Capítulo 47

950 Palavras
Domenico Ricci A manhã ainda estava começando, mas eu já estava na sede da família. Era um dia importante, pelo menos para mim. Hoje, Iris sairia daquela quitinete minúscula e se mudaria para um apartamento de verdade, um lugar seguro, confortável e digno dela. Mas antes disso, eu precisava de um pequeno favor. Atravessei os corredores da sede com passos firmes até o escritório de Damiano. Não me dei ao trabalho de bater na porta, apenas a abri, anunciando minha chegada. — Bom dia. O que eu não esperava era encontrar meu irmão inclinado para trás na cadeira, olhos fechados, expressão completamente relaxada. Damiano estava cochilando. Um sorriso brincou em meus lábios. Era uma oportunidade boa demais para desperdiçar. Andei até ele em silêncio, parando logo atrás da cadeira. Abaixei-me um pouco e deslizei um dedo atrás da orelha dele, fazendo cócegas. Damiano despertou com um sobressalto, a cadeira quase tombando para trás enquanto ele se equilibrava rapidamente. — Cazzo, Domenico! — Ele rosnou, passando a mão no rosto. — Que merda você pensa que está fazendo? Eu gargalhei alto, completamente satisfeito com a minha obra. — Só garantindo que você ainda está vivo — provoquei, apoiando as mãos nos joelhos. — Você estava roncando, sabia? — Vai se f***r — Damiano bufou, se endireitando na cadeira. Demorei alguns segundos para conter a risada antes de finalmente entrar no assunto. — Preciso de um favor. — disse e ele revirou os olhos. — Se for algo que envolva me acordar desse jeito de novo, a resposta é não. — Preciso de uma van. — Damiano franziu o cenho. — Uma van? — Eu concordei — Para ajudar Iris na mudança — expliquei. Seu olhar se suavizou por um momento antes de ele pegar o celular e discar rapidamente um número. — Tragam uma das vans do pátio, agora — ordenou, direto ao ponto. Não levou nem um minuto para que ele desligasse a chamada e voltasse a me encarar. — Já está feito. Se precisar de ajuda, me avise. — Valeu — agradeci, me levantando. — Agora pode voltar a dormir, velho. — Và a fancullo! Aproveita e procura o que fazer, Domenico. — Saí rindo do escritório, satisfeito com o resultado da conversa. No estacionamento, dois soldados já me esperavam ao lado da van. Peguei as chaves e, sem perder tempo, segui para a quitinete de Iris. Estacionei na frente do prédio e buzinei, encostando o braço na janela do carro. Segundos depois, Iris apareceu na janela do segundo andar. Seus olhos se arregalaram ao ver a van, e logo um sorriso divertido surgiu em seus lábios. — O que é isso, Domenico? — Ela riu, inclinando-se sobre o parapeito. — Serviço de transporte particular — respondi, abrindo a porta para descer. Subi as escadas e, assim que ela abriu a porta, a cumprimentei com um beijo. Era um hábito que eu já havia adquirido e Iris não parecia se importar. — Você realmente conseguiu uma van só pra isso? — Ela perguntou, pegando uma caixa pequena para levar. — Achei que seria mais prático. E você merece de tudo. — Ela corou levemente, mas não contestou. Logo começamos a levar as coisas para a van. Não havia muitos móveis, apenas caixas com roupas, produtos pessoais e algumas coisas que ela havia comprado nos últimos tempos. Quando terminamos, Iris parou na calçada, encarando o prédio. Ela não disse nada, mas eu sabia o que estava pensando. Ali foi onde tudo começou. Onde ela chegou sozinha, cheia de incertezas, carregando o peso de um futuro incerto nas costas. Agora, as coisas estavam mudando. Ela estava mudando. Aproximei-me e a abracei de lado, puxando-a contra mim. — Pronta? — perguntei em um tom baixo. Ela olhou para mim e sorriu antes de acenar com a cabeça. — Pronta. Dei um beijo rápido em sua testa antes de abrir a porta para ela. Assim que Iris entrou, fechei a porta e assumi o volante. Durante o caminho, ela parecia cada vez mais animada, observando as ruas com um brilho diferente nos olhos. — Está gostando do bairro? — perguntei. — Sim, muito — ela respondeu, empolgada. — É mais movimentado, mas ao mesmo tempo parece tranquilo. — Você merece um lugar bom pra viver. Iris me olhou por um momento, e eu pude ver um misto de emoções em seu olhar. — Obrigada, Domenico. Por tudo. Apertei o volante, sentindo algo quente se espalhar dentro do meu peito. — Sempre, Iris. Chegamos ao novo apartamento e subimos com as caixas. O lugar era perfeito para ela: seguro, aconchegante, com uma vista bonita. — Agora começa a parte chata: organizar tudo — Iris brincou, colocando as mãos na cintura. — Eu ajudo. — Você? — Ela arqueou uma sobrancelha. — Sim. Sou bom em tarefas domésticas. — Ela riu, pegando uma das caixas. Começamos a organizar as coisas, e entre um móvel e outro, eu não resistia em roubar um beijo. — Domenico! — Iris reclamou quando tentei beijá-la enquanto ela empilhava alguns livros. — O quê? Não posso comemorar sua nova casa? — Ela riu, empurrando meu ombro levemente. — Você é impossível. — Mas você gosta. — Ela suspirou, cruzando os braços. — Gosto — admitiu, mordendo o lábio. Agarrei sua cintura, puxando-a para perto. — Então acho justo que eu seja recompensado por toda a ajuda. — E como exatamente você quer ser recompensado? — Ela perguntou, divertida. — Hm… — Fingi pensar. — Um beijo bem caprichado deve bastar. — Iris riu, mas se inclinou para me beijar. Naquele momento, percebi que aquele apartamento não era apenas um novo lar para ela. Era um novo começo. Para nós dois.
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