Domenico Ricci
O dia passou num piscar de olhos, e quando percebi, já era hora de buscar Iris. Saí da sede da máfia depois de uma longa reunião sobre a expansão dos cassinos da Carbone e a nova parceria com a Tenebra. O assunto ainda ecoava na minha mente enquanto dirigia até o restaurante.
Assim que cheguei, encostei o carro e esperei alguns minutos. Logo, a porta dos fundos se abriu e Iris surgiu, carregando sua mochila no ombro, os cabelos presos num coque desalinhado. O olhar dela encontrou o meu e um sorriso brotou instantaneamente em seus lábios, aquele sorriso que sempre me desarmava.
Desci do carro e a esperei se aproximar. Assim que ficou perto o suficiente, deslizei minha mão pela sua cintura e a puxei para mais perto, sentindo o calor do corpo dela contra o meu. Me inclinei e deixei um beijo demorado em sua testa.
— Como foi seu dia, piccola?
— Corrido, mas nada que eu não consiga lidar. — Ela ajeitou a mochila no ombro. — E o seu?
— Saí de uma reunião com uma máfia aliada. Estamos expandindo os negócios.
Ela franziu a testa, curiosa.
— Imagino que deva ter sido cansativo. — Sorri de lado.
— Nada que não esteja acostumado. Temos uma outra família nos ajudando e isso facilita.
Iris sorriu e eu abri a porta do carro para ela. Esperei ela se acomodar e dei a volta assumindo a direção. O trajeto foi tranquilo, com Iris falando sobre clientes engraçados que atendeu no restaurante e eu rindo dos detalhes que ela acrescentava à história.
Assim que chegamos, Iris colocou a mochila no canto e olhou para mim.
— Vou tomar um banho rápido antes de cozinhar.
— Eu espero você. — Inclinei-me e roubei um beijo de seus lábios antes que ela se afastasse.
Ela riu e seguiu para o quarto. Me joguei no sofá, peguei o celular e chequei alguns e-mails, mas logo desisti de qualquer tentativa de me concentrar. A única coisa que me interessava naquele momento estava no banho.
Alguns minutos depois, ouvi a porta do quarto se abrir. Olhei para cima e fui imediatamente capturado pela visão de Iris.
Ela usava um short curto que revelava suas pernas longas e uma blusa fina, deixando a curva dos s***s levemente marcada pelo tecido leve. O cabelo molhado escorria pelos ombros, algumas mechas grudadas na pele ainda úmida.
Cazzo.
Ela já era linda, mas daquele jeito, parecia saída diretamente dos meus sonhos.
Me levantei devagar e fui até ela. Meus dedos deslizaram pela pele de sua cintura exposta antes de puxá-la contra mim.
— Você não tem ideia do que faz comigo… — murmurei, sentindo o cheiro do sabonete fresco misturado ao perfume natural dela.
Iris corou, abaixando um pouco o olhar.
— Eu só tomei um banho, Domenico…
— E resolveu me deixar louco no processo.
Agarrei sua nuca e a puxei para um beijo intenso, deixando que ela sentisse exatamente o efeito que tinha sobre mim. Minhas mãos percorreram sua cintura, subindo lentamente pela curva de suas costas, sentindo cada centímetro daquela pele quente e convidativa.
Quando nos afastamos, ela suspirou, tentando recuperar o fôlego.
— Eu… preciso cozinhar.
— Ou a gente pode pedir alguma coisa e continuar o que começamos.
Ela riu, empurrando meu peito de leve.
— Você já sabia que eu ia cozinhar. Agora fica quieto e me deixa trabalhar. — Suspirei dramaticamente, mas a segui até a cozinha.
— O que você vai fazer? — perguntei enquanto ela separava os ingredientes.
— La Bandera. — sorriu colocando tudo na bancada.
— O quê? — Ela riu.
— Arroz, feijão, carne, salada e banana frita. — disse e eu me surpreendi. Não era uma combinação que eu estava acostumado.
— Acho que vou gostar.
— Você vai amar. — Eu sorri da sua convicção e ela começou o preparo.
— Posso ajudar? — perguntei ao ver ela mexer nas panelas.
— Não. — Suspirei. A ideia de ela cozinhando enquanto eu olhava não me agradava muito.
— Você tem certeza? — Perguntei me aproximando.
— Absoluta. — Inclinei a cabeça e ela me olhou decidida.
— Mas eu… — Tentei argumentar mas fui interrompido.
— Domenico, se você quer me ajudar, apenas fique aí e não toque em nada. —
Revirei os olhos, mas me encostei no balcão e continuei observando.
A cozinha ficou cheia do cheiro das especiarias enquanto ela mexia na panela, cortava vegetais e fritava bananas. Durante todo o tempo, eu não conseguia evitar a vontade de tocá-la.
Deslizei meus dedos pela curva de suas costas enquanto ela mexia o arroz, sentindo-a se arrepiar.
— O que falta? — Perguntei me aproximando por trás e encostando o queixo em seu ombro.
— O feijão está quase pronto. — Aproximei ainda mais os lábios de seu pescoço, roçando a ponta do nariz ali.
— E se eu roubar um pouquinho da sua atenção enquanto ele cozinha? — Ela riu, virando o rosto para me olhar.
— Se eu queimar a comida, você não vai jantar. — Eu ri e fingi pensar.
— Vale o risco. — Ela balançou a cabeça, mas não se afastou. Dei um selinho demorado nela antes de soltar um suspiro exagerado. — Posso ao menos arrumar a mesa?
— Pode — Ela respondeu sorrindo e continuou cozinhando enquanto eu organizava tudo. Quando ela finalmente terminou, trouxe as panelas para a mesa e se sentou.
— Quero ver se você realmente gosta. — Peguei o garfo e levei uma garfada até a boca, mas antes de dar minha opinião, fiz uma cara pensativa, como se estivesse analisando cada sabor.
— Domenico… — Mantive minha expressão séria.
— Hm… não sei… — Ela arregalou os olhos.
— O quê?! — Soltei uma risada e segurei sua mão sobre a mesa.
— Estou brincando. Isso é incrível, Iris. Uma das melhores coisas que já comi. — Ela bufou, aliviada.
— Não faça mais isso. — Reclamou começando a comer.
— Mas você ficou linda preocupada. — Ela revirou os olhos e continuamos comendo.
Durante o jantar, mantive minha mão entrelaçada na dela, sentindo sua pele quente contra a minha. A luz suave da cozinha realçava seus traços, e naquele momento, a única coisa que conseguia pensar era que eu poderia viver assim para sempre.
Quando terminamos, ela se levantou para pegar os pratos, mas segurei seu pulso.
— Eu lavo. — Ela me olhou surpresa.
— Domenico… — Antes que ela protestasse, a puxei para perto, passei o braço por trás de suas pernas e a joguei sobre meu ombro.
— DOMENICO! — Ela se debatia, rindo, enquanto eu a carregava até o sofá.
— Você vai sentar aqui e deixar que eu cuide disso. — Coloquei-a com cuidado no sofá ajeitando as almofadas.
— Você não precisa fazer isso — Disse fazendo bico.
— Enquanto eu existir e estiver comigo, você não vai precisar lavar louça. — Ela cruzou os braços, fingindo indignação, mas não parou de sorrir. Me inclinei e roubei mais um beijo antes de voltar para a cozinha.
Enquanto lavava a louça, olhei para trás e a vi me observando, um brilho suave nos olhos.
Sorri.
Porque, naquele momento, percebi que tudo o que eu precisava estava bem ali.