Capítulo 69

794 Palavras
Domenico Ricci O motor do carro ronronava sob meus dedos enquanto eu dirigia pela estrada rumo a Milão. O céu acinzentado combinava perfeitamente com meu humor, e a estrada reta e vazia me dava espaço para pensar. Obviamente, em Iris. Os últimos meses ao lado dela tinham sido os melhores da minha vida. Cada dia, cada noite, cada toque e cada olhar me afundavam ainda mais nessa obsessão. Ela era o meu ar, a minha perdição. Eu nunca tinha sentido algo tão intenso, tão devastador. Era como se cada parte de mim existisse apenas para estar ao lado dela. Mas agora, eu estava a caminho de Milão, e o cassino de lá precisava da minha atenção. Negócios. Problemas. Desleixo. Era impressionante como algumas pessoas não sabiam seguir ordens. O lugar estava afundando por pura incompetência, e eu ia consertar essa merda nem que tivesse que quebrar alguns ossos no processo. Pisei fundo no acelerador, desviando de alguns carros lentos. Eu queria resolver isso o mais rápido possível e voltar para casa. Para Iris. Quando cheguei ao cassino, já senti a merda de longe. O prédio estava movimentado, mas não no bom sentido. Havia um ar de bagunça no ambiente, como se ninguém soubesse exatamente o que estava fazendo. Entrei sem hesitação, e a primeira coisa que vi foram seguranças conversando entre si, rindo de alguma piada estúpida. — Que p***a é essa? — minha voz cortou o riso deles instantaneamente. Os homens se endireitaram, os olhos arregalados. — Senhor Ricci… — um deles começou, mas eu levantei a mão, cortando qualquer desculpa antes que saísse da boca dele. — Se um cliente entrar aqui armado agora, vocês vão fazer o quê? Rir pra ele também? — meus olhos ardiam em fúria. — Vocês são pagos para manter esse lugar seguro, não para ficarem de papo. Um vacilo e todo mundo aqui tá fodido. Querem brincar, vão fazer isso na rua. Mas não no meu cassino. Eles assentiram rapidamente, voltando aos seus postos. Bufei, esfregando o rosto com força antes de continuar andando. O próximo alvo da minha fúria foi o gerente. Entrei no escritório dele sem bater, e o desgraçado quase derrubou os papéis da mesa de tanto nervoso. — Você tem dez segundos para me dizer por que essa merda está caindo aos pedaços. — Ele engoliu em seco. — Senhor Ricci, estamos enfrentando alguns problemas com devedores, a equipe está sobrecarregada e… — o interrompi — Problemas com devedores? — ri, sem humor. — Se esses filhos da p**a não pagaram, por que ainda estão respirando? Você sabe o que fazer com eles. Ou eu tenho que te lembrar? — Eu resolvo isso hoje mesmo, senhor. — Ele abaixou a cabeça, suando frio. — Ótimo. Porque se eu tiver que resolver, você vai junto com eles. — Disse por último. Saí do escritório antes que minha paciência se esgotasse de vez. Na área principal do cassino, a situação não era melhor. Vi um dealer distraído no celular enquanto os clientes aguardavam. Me aproximei lentamente e bati com força na mesa, fazendo as fichas pularem. O Figlio di puttana quase caiu da cadeira. — Seu trabalho é rodar as cartas, não ver p*****a no i********:. Se eu te pegar nisso de novo, pode considerar sua demissão um favor. — falei. Ele assentiu freneticamente, guardando o celular tão rápido que parecia queimar em suas mãos. Andei pelo cassino, observando cada detalhe. Má administração, funcionários despreparados, clientes insatisfeitos. Que p***a tinham feito nesse lugar enquanto eu estava fora? Respirei fundo, tentando me controlar. Mas a verdade era que meu limite já tinha ido pro c*****o. Chamei o gerente de volta, e ele apareceu rápido, provavelmente sabendo que eu estava prestes a explodir. — Reúna todo mundo agora. Funcionários, seguranças, dealers. Quero todo mundo aqui em cinco minutos. — falei entrando no auditório. Ele correu para cumprir a ordem. Cinco minutos depois, o salão estava lotado de rostos tensos. Eu subi no palco para que todos me vissem e cruzei os braços. — Eu nunca vi esse lugar tão fodido. E eu culpo todos vocês. — minha voz era afiada como uma lâmina. — O cassino existe para fazer dinheiro, não para ser uma creche de funcionários incompetentes. Eu vejo seguranças distraídos, funcionários no celular, clientes saindo insatisfeitos. Isso é inadmissível. — O silêncio era absoluto. — A partir de hoje, ou vocês trabalham direito, ou estão fora. Sem segunda chance. Entenderam? — Todos assentiram rapidamente. — Agora voltem ao trabalho e façam essa merda funcionar. O salão se dispersou num frenesi de atividade. Olhei para o relógio. Mais algumas horas aqui e eu poderia voltar para casa. Para ela. Meu refúgio. Minha paz. Meu amor. E, p***a, eu precisava dela agora mais do que nunca.
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