Pessoal, amanhã um de nós estará partindo. Bianca finalmente vai voltar para casa, e como uma família que somos, André e sua equipe concordaram que fizéssemos uma festa de despedida... Todos começam a falar ao mesmo tempo, e é preciso que Gustavo assovie para ter a atenção novamente... - Pessoal, não é uma festa como a que estamos acostumados... Apenas um pouco de música e bebidas sem álcool... Um sono “Ahhhh” ecooa pelo refeitório. - É isso ou nada. Lembrem-se o motivo de estarmos aqui. Vamos dançar um pouco, cantar e tocar violão. – Disse por fim. Ficamos discutindo como iríamos decorar o auditório por mais meia hora e depois seguimos para nossa primeira reunião. Seria a primeira de cinco ao longo do dia. Ao final da última reunião, volto para o meu quarto. Roberta está tão intertida com seus fones de ouvido que não me ouve falar. A maioria assim como eu, prefere ficar um tempo sozinho para pensar em tudo o que compartilhamos em grupo. Eu gosto de me deitar na minha cama e ficar olhando para o teto. É meio coisa de maluca, mas fazendo isso, consigo pensar no que eu quero para o dia seguinte. Eu quero ser uma Ivy melhor. Estou me aproximando da porta do quarto quando vejo André vindo em minha direção. Abro um largo sorriso, já que passei o dia sem vê-lo. - Oi André, por onde esteve o dia todo? – Pergunto quando estamos próximos o bastante para conversar sem alterar a voz. - Estava cuidando da papelada da saída da Bianca. Ela vai embora amanhã. - Estou sabendo. Gustavo falou que você permitiu uma festa de despedida. - Está mais para uma reunião do que festa. Vocês sabem como as ordens aqui são rigorosas... – Alertou. - Eu sei. Vamos fazer o que fazemos todos os dias no final da tarde, a diferença é que teremos uma ou duas horas a mais para isso. - Trouxe isso para você. – Disse me entregando um envelope pardo. - O que é isso? - Uma carta, eu deduzo. - Uma carta? – Pergunto quando ele não fala mais nada. – Quem me mandaria uma carta? - Não sei. Não tem nome do remetente. – Diz me entregando o envelope. - Tem certeza que é pra mim? - Está endereçada para você. Eu pego o envelope e dou uma analisada rápida. André tem razão, o nome do remetente está em branco. Não reconheço a letra, é um pouco arredondada, mas nada parecida com a caligrafia dos meus amigos. Quem mais saberia a onde eu estou além da minha família e dos meus amigos? - Se não quiser a carta, posso jogar fora... – André começa a falar. - Não... Eu vou ficar com ela. Estou curiosa para saber quem me escreveu. Desde que a internet ficou avançada, as cartas perderam a vez. Obrigada André, vou ler em meu quarto. André me dar um sorriso e depois segue em frente em direção a sua sala onde fica com o restante dos enfermeiros. Entro no quarto, ligo a luz, já que está escurecendo e vou me sentar na minha cama. Dou uma última olhada do envelope antes de rasgar e retirar uma folha A4 de dentro. Ela está dobrada em três partes, como se fosse outro envelope. Abro delicadamente, curiosa e temendo o que está escrito. Surpreendo-me quando a primeira coisa que me chama a atenção é a pergunta.  Ivy Como você tem passado? Sei que não deve estar tão fácil assim para você depois de tudo o que passou nas mãos do Diogo, mas saiba que se dependesse do meu amor você logo estaria vivendo sua vida como era antes.  Você há essa hora pode estar se perguntando de quem se trata, mas me chame de covarde ou do que for, porém, prefiro não me identificar, não agora, quero ser pra você exatamente o que precisar, se for um amigo estou aqui, se um confidente, tem meus ouvidos... A única coisa que não posso te dar agora é o meu corpo para te cobrir nas noites frias que todos nós temos.  Eu já tentei te esquecer tantas vezes,  já quis deixar pra lá esse salto que meu coração dá quando lembro de seus olhos cor de avelã que outrora me olhavam mas não me viam.  Já te procurei em tantas outras almas, mas só a sua me completa e o por muito tempo tive que aceitar este vazio só que agora resolvi fazer diferente. Por isso estou escrevendo está carta para que você saiba que tem um coração que é seu.   Eu continuarei enviando cartas a você, se isso não lhe incomodar e sei que posso estar pedindo demais, mas quero sonhar em receber uma em resposta, apenas isso já me faria o homem mais realizado do mundo.  Mas se preferir apenas receber as minhas eu fico mais do que feliz em saber que habito em seus pensamentos.  Ao fim deixo a você um beijo que te aqueça nas noites sombrias e marque seu coração com todo calor da minha paixão.   Seu para sempre...

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