Capítulo 49

1216 Palavras
Domenico Ricci O dia passou num piscar de olhos, e quando percebi, já era hora de buscar Iris. Saí da sede da máfia depois de uma longa reunião sobre a expansão dos cassinos da Carbone e a nova parceria com a Tenebra. O assunto ainda ecoava na minha mente enquanto dirigia até o restaurante. Assim que cheguei, encostei o carro e esperei alguns minutos. Logo, a porta dos fundos se abriu e Iris surgiu, carregando sua mochila no ombro, os cabelos presos num coque desalinhado. O olhar dela encontrou o meu e um sorriso brotou instantaneamente em seus lábios, aquele sorriso que sempre me desarmava. Desci do carro e a esperei se aproximar. Assim que ficou perto o suficiente, deslizei minha mão pela sua cintura e a puxei para mais perto, sentindo o calor do corpo dela contra o meu. Me inclinei e deixei um beijo demorado em sua testa. — Como foi seu dia, piccola? — Corrido, mas nada que eu não consiga lidar. — Ela ajeitou a mochila no ombro. — E o seu? — Saí de uma reunião com uma máfia aliada. Estamos expandindo os negócios. Ela franziu a testa, curiosa. — Imagino que deva ter sido cansativo. — Sorri de lado. — Nada que não esteja acostumado. Temos uma outra família nos ajudando e isso facilita. Iris sorriu e eu abri a porta do carro para ela. Esperei ela se acomodar e dei a volta assumindo a direção. O trajeto foi tranquilo, com Iris falando sobre clientes engraçados que atendeu no restaurante e eu rindo dos detalhes que ela acrescentava à história. Assim que chegamos, Iris colocou a mochila no canto e olhou para mim. — Vou tomar um banho rápido antes de cozinhar. — Eu espero você. — Inclinei-me e roubei um beijo de seus lábios antes que ela se afastasse. Ela riu e seguiu para o quarto. Me joguei no sofá, peguei o celular e chequei alguns e-mails, mas logo desisti de qualquer tentativa de me concentrar. A única coisa que me interessava naquele momento estava no banho. Alguns minutos depois, ouvi a porta do quarto se abrir. Olhei para cima e fui imediatamente capturado pela visão de Iris. Ela usava um short curto que revelava suas pernas longas e uma blusa fina, deixando a curva dos s***s levemente marcada pelo tecido leve. O cabelo molhado escorria pelos ombros, algumas mechas grudadas na pele ainda úmida. Cazzo. Ela já era linda, mas daquele jeito, parecia saída diretamente dos meus sonhos. Me levantei devagar e fui até ela. Meus dedos deslizaram pela pele de sua cintura exposta antes de puxá-la contra mim. — Você não tem ideia do que faz comigo… — murmurei, sentindo o cheiro do sabonete fresco misturado ao perfume natural dela. Iris corou, abaixando um pouco o olhar. — Eu só tomei um banho, Domenico… — E resolveu me deixar louco no processo. Agarrei sua nuca e a puxei para um beijo intenso, deixando que ela sentisse exatamente o efeito que tinha sobre mim. Minhas mãos percorreram sua cintura, subindo lentamente pela curva de suas costas, sentindo cada centímetro daquela pele quente e convidativa. Quando nos afastamos, ela suspirou, tentando recuperar o fôlego. — Eu… preciso cozinhar. — Ou a gente pode pedir alguma coisa e continuar o que começamos. Ela riu, empurrando meu peito de leve. — Você já sabia que eu ia cozinhar. Agora fica quieto e me deixa trabalhar. — Suspirei dramaticamente, mas a segui até a cozinha. — O que você vai fazer? — perguntei enquanto ela separava os ingredientes. — La Bandera. — sorriu colocando tudo na bancada. — O quê? — Ela riu. — Arroz, feijão, carne, salada e banana frita. — disse e eu me surpreendi. Não era uma combinação que eu estava acostumado. — Acho que vou gostar. — Você vai amar. — Eu sorri da sua convicção e ela começou o preparo. — Posso ajudar? — perguntei ao ver ela mexer nas panelas. — Não. — Suspirei. A ideia de ela cozinhando enquanto eu olhava não me agradava muito. — Você tem certeza? — Perguntei me aproximando. — Absoluta. — Inclinei a cabeça e ela me olhou decidida. — Mas eu… — Tentei argumentar mas fui interrompido. — Domenico, se você quer me ajudar, apenas fique aí e não toque em nada. — Revirei os olhos, mas me encostei no balcão e continuei observando. A cozinha ficou cheia do cheiro das especiarias enquanto ela mexia na panela, cortava vegetais e fritava bananas. Durante todo o tempo, eu não conseguia evitar a vontade de tocá-la. Deslizei meus dedos pela curva de suas costas enquanto ela mexia o arroz, sentindo-a se arrepiar. — O que falta? — Perguntei me aproximando por trás e encostando o queixo em seu ombro. — O feijão está quase pronto. — Aproximei ainda mais os lábios de seu pescoço, roçando a ponta do nariz ali. — E se eu roubar um pouquinho da sua atenção enquanto ele cozinha? — Ela riu, virando o rosto para me olhar. — Se eu queimar a comida, você não vai jantar. — Eu ri e fingi pensar. — Vale o risco. — Ela balançou a cabeça, mas não se afastou. Dei um selinho demorado nela antes de soltar um suspiro exagerado. — Posso ao menos arrumar a mesa? — Pode — Ela respondeu sorrindo e continuou cozinhando enquanto eu organizava tudo. Quando ela finalmente terminou, trouxe as panelas para a mesa e se sentou. — Quero ver se você realmente gosta. — Peguei o garfo e levei uma garfada até a boca, mas antes de dar minha opinião, fiz uma cara pensativa, como se estivesse analisando cada sabor. — Domenico… — Mantive minha expressão séria. — Hm… não sei… — Ela arregalou os olhos. — O quê?! — Soltei uma risada e segurei sua mão sobre a mesa. — Estou brincando. Isso é incrível, Iris. Uma das melhores coisas que já comi. — Ela bufou, aliviada. — Não faça mais isso. — Reclamou começando a comer. — Mas você ficou linda preocupada. — Ela revirou os olhos e continuamos comendo. Durante o jantar, mantive minha mão entrelaçada na dela, sentindo sua pele quente contra a minha. A luz suave da cozinha realçava seus traços, e naquele momento, a única coisa que conseguia pensar era que eu poderia viver assim para sempre. Quando terminamos, ela se levantou para pegar os pratos, mas segurei seu pulso. — Eu lavo. — Ela me olhou surpresa. — Domenico… — Antes que ela protestasse, a puxei para perto, passei o braço por trás de suas pernas e a joguei sobre meu ombro. — DOMENICO! — Ela se debatia, rindo, enquanto eu a carregava até o sofá. — Você vai sentar aqui e deixar que eu cuide disso. — Coloquei-a com cuidado no sofá ajeitando as almofadas. — Você não precisa fazer isso — Disse fazendo bico. — Enquanto eu existir e estiver comigo, você não vai precisar lavar louça. — Ela cruzou os braços, fingindo indignação, mas não parou de sorrir. Me inclinei e roubei mais um beijo antes de voltar para a cozinha. Enquanto lavava a louça, olhei para trás e a vi me observando, um brilho suave nos olhos. Sorri. Porque, naquele momento, percebi que tudo o que eu precisava estava bem ali.
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